Escola de Administração da UFRGS ensina pela TV on-line

29/04/2005

Escola de Administração da UFRGS ensina pela TV on-line
Projeto EATw faz três anos, integra mais de 15 equipes na universidade e recebe até acessos do exterior

Publicado em 16/03/2005 às 15:45
Por Renata Aquino

Unir vídeo, bate-papo e acervo educacional é a base de um projeto que a Escola de Administração da UFRGS realiza com grande sucesso. Desde 2002, o projeto EATw mostra o melhor da produção da escola por um canal de TV on-line. Nas transmissões ao vivo, os espectadores podem conversar via bate-papo enquanto assistem às defesas de teses, conferências e outras produções da EATw.

Básico e acessível, o projeto dispõe ainda da seção Sobre EATw, que explica em detalhes como funciona o canal de TV e a criação do projeto. “Mais do que um canal para a UFRGS, a EATw passou a ser para toda a sociedade, abrigando todos os tipos de produções que tenham interesse para universidades brasileiras”, conta Luís Roque Klering, docente da UFRGS.

A UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) possui uma plataforma de EAD (educação a distância) gerenciada pelo NAVi (Núcleo de Aprendizagem Virtual). A Escola de Administração da universidade, ao montar o EATw, contou com o apoio do núcleo para realização do projeto. “São três bolsistas permanentemente gerenciando a EATw na Administração e mais dois no NAVI para as transmissões ao vivo”, conta o professor Klering. O nome EATw une a sigla da Escola de Administração (EA) com “TV web”, pois “é uma TV diferente, transmitida via web”, explica o site institucional do projeto.

“A EATw procura divulgar assuntos, entrevistas, palestras, defesas, tudo que possa ser publicado da produção da Escola de Administração”, conta o professor Klering, coordenador do NAVi e produtor do EATw. Além de transmitir, a EATw também cria conhecimento, de acordo com o professor. “A maior importância do projeto é gerar um acervo novo, não-convencional, pois na hora que ocorre a videoconferência, há o bate-papo e interação com o público, uma produção complementar”.

Cativar a audiência dentro da universidade

Entre os desafios diários do projeto está o de seu conteúdo ser adotado por professores e alunos que fazem parte de sua programação. “Não estamos ainda acostumados a recorrer a acervos de vídeo para pesquisar trabalhos acadêmicos, é um paradigma cultural que precisa ser quebrado.Felizmente, o material é muito interessante e isso não tem sido um problema”, conta Klering. Uma mudança de postura tanto de professores quanto de alunos foi necessária com a TV on-line: “Temos a responsabilidade de produzir esse material, o que é muito interessante, pois os professores estão bem mais acostumados a falar apenas para pequenas platéias com um giz na mão”, conta o professor. “O aluno que terá acesso ao material precisa acostumar-se a ouvir atentamente, já que ver uma defesa de tese na TV é bem diferente de ler o trabalho”.

“O fato de estar aberto e acessível on-line também permite que outras universidades desfrutem do serviço. Temos acessos até de pesquisadores no exterior interessados nos trabalhos da EATw”, complementa o professor. “Atualmente temos mais de 800 horas de acervo disponíveis para serem vistas no site e isso porque o projeto ainda é bastante pequeno e ainda deve ser reorganizado para atingir um público cada vez mais específico de Administração”, conta o professor.

Mesmo como parte da Escola de Administração, a EATw deu tão certo que passou a ser utilizada por outras faculdades. “Emprestamos o material de produção para outras unidades e atualmente cerca de 15 a 17 equipes utilizam o serviço, realizando a transmissão de forma independente”, detalha o professor. Outras instituições de ensino superior, como a FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas de São Paulo), têm parceria com EATw para digitalização de programas.

A facilidade em fazer as parcerias é devida à estrutura do projeto. “Utilizamos apenas um pequeno kit de transmissão móvel, uma maleta com laptop e webcam para fazer as gravações, optamos por algo barato e simples, bem diferente das caríssimas salas de videoconferência que estariam fora do nosso alcance”, explica o professor. “O que a gente consegue fazer com esse kit, que custa menos de R$ 10 mil, pode chegar a centenas de internautas e ser uma ótima alternativa de democratização do acesso ao aprendizado. O vídeo para a educação é um recurso muito pouco explorado e deveria estar disponível para toda a sociedade brasileira”.

Fonte: Universia
http://www.universiabrasil.net/ead/materia.jsp?id=6456