Economia Circular

Na minha infância, aos sábados à tarde, passava na TV o “Programa do Chacrinha”, uma espécie de programa de entretenimento, no qual o apresentador, muito famoso, dizia um bordão mais ou menos assim: “Na televisão nada se cria, tudo se copia” (para conhecer mais sobre essa figuraça da TV brasileira sugiro assistir ao filme de 2017,  CHACRINHA – O VELHO GUERREIRO Trailer – Filme sobre a vida de José Abelardo Barbosa). Tempos depois, descobri, na escola, que nem mesmo o bordão era original e sim uma corruptela da tese do cientista francês Lavoisier sobre a Lei da Conservação das Massas (“ Na natureza nada se cria, tudo se transforma”). Pensando nessas duas figuras, tenho uma pergunta para você:

 E se eles tiverem razão e esse modo louco da gente de pensar os recursos e a produção industrial como um modelo linear (hello Henry Ford!!) estiver errado? Pois então, senta aí e vamos conversar sobre Economia Circular.
E se os produtos de hoje se tornassem os recursos de amanhã? Essa é a pergunta que a Economia Circular procura responder. A Economia Circular é um conceito estratégico, baseado na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e de fluxos de energia. Esse conceito surgiu com a velejadora Ellen MacArthur; durante um dos seus desafios no mar. A britânica percorreu mais de 50 mil quilômetros, durante 3 meses, para realizar uma viagem marítima em torno do globo. Além de lhe trazer o recorde mundial de circum-navegação mais rápida, a aventura também proporcionou um novo olhar sobre os recursos do planeta: se não utilizados de maneira inteligente, vão se esgotar (Para saber mais sobre essa aventura assista: Algo surpreendente que aprendi navegando sozinha ao redor do mundo

O resultado desses pensamentos deu origem à Fundação Ellen MacArthur, que nasceu com a missão de acelerar a transição do planeta rumo à uma Economia Circular, inserindo-a na agenda de tomadores de decisão de empresas e governos.

Imagine a lâmpada que oferece luz na sua casa: ela passa por um processo de produção, depois de uso e, por fim, é descartada em um aterro sanitário, seguindo a lógica da Economia Linear. A proposta do novo modelo de Economia Circular é a de que essa lâmpada retorne ao seu produtor e que seja reaproveitada de alguma maneira, evitando assim a geração de resíduos. Na Economia Circular, o ciclo de atividade permite a preservação dos recursos naturais, já que tem como base a restauração do capital natural e social, garantindo a sobrevivência dos negócios. A Economia Circular é a ciência que repensa as práticas econômicas, indo além daqueles famosos três “R”s – reduzir, reutilizar e reciclar – pois ela une, pelo menos na teoria, o modelo sustentável com o intenso ritmo tecnológico e comercial do mundo moderno, que não pode ser ignorado.

Você já parou para pensar em como funciona a inteligência do planeta? Esse grande organismo vivo se gere e autorregula em um processo cíclico. A energia é provida pelo Sol em abundância e todo o ”lixo” de uma espécie é alimento de outra. Tudo nasce para depois morrer e se transformar em energia para o ambiente novamente. O ciclo funciona em harmonia – ou deveria. 

A Economia Circular é um conceito baseado na inteligência da natureza e que se opõe ao processo produtivo linear, possibilitando que os resíduos sejam encarados como insumos (ou co-produtos) para a produção de novos produtos. No meio ambiente, restos de frutas consumidas por animais se decompõem e viram adubo para plantas. Esse conceito
também é chamado de “cradle to cradle” (do berço ao berço), onde não existe a ideia de resíduo, e tudo serve continuamente de nutriente para um novo ciclo.
Então, qual o nosso papel nesse ciclo? Podemos rever os nossos padrões de consumo e contribuir com um mundo muito mais circular!

Por Andrea Loguercio

Setembro de 2020

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