Resultados falso-positivos para anticorpos em testes rápidos podem ser devidos à reação cruzada com outros coronavírus.

A vigilância epidemiológica baseada em detecção de anticorpos iniciou em vários países, mas existe a possibilidade de resultados falso-positivos devido à reação cruzada entre anticorpos contra o SARS-CoV-2 e outros coronavírus causadores de gripe comum.

Os autores realizaram o teste rápido com um kit comercial para IgM e IgG contra o SARS-CoV-2 em amostras de soro de 24 pacientes confirmados para COVID-19, sete pacientes com pneumonia causada por outros coronavírus e oito pacientes com pneumonia causada por outros vírus. Todos os pacientes tinham febre e opacidades na tomografia computadorizada de pulmão.

Como resultado, todos os pacientes confirmados com COVID-19 tiveram resultado positivo no teste rápido de IgM e IgG, em média 12 dias após o início da doença. Por outro lado, quatro dos sete pacientes com pneumonia causada por outros coronavírus tiveram IgG positivo contra o SARS-CoV-2 e seis foram negativos para IgM (houve um paciente positivo para IgM contra o SARS-CoV-2). Dos oito pacientes com pneumonia causada por outros vírus, dois foram positivos para IgG e um foi positivo para IgM contra o SARS-CoV-2. É possível que esses pacientes já tivessem tido contato com coronavírus causadores de gripe comum.

Por causa da identidade de sequência entre os coronavírus causadores de gripe comum em humanos (HKU1, OC43, NL63, 229E) e o SARS-CoV-2, a antigenicidade cruzada deve ser considerada. Estudos recentes sugerem que há reconhecimento cruzado de células T entre coronavírus comuns e o SARS-CoV-2. A prevalência de infecção por SARS-CoV-2 pode ser superestimada quando os testes rápidos são usados para investigação epidemiológica.

FONTE: High incidence of false-positive results of IgG antibody against SARS-CoV-2 with rapid immunochromatographic antibody test due to human common cold coronavirus infection. Shun Shibata, Takashi Ishiguro, Yasuhito Kobayashi, Mayumi Koike, Tsuyoshi Numano, Yoshihiko Shimizu, Noboru Takayanagi. Respiratory Medicine Case Reports Volume 31, 2020, 101180 https://doi.org/10.1016/j.rmcr.2020.101180

Será que o teste do RT-PCR é eficaz para detectar infecção em indivíduos assintomáticos?

Um artigo recém-disponibilizado na plataforma de preprints medRxiv (ainda não avaliado para publicação em revista científica) comparou a carga viral (quantidade de partículas virais) em pessoas com e sem sintomas. Ainda é pouco conhecida a relação entre a carga viral, a severidade da COVID-19 e o risco de transmissão.

Os autores empregaram a definição operacional de carga viral, baseada na quantidade de RNA viral detectada na amostra do paciente por qRT-PCR. Em contraste com o que ocorre na influenza, onde os indivíduos assintomáticos apresentam de 10 a 100 vezes menos carga viral do que indivíduos sintomáticos, vários estudos com o SARS-CoV-2 têm reportado que os níveis de RNA em indivíduos infectados assintomáticos são semelhantes aos indivíduos sintomáticos.

Foram realizados testes de qRT-PCR em suabes de nasofaringe de 32.480 pessoas, entre residentes e funcionários de instituições de assistência em Massachusetts, EUA. 2654 residentes (15,5%) e 624 funcionários (4,1%) testaram positivo para o SARS-CoV-2. Entre os residentes, 78,6% não apresentavam sintomas quando o teste foi feito. Um percentual similar de não sintomáticos (78,1%) foi encontrado entre os funcionários. Os autores utilizaram a denominação não sintomáticos porque não conseguiram diferenciar indivíduos verdadeiramente assintomáticos dos pré-sintomáticos (que irão apresentar sintomas em algum momento).

A carga viral encontrada foi similar entre indivíduos sintomáticos e não sintomáticos. Esse resultado sugere que o teste do qRT-PCR seja eficaz para a detecção de novas infecções em indivíduos que não apresentem sintomas quando da coleta de amostra para a realização do teste. Os autores concluem que isso reforça a confiança na viabilidade técnica de identificação de indivíduos infectados assintomáticos pelo teste do qRT-PCR.

FONTE: Comparison of viral levels in individuals with or without symptoms at time of COVID-19 testing among 32,480 residents and staff of nursing homes and assisted living facilities in Massachusetts. Niall J. Lennon, Roby P. Bhattacharyya , Michael J. Mina, Heidi L. Rehm, Deborah T. Hung, Sandra Smole, Ann Woolley, Eric S. Lander and Stacey B. Gabriel. medRxiv preprint doi: https://doi.org/10.1101/2020.07.20.20157792 26 de julho de 2020.

Ciência e tecnologia em épocas de COVID-19.

Tudo indica que o século XXI terá de renascer após a pandemia. Apesar dos imensos avanços da Ciência e da Tecnologia (C&T), a humanidade foi surpreendida por eventos há muito anunciados, mas nunca levados suficientemente a sério por autoridades de países desenvolvidos e emergentes.

Ao não valorizar devidamente a C&T, que sofre constantes cortes de verbas e não é efetivamente tomada como prioridade, o Brasil fragilizará ainda mais o seu sistema de inovação. Um paradoxo flagrante, dada a intensa atividade de milhares de pesquisadores que transformaram as universidades em epicentros da busca acelerada de soluções para a Covid-19.

No Brasil, a pesquisa científica projetou-se como uma das primeiras no mundo a sequenciar o genoma do vírus e a replicá-lo em laboratório, o que permitiu a realização de testes em todo o país. Redes de pesquisa foram criadas. As Universidades, públicas e privadas, se mobilizaram. Para além da assistência, instituições hospitalares agiram em parceria com instituições públicas para a realização de testes e pesquisa. Institutos nacionais, estaduais e municipais se concentraram na busca de novos medicamentos.

Desse ponto de vista, a mobilização nacional continua ampla e solidária, similar à ocorrida em grande parte dos países assolados pela Covid-19. Apesar de todas as fragilidades, a resposta dos pesquisadores brasileiros mostrou-se mais do que relevante.

Agências de fomento anunciaram programas e editais de apoio à busca de soluções para a Covid-19. Porém, dados divulgados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indicam que as principais agências anunciaram editais que, em seu conjunto, mostram-se excessivamente tímidos quando comparados ao investimento de emergência decidido em outros países.

O Brasil tem condições de reforçar seu lugar no mundo da C&T. Mas é preciso foco, financiamento e definição de prioridades. As crises passam, por mais dolorosas que sejam. Mas as instituições podem permanecer e indicar caminhos sólidos para uma inflexão na Universidade e na pesquisa brasileira.

FONTE: Ciência e Tecnologia em um mundo de ponta-cabeça. GLAUCO ARBIX Estud. av. vol.34 no.99 São Paulo May/Aug. 2020  Epub July 10, 2020. https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2020.3499.005

Pesquisadores brasileiros publicaram estimativa de subnotificação de COVID-19 no Brasil.

O número de casos confirmados de COVID-19 é o dado mais importante para que se possa compreender a evolução dessa doença. Contudo, a rápida disseminação da pandemia e o pequeno número de testes realizados tornam difícil estimar o número real de casos e provocam subnotificação em diferentes países.

Neste trabalho, os pesquisadores estimaram que o número real de casos no Brasil foi cerca de 11 vezes maior do que o informado no período avaliado. Igualmente, ocorreu grande variabilidade na taxa de notificação de casos de COVID-19 entre os estados. A diferença entre a taxa mais alta (31,7% em Roraima) e a mais baixa (3,4% na Paraíba) sugere que estão em vigência políticas distintas para a realização de testes e notificação. Entretanto, foi observado que todos os estados apresentavam altos níveis de subnotificação, o que é uma preocupação para aqueles responsáveis por tomar decisões, já que esses dados podem levar a análises equivocadas sobre o controle da doença e medidas de isolamento.

A subnotificação observada no Brasil pode estar relacionada a alguns fatores, como dificuldades operacionais para realização de testes na população, o que leva a um aumento da demora entre a realização e os resultados dos exames, falta de novos exames e as orientações para só realizar testes em casos mais graves.

FONTE: Analysis of COVID-19 under-reporting in Brazil. Marcelo Freitas do Prado, Bianca Brandão de Paula Antunes, Leonardo Dos Santos Lourenço Bastos, Igor Tona Peres, Amanda de Araújo Batista da Silva, Leila Figueiredo Dantas, Fernanda Araújo Baião, Paula Maçaira, Silvio Hamacher, Fernando Augusto Bozza. Rev Bras Ter Intensiva. 2020 Jun;32(2):224-228. doi: 10.5935/0103-507x.20200030.

