
A Escola de Administração da UFRGS, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA), divulga o relatório final do segundo mapeamento da diáspora científica brasileira em Portugal. A pesquisa foi realizada no âmbito do Programa Diplomacia da Inovação, coordenado pela Embaixada do Brasil em Lisboa e executada por equipe binacional de pesquisadores. A UFRGS liderou os trabalhos por meio da professora Andrea Oltramari (PPGA/ISEG Research – Universidade de Lisboa), com atuação da bolsista de Iniciação Científica Mariana Casarotto Martins (Curso de Relações Internacionais – UFRGS).
O estudo, realizado entre janeiro de 2024 e junho de 2025, contou com 385 respondentes brasileiros residentes em Portugal e envolveu a aplicação de três inquéritos e a realização de cinco grupos focais em quatro cidades. A pesquisa integra o Observatório da Diáspora Científica Brasileira da UFRGS e o Observatório da Emigração Brasileira (NEPO/Unicamp/CNPq).
Principais resultados
Entre os principais resultados, O relatório mostra que mais de 80% da amostra reside em Portugal há menos de 10 anos, com forte concentração nas cidades de Lisboa, Porto, Braga e Coimbra. A maior parte dos participantes é do sexo feminino (70%) e tem entre 30 e 44 anos. Em termos de escolaridade, 75% possuem mestrado, doutorado ou pós-doutorado, sendo as áreas com maior presença ciências da saúde, administração e ciências humanas.
Apesar do alto grau de qualificação, 42% dos participantes trabalham fora de sua área de formação, revelando desafios como a não revalidação de diplomas (56% dos casos), a informalidade no mercado de trabalho e a precarização das condições laborais. A pesquisa também revela que a revalidação de diplomas eleva significativamente as chances de atuação na área de formação.
Os grupos focais revelaram obstáculos enfrentados pelos migrantes, como barreiras burocráticas, dificuldade de acesso à moradia e serviços, e experiências de preconceito. Ao mesmo tempo, destacaram aspectos positivos como o ambiente de pesquisa colaborativo, segurança pública e qualidade de vida em Portugal. Como proposta, o relatório sugere a criação de redes formais de apoio à diáspora científica, a ampliação de políticas públicas voltadas à migração qualificada e a valorização do retorno da inovação ao Brasil.
📄 O relatório completo pode ser acessado AQUI.

