Oi querida, tem um minuto?


Você tá lá super compenetrada no seu home-office, falando sobre as metas do semestre e tentando demonstrar como, no meio dessa pandemia, consegue dar conta de tudo, quando abre o seu microfone na reunião e ao invés do discurso elaborado que tu ias lindamente discorrer, se ouve um grito: “Mãe, já terminei o cocô! Vem me limpar!!”. Toda a sala em silêncio do outro lado da tela, teu sorriso amarelo, “crianças! hahaha”. Educamente tu fala com a voz mais doce do mundo:” Já vou querido, só um pouquinho, mamãe está ocupada agora”, e o mais velho dos filhos, do outro lado completa: “Vem agora!!! Senão ele vai sentar c… no sofá e vai manchar tudo”. Não tem jeito, quarentena com filhos é tudo igual, só o muda o CEP.

Muitas de nós, crescemos dizendo que nossa vida ia ser diferente das nossas måes e avós, fomos estudar, fizemos faculdade, pós-graduação, conseguimos aquela vaga bacana, somos respeitadas no meio profissional e vínhamos encaixando nossa vida naquele equilíbrio perfeito entre trabalho, filhos, um tempo para as amigas, saídas com o namorado ou marido, organizar as rotinas de casa, como aquele brinquedo de caixas empilháveis. A gente ia, aos trancos e barrancos _ com algumas cenas de choro, reclamação do marido que acha que “pode ajudar no sábado_ mas estávamos levando. Eis que março chegou, trazendo não as águas cantadas pelo Tom e Elis (escuta aqui, é ótima e vai te acalmar: Elis Regina & Tom Jobim –  “Águas de Março” – 1974 ), mas a COVID, a quarentena (que a essas alturas em setembro já tô chamando de infinitena) e nosso tão estimado equilíbrio fino, desmoronou. As caixas estão todas misturadas, é o dia inteiro entre reuniões na videoconferência (Com as dicas da TV ou Internet: Olha só, não vale passar o dia de pijama, faz uma maquiagem básica, dá um jeito no cabelo), um tal de encomendar as compras (porque sem ninguém para ficar com os pequenos você passou a fazer supermercado on line), lava o tubo de detergente com detergente e álcool gel, aprende a fazer pão e comidas saudáveis (Olha a Rita Lobo aí gente! Fique em Casa ), sem falar nos temas do mais velho, nas tarefas da pré-escola com o pequeno, com a limpeza da casa, tira lixo, limpa tudo, lava roupa, seca louça, faz ginástica em casa, arruma tempo para fazer “live” com os amigos, liga para a mãe e para a madrinha para saber se tá tudo bem, se precisa que leve algo; e assim a vida gira e tu, minha amiga já nem dorme pensando nas infinitas listas de coisas para fazer. 

Fala seerio! Nós estamos todas exaustas, porque lá atrás  enfiamos na cabeça que dava para ser nota 1000 em tudo, que a vida perfeita da mulher perfeita era algo atingível, que a Tv , as revistas, as redes sociais mostravam algo que é real, só que não é verdade. isso não existe, a gente tá acumulando culpas e frustrações. Mas esse texto não é para te fazer se sentir pior, é só para dizer: pega leve com essa mulher aí, vamos fazendo o nosso possível, vamos estender as mãos umas para as outras, vamos julgar menos, vamos nos apoiar mais e se hoje a pia vai amanhecer com louça suja, tudo bem ninguém morre por isso não. Respira fundo, faz uma xícara de chea (ou pega uma taça de vinho), liga uma playlist legal (eu amo essa aqui no Spotify: https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DWUH2AzNQzWua?si=QRD9Lk_PScmwxEDCkB19Ig).

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