QUEDA DAS NOTIFICAÇÕES DE DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA: SUBNOTIFICAÇÃO OU MENOR PROCURA DA POPULAÇÃO?

Contribuição de Júlia dos Santos Barcellos (Biomédica formada pela UniRitter)

Com o aumento de casos de pessoas contaminadas com o novo coronavírus SARS-CoV-2, o número de casos de outras doenças infecciosas, como a dengue, zika e chikungunya a partir da SE (Semana Epidemiológica) 12 tem apresentado uma queda brusca, de acordo com Boletim epidemiológico apresentado pelo Ministério da Saúde. Isso levantou a dúvida se era possível que a pandemia atual estivesse influenciando nestes casos de alguma maneira ou poderia estar havendo subnotificação dessas doenças.

Um estudo realizado no Piauí analisou que as ocorrências de dengue estavam próximas do padrão ocorrido nos anos anteriores na SE 10, porém a partir do período em que começaram os primeiros registros de casos confirmados de COVID-19 no estado na SE 12, houve uma diminuição  das notificações de dengue.

Já o estado do Alagoas, de acordo com os dados do Boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, registrou 1.216 casos prováveis de dengue, 58 de zika e 33 de chikungunya, todos os números de casos apresentados neste ano sendo inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado. No estado da Paraíba, de acordo com o mesmo boletim, foram registrados 2.851 casos prováveis de dengue, uma queda de 79,57% comparado aos números registrados no último ano. Com relação ao chikungunya, foram notificados 310 casos prováveis, enquanto em 2019 houve 1.018 casos, e foram notificados 24 casos prováveis de zika, representando um decréscimo de quase 93% em comparação ao último ano, com 312 casos.

No Rio de Janeiro, foram registrados 3.261 casos prováveis de chikungunya nos últimos 5 meses, contra mais de 76 mil no mesmo período do ano passado. A dengue conta com quase 4 mil casos, enquanto no mesmo período em 2019 foi mais de 30 mil; a zika com 102 casos, contra 1500.

O boletim epidemiológico da Semana 23 de 2020 informou a diminuição dos casos prováveis em relação ao ano de 2019. O Ministério da Saúde argumenta que esta redução pode ser atribuída à mobilização que as equipes de vigilância epidemiológica estaduais estão realizando diante do enfrentamento da emergência da pandemia do coronavírus (Covid-19), após a confirmação dos primeiros casos no Brasil em março de 2020, ocasionando em um atraso ou subnotificação para os casos das arboviroses.

Claramente, essas subnotificações são um dos sinais do impacto que a pandemia tem no Sistema Único de Saúde. Esse impacto tende a ser maior em estados com condições mais precárias. Essas subnotificações podem em parte estar associadas à orientação da população a não procurar serviços de saúde a menos que esteja com sintomas sérios, assim como o desvio de recursos para a atenção à pandemia do COVID-19. Faz-se necessário a sensibilização dos profissionais para a suspeição e notificação, além de pesquisas relacionadas ao assunto e treinamento adequado dos profissionais da saúde, em função dos sistemas de saúde mostrarem desconhecimento a respeito dos efeitos da coinfecção em um mesmo indivíduo, o que pode resultar em diagnósticos errôneos e mal acompanhamento do paciente.

CUIDEM-SE, LAVEM AS MÃOS, FAÇAM DISTANCIAMENTO SOCIAL, PORÉM NÃO PODEMOS ESQUECER DE OUTRAS DOENÇAS E SEUS CUIDADOS!

Fonte: Mascarenhas, Márcio Dênis Medeiros, Batista, Francisca Miriane de Araújo, Rodrigues, Malvina Thais Pacheco, Barbosa, Ocimar de Alencar Alves, & Barros, Veruska Cavalcanti. (2020). Ocorrência simultânea de COVID-19 e dengue: o que os dados revelam?. Cadernos de Saúde Pública, 36(6), e00126520. Epub June 17, 2020.https://dx.doi.org/10.1590/0102-311×00126520

MINISTÉRIO DA SAÚDE. 2020. Disponível em: <https://www.saude.gov.br/boletins-epidemiologicos>. Acesso em: 7 de jul. de 2020.

Pesquisadores brasileiros concluem que a hidroxicloroquina não melhora o estado clínico de pacientes com COVID-19 leve a moderada.

O trabalho foi publicado por pesquisadores participantes da Coalisão COVID-19 Brasil, uma parceria entre diversos hospitais brasileiros e a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), junto com o Ministério da Saúde. A Coalisão realiza pesquisas para avaliar a eficácia e segurança de medicamentos para pacientes com infecção pelo novo coronavírus.

Foi realizado um estudo clínico randomizado para avaliar se a hidroxicloroquina, seja sozinha ou em combinação com azitromicina, seria eficaz para a melhoria do estado clínico de pacientes com COVID-19 leve ou moderada, admitidos nos 55 hospitais participantes. O estado clínico dos pacientes foi avaliado 15 dias após a entrada no hospital. O estudo foi monitorado por um comitê internacional independente.

Foram avaliados 667 pacientes, divididos em três grupos: grupo 1 recebeu o tratamento padrão (controle), grupo 2 recebeu o tratamento padrão mais hidroxicloroquina e grupo 3 recebeu o tratamento padrão mais hidroxicloroquina e azitromicina.  

Neste trabalho, o uso de hidroxicloroquina, em conjunto com azitromicina ou sozinha, não resultou em melhora clínica para os pacientes durante o tempo de acompanhamento do estudo (15 dias). Mais efeitos adversos (prolongamento do intervalo QT e aumento nos níveis de enzimas hepáticas) foram encontrados em pacientes dos grupos que receberam hidroxicloroquina e azitromicina (grupo 3) ou apenas hidroxicloroquina (grupo 2), quando comparado com o grupo controle (grupo 1). Efeitos adversos sérios ocorreram em nove pacientes.

Veja o artigo original aqui.

FONTE: Hydroxychloroquine with or without Azithromycin in Mild-to-Moderate Covid-19. Alexandre B. Cavalcanti, M.D., Ph.D., Fernando G. Zampieri, M.D., Ph.D., Regis G. Rosa, M.D., Ph.D., Luciano C.P. Azevedo, M.D., Ph.D., Viviane C. Veiga, M.D., Ph.D., Alvaro Avezum, M.D., Ph.D., Lucas P. Damiani, M.Sc., Aline Marcadenti, Ph.D., Letícia Kawano-Dourado, M.D., Ph.D., Thiago Lisboa, M.D., Ph.D., Debora L. M. Junqueira, M.D., Pedro G.M. de Barros e Silva, M.D., Ph.D., et al., for the Coalition Covid-19 Brazil I Investigators. The New England Journal of Medicine. 23 de julho de 2020 DOI: 10.1056/NEJMoa2019014

Cloroquina e hidroxicloroquina impedem mesmo o coronavírus de entrar nas células do trato respiratório?


Contribuição do Dr. Ng Haig They, professor adjunto da UFRGS.

Poucos medicamentos geraram tanta polêmica quanto a que temos visto recentemente com os antimaláricos cloroquina e hidroxicloroquina. Apesar de toda a politização, pouco ou quase nada tem sido falado a respeito dos mecanismos de ação destes compostos, conhecimento que é crucial quando se considera um possível reposicionamento destes fármacos como antivirais. Será que existe plausibilidade de mecanismo para considerar que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem ser usadas para tratar a covid-19?

            Antes um pouco de contexto: vírus envelopados necessitam fundir seu envelope viral à membrana da célula hospedeira. Enquanto alguns vírus, tais como o HIV, conseguem se fusionar diretamente à membrana plasmática, a maioria dos vírus envelopados, tais como o SARS-CoV-2, entra na célula por endocitose, processo que origina uma organela intracelular chamada de endossomo. Para evitar que sejam destruídos, os vírus devem utilizar mecanismos para impedir o curso natural de transformação do endossomo em lisossomo, que é uma organela de digestão. Logrando êxito, os vírus conseguem se fundir à membrana do endossomo, sendo liberados no citoplasma para, finalmente, poderem se replicar.  Estes mecanismos podem incluir alterações no pH, no potencial redox e na atividade proteolítica. É exatamente aqui que a cloroquina e a hidroxicloroquina atuam: elas elevam o pH endossomal, impedindo a fusão do vírus com a membrana do endossomo e, portanto, sua replicação.

