O problema das máscaras descartáveis

Resíduos de serviços de saúde são todos aqueles gerados em espaços de saúde, desde clínicas médicas, odontológicas e veterinárias, até laboratórios de ensino e pesquisa. A RDC ANVISA 222/2018 e a Resolução CONAMA 358/2005 classificam esses resíduos em cinco grupos, sendo
incluídos no grupo A todos os resíduos potencialmente infectantes. A geração de resíduos infectantes (RSS do Grupo A) se tornou ainda mais expressiva durante a crise sanitária causada pelo novo coronavírus, especialmente pelo aumento da geração doméstica desses resíduos.
A COVID-19 é uma doença viral e infecciosa que gerou mudanças comportamentais drásticas nos espaços de saúde e na população em geral no que tange o uso de equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas descartáveis. Apesar do uso de máscaras de tecido ter sido adotado por parte da população, as máscara descartáveis ainda são amplamente usadas pelos profissionais da saúde, assim como as luvas de látex. Esses materiais são considerados resíduos perigosos, por serem possíveis transmissores da covid-19 e de outras doenças. Assim, seu gerenciamento deve ser feito de forma cuidadosa e responsável.
Há na literatura científica muitos estudos sobre os impactos ambientais do destino incorreto de resíduos de serviços de saúde do grupo A (infectantes), também chamados popularmente de lixo hospitalar. Não é surpresa, pois, que o aumento no uso e, consequentemente, no descarte de máscaras descartáveis está gerando maiores impactos ambientais e de saúde pública. Muitos países não possuem um gerenciamento adequado desse resíduo e esses materiais acabam
sendo descartados no solo, nos rios, no oceano e nas praias. Mesmo países onde há o gerenciamento desses resíduos por parte do poder público, como é o caso do Brasil, observamos realidades drasticamente distintas entre as diferentes regiões brasileiras. Essa triste realidade já
foi matéria jornalística em diversos locais do mundo.
Links: https://www.bbc.com/news/world-asia-49562462
https://www.bbc.com/news/world-europe-52807526
E o que podemos fazer neste cenário? Considerando a possível contaminação das máscaras (descartáveis ou não), é preciso atentar para as recomendações dos órgãos governamentais de saúde: evite tocar a frente das máscaras; procure retirá-las tocando apenas nas suas laterais; descarte as máscaras no lixo comum que vai para aterro (como o lixo do banheiro por exemplo) e procure usar máscaras de tecido ou reutilizáveis sempre que possível. O novo coronavírus tem uma vida curta fora do corpo humano, de modo que a probabilidade de impacto ambiental do vírus é baixa. Por outro lado, o risco à saúde humana é alto, de modo que as máscaras não devem ser descartadas com o lixo reciclável ou descartadas diretamente na rua ou no solo. Portanto, nossa maior ajuda individual seria evitar materiais descartáveis sempre que possível, por[em, não sendo possível, devemos sempre atentar para a manipulação e o descarte correto desses resíduos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *