PRESERVAR O MEIO AMBIENTE OU PROMOVER O DESENVOLVIMENTO ECONÖMICO– UMA FALSA POLÊMICA!
Diariamente ouvimos e lemos notícias que mostram alguma ONG tentando impedir a abertura de uma estrada, a construção de uma hidroelétrica, a construção de um gasoduto, ou até mesmo a instalação de antenas para transmissão de sinais para os celulares. Mas por que estes ecologistas são contra o desenvolvimento econômico? Eles não merecem ser chamados de “eco-chatos”?
É preciso que se diga que o debate sobre preservar o meio ambiente ou promover o desenvolvimento econômico foi polêmico nas décadas de 60 e 70 nos Estados Unidos e Europa.No Brasil do século XXI, isto é uma falsa polêmica, pois a preservação ambiental pode promover o desenvolvimento econômico. Exemplos como o Projeto Tamar comprovam que os depredadores podem ser transformados em protetores do meio ambiente, obtendo maiores lucros com a proteção do que com a caça as tartarugas. Nas indústrias, uma forma de proteger o meio ambiente é a redução dos resíduos gerados, tendo como conseqüência a redução dos custos de produção. Se em mais residências fosse separado o lixo seco do orgânico, haveria um maior reaproveitamento das matérias-primas recolhidas pela coleta seletiva, gerando mais emprego, renda e inclusão social.
Por outro lado, o desenvolvimento econômico pode promover a proteção ambiental. Muitos dos danos ambientais ocorrem pelas péssimas condições de vida de populações carentes, pela falta de informação e conscientização dos consumidores que apenas observam o menor preço e o prazo de validade dos produtos. Com melhores condições financeiras e com mais informações, os consumidores poderão decidir, na hora da compra, se irão adquirir produtos de empresas que exploram mão-de-obra infantil, que poluem o meio ambiente, que utilizam agrotóxicos, ou optar por produtos provenientes de empresas sócio-ambientalmente responsáveis, que oferecem produtos saudáveis e que respeitam a natureza.
Mas e o caso da estrada, da usina ou do gasoduto, onde já foram investidos milhões e que não entram em funcionamento por que não têm licença ambiental? Na maioria das vezes, existe aí um conflito de interesses. De um lado os ecologistas, que protestam contra os impactos ambientais que serão causados pelo empreendimento. De outro lado, estão os responsáveis pelo empreendimento e os políticos que querem ver aquela obra ser concluída com o menor custo e no menor prazo possível.
Mesmo que não consigam evitar a realização do empreendimento, as manifestações dos ecologistas servem para conscientizar a população e pressionar o poder público, exigindo medidas compensatórias e maior rigidez na análise e liberação dos próximos projetos. Os empreendedores e políticos interessados na realização da obra tentam caracterizar os manifestantes de “contrários ao desenvolvimento” e de “eco-chatos”.
Quanto mais conscientizada for a população de uma determinada região e maior for o número de organizações sócio-ambientalmente responsáveis, menor serão os casos polêmicos, pois a proteção ambiental e desenvolvimento econômico são compatíveis e devem ser planejados de forma integrada.
Luis Felipe Nascimento
Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Administração – PPGA/EA/UFRGS
Matéria veiculada no dia 27 de janeiro de 2005, no cadero Gestão, Jornal Zero Hora, página 3.