            No entanto, a questão não é tão simples, pois o SARS-CoV-2 utiliza dois mecanismos para entrar nas células: pH dependente e pH independente. Em algumas células, a proteína do espinho viral (proteína S), utilizada pelo vírus para entrar na célula, é ativada pela catL (cisteína protease catepsina L), que é dependente de baixo pH endossomal. No entanto, células do epitélio respiratório humano possuem baixos níveis de catL e então a entrada do vírus é independente de pH, mas dependente da enzima TMPRSS2 (uma serina protease de membrana).

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Curioso para saber quais os ambientes em que há mais relatos de transmissão de COVID-19?

Pesquisadores britânicos publicaram um artigo no qual juntaram informações da literatura sobre casos de COVID-19 para determinar o tipo de ambiente no qual a transmissão do SARS-CoV-2 é mais frequente, com ocorrência de grupos de indivíduos com a doença. Essa análise pode auxiliar na elaboração de estratégias pós-lockdown (isolamento completo), já que identifica locais que devem ser mantidos em vigilância e/ou podem permanecer fechados para evitar um reaparecimento da transmissão.

Foram encontradas evidências de transmissão do vírus em 201 eventos, que foram classificados em 22 tipos de ambiente, definidos em relação às suas características. Por exemplo, “religioso” incluiu igrejas e mesquitas, enquanto “público” incluiu mercados e centros comerciais. A maioria dos casos foram reportados em ambientes fechados.

Quase todos os grupos envolveram menos do que 100 casos de COVID-19, com exceção de hospitais, casas geriátricas, dormitórios de trabalhadores, indústrias de alimentos, prisões, escolas e locais de compras. Os ambientes religiosos também tiveram grande número de casos. Ambientes que apresentaram entre 50 e 100 casos foram: academias de ginástica, bares, festas de casamento, locais trabalho e conferências.

Deveria haver melhor monitoramento na maioria dos ambientes avaliados, com implementação de relatos sistemáticos do número de indivíduos potencialmente expostos e do número de casos confirmados/suspeitos.

Os resultados fornecem uma base para identificação de possíveis locais correlacionados com grupos de casos de COVID-19. Esses locais poderiam ser monitorados mais detalhadamente, por exemplo, com rastreamento dos contatos por meio de um app, ou poderiam permanecer fechados quando da remoção progressiva das restrições do lockdown.

FONTE: What settings have been linked to SARS-CoV-2 transmission clusters? Quentin J. Leclerc, Naomi M. Fuller, Lisa E. Knight, CMMID COVID-19 Working Group, Sebastian Funk, Gwenan M. Knight. Wellcome Open Research 2020,5:83 Last updated: 15 JUL 2020.https://doi.org/10.12688/wellcomeopenres.15889.2

O que ainda não sabemos sobre a COVID-19?

Continuando o tema do nosso post de ontem (21/07/2020), listamos agora o que ainda precisamos aprender sobre o novo coronavírus e a doença que ele causa. Os dois posts têm como fonte uma matéria publicada na ScienceNews.

Seis meses é um tempo muito curto para termos aprendido tanto quando aprendemos sobre esse vírus. Mas ainda existe muito o que aprender. Algumas perguntas simplesmente precisam de tempo para serem respondidas.

Por exemplo, ainda não é claro por que o novo vírus é tão mais contagioso do que a SARS ou a MERS, que infectaram menos do que 10 mil pessoas. Também não é conhecida a frequência de disseminação do vírus por pessoas assintomáticas.

Alguns cientistas continuam a estudar como o vírus entra e sai das células e quais tipos de células ele pode infectar. Outros procuram o animal a partir do qual o vírus pulou para os seres humanos, o que pode ajudar na compreensão de como esse pulo aconteceu e guiar políticas para monitoramento desses animais.

Em termos da doença propriamente, os pesquisadores ainda não sabem a quantas partículas virais uma pessoa tem que ser exposta para ficar doente e por que algumas pessoas ficam gravemente doentes enquanto outras não.

Alguns pacientes podem ter problemas de saúde após a sua recuperação, mesmo tendo tido apenas sintomas leves. As pessoas que se recuperam aparentemente desenvolvem anticorpos capazes de protegê-las contra uma nova infecção, mas apenas o tempo dirá a duração dessa proteção. Respostas para essas e outras questões são cruciais para o planejamento da reabertura de comércio e escolas.

Uma coisa que os cientistas sabem é que o coronavírus não irá embora tão cedo, se é que irá. A imunidade de rebanho só acontecerá quando dois terços da população estiver imune, seja por terem sido infectados ou por uma vacina. Ambos estão longe de acontecer no momento, apesