Quer saber como é a pesquisa que está sendo liderada pela Universidade Federal de Pelotas sobre a COVID-19 na população brasileira? Veja esse protocolo publicado para a população gaúcha.

Estimar o percentual de infectados na população em geral é especialmente relevante no caso da COVID-19 pelo fato de que se estima que mais de 60% das pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 apresentem sintomas leves ou até nenhum sintoma, mas podem transmitir a doença.

No âmbito deste projeto, serão realizados inquéritos sorológicos repetidos de base populacional em nove municípios sentinela gaúchos, com delineamento baseado em recomendações da OMS.

Em cada município sentinela, 50 setores censitários serão selecionados e, em cada setor, 10 domicílios serão amostrados. Em cada domicílio, todos os moradores serão enumerados pelo entrevistador, que anotará sexo e idade de cada, e um deles será sorteado para avaliação da presença de anticorpos contra o SARS-CoV-2. A cada novo inquérito, a amostragem incluirá os mesmos setores censitários, mas domicílios diferentes daqueles incluídos nos inquéritos anteriores.

A detecção da COVID-19 será feita utilizando-se um teste imunocromatográfico (teste rápido) para a detecção de anticorpos IgG/IgM contra SARS-CoV-2 por punção digital. O estudo de validação apresentado pelo fabricante incluiu 596 participantes e identificou uma sensibilidade de 86,4% e especificidade de 99,6%. A equipe da pesquisa está realizando estudo de validação na população gaúcha, com pessoas que já haviam realizado o teste de PCR. Embora a coleta de dados ainda esteja em andamento, os resultados preliminares sugerem uma sensibilidade acima de 70% e uma especificidade acima de 95%.

Além da testagem para COVID-19, serão coletadas as seguintes informações sobre os participantes: sexo, idade, escolaridade do respondente, escolaridade da pessoa com maior grau de instrução no domicílio, cor da pele autorreferida, sintomas potencialmente relacionados à COVID-19 (tosse, febre, palpitações, dor de garganta, dificuldade para respirar, alterações no paladar e olfato, vômito e diarreia) nos 15 dias anteriores à entrevista, diagnóstico médico prévio de doenças relacionadas ao prognóstico da COVID-19 (hipertensão arterial, diabetes, asma, câncer, doença renal, doenças cardíacas), utilização de serviços de saúde nas duas semanas anteriores à entrevista e adoção total, moderada, leve ou não adoção das medidas de distanciamento social.

Os resultados serão estratificados por sexo, idade, cor da pele, escolaridade do indivíduo, maior escolaridade entre os moradores do domicílio, número de moradores e número de idosos no domicílio. Serão analisados os sintomas mais apresentados por indivíduos positivos e negativos, assim como a prevalência de positivos entre indivíduos que apresentaram cada tipo de sintoma. Também será calculada a proporção de infecções assintomáticas.

Os resultados do estudo serão comparados com dados sobre casos notificados, hospitalizações e óbitos nos nove municípios, a fim de estimar letalidade e subnotificação.

Os resultados irão servir para fornecer dados mais precisos sobre a COVID-19, traçar estratégias para o combate da pandemia e basear ações e programas de prevenção.

FONTE: Evolução da prevalência de infecção por COVID-19 no Rio Grande do Sul: inquéritos sorológicos seriados. P. C. Hallal et al. Ciênc. saúde coletiva vol.25 supl.1 05 Junho 2020. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232020256.1.09632020.