Autora
Profa. Dra. Geni de Sales Dornelles, Mtb 5999
A Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável vem reforçar o amplo poder de sensibilização social de um movimento que surgiu a partir da ECO-92. A dimensão do problema em foco é global e a condição de possibilidade de enfrentá-lo parece estar na capacidade de conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Desde então, além de vários governos alinharem políticas e criarem órgãos públicos fiscalizadores, mais pessoas e organizações revisaram padrões éticos, para mudar suas atitudes e práticas em busca da cidadania responsável. Integrado a essa linha de pensamento e ação, o Conselho Regional de Administração – CRA/RS conquistou, no dia 6 de junho de 2012, sua certificação no Programa Carbono Neutro®.
Esse avanço cultural iniciou em 2011, demandou muita negociação e ganhou impulso na implantação do Projeto de Gestão Ambiental de autoria do Prof. Volnei Correa. Em nível geral, ele objetivou: saber quanto CO2 o CRA gerava e desenvolver um instrumento de avaliação e gestão do consumo de diferentes tipos de energia. Os cálculos necessários (cortesia da Empresa MAXIAMBIENTAL) apontaram a geração de 110 toneladas de gás carbônico no ano. Segundo o Protocolo de Kyoto é necessário plantar cinco árvores para neutralizar uma tonelada de CO2. O Conselho devia à natureza, portanto, 555 mudas de árvores… Como saldar essa dívida? Como mudar tais estratégias gestão da autarquia?
As árvores nativas foram doadas pela Cooperativa Regional de Eletrificação de Teutônia Ltda, presidida pelo Adm. Egon Édio Hoerlle e cliente da MAXIAMBIENTAL. Entre suas atividades de responsabilidade social a CERTEL ENERGIA mantém um Viveiro de plantas e um técnico em plantios. Assim, foram superados os três primeiros óbices: implantação do Projeto, custos do cálculo de emissão de gases, aquisição de 555 mudas nativas (e remuneração do Eng. Agrônomo Ricardo Jaspers responsável técnico pelo trabalho). Logo, o Conselho decidiu que as mudas seriam plantadas em Porto Alegre… Onde plantá-las, então?
Nesta etapa a criatividade do Prof. Volnei apontou para a SMAM. O atual Secretário do Meio Ambiente é o Adm. Luiz Fernando Zachia. De imediato, ele acatou a solicitação, designando técnicos da Secretaria para localizarem uma área adequada. O local encontrado foi a Praça Pedro Vergara, localizada no Bairro Aberta dos Morros, que é uma APP – Área de Proteção Permanente, ou seja, uma condição necessária para completar o processo de neutralização de carbono. Essas mudas serão plantadas e monitoradas ao longo do tempo.
A rede descrita acima reiterara a assertiva: a preservação do planeta depende de soluções compartilhadas. Talvez, por isso, a ONU aposte no sucesso da Rio+20, com altas expectativas nesse sentido, embora a crise econômica da Europa limite esperados acordos de cooperação internacional. Apesar da falta dos três grandes líderes (EUA, Reino Unido e Alemanha), estão escritos para discursar na Conferência 134 chefes de Estado ou de governo, quando em
1992 foram 108 discursos. Mesmo que em contrapartida, haja desencanto de ambientalistas, que se declaram céticos, não acreditando na efetividade de tais eventos, vem deles a afirmação: “é o cidadão que muda o planeta, não são os governos”.
Entretanto, o que pode somar na formação da consciência cidadã é um fato atual: “o planeta está em pauta”. Se os verbos crescer, proteger e incluir forem conjugados será cultivado um AMBIENTE melhor, onde todas as formas de vida saem ganhando. Gerenciar sem agredir atmosfera, litosfera e hidrosfera é, portanto, um dever moral. À responsabilidade social caberá conhecer a lógica da biosfera, para identificar e controlar uma tecnosfera avara (com sua cadeia de resultados imprevisíveis e indesejáveis). Para tanto, os documentos resultantes da Rio+20 e dos eventos paralelos da sociedade civil precisam ser divulgados e, amplamente, conhecidos para alavancar a Economia Verde. Além de ser uma exigência profissional, trata-se de um compromisso ético, gerar propostas concretas relativas a cada ORGANIZAÇÃO (em agricultura, energia, clima, água, produção sustentável, cidades, pobreza, inclusões diversas, etc.). Na Rio+20 o foco das discussões está no pilar econômico e poderá motivar políticas direcionadas a um desenvolvimento sustentável que incorpore estratégias de ponta, privilegiando as organizações com melhores práticas e o planeta com melhor qualidade de vida.
A compensação que o Conselho Regional de Administração está fazendo é o pagamento de sua quota para a sociedade civil e a natureza. Ademais, neste ano, o CRA instituiu a Câmara de Responsabilidade Social e Sustentabilidade que se espera apta para fomentar a discussão do tema, estimulando mudanças entre os administradores e no gerenciamento futuro das organizações.
Enfim, o status conferido pelo selo de Carbono Neutro tornou o Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul um expoente, entre as demais entidades de classe. Trata-se de uma decisão pioneira, sobretudo, porque satisfaz a consciência do dever cumprido, concretizada na opção pela Economia Verde. Por esta razão, pode-se parabenizar o CRA/RS, na pessoa de sua Presidente Adm. Cláudia Stadtlober e demais membros, pois muitos brindaram o credenciamento e a chegada do selo verde, inclusive, com os “parceiros verdes”. Agora, fica um convite extensivo aos leitores, para vivenciarem conosco, oportunamente, a bela experiência de plantar 555 novas árvores em Porto Alegre e sonhar com milhares de benchmarking deste Projeto de Gestão Ambiental…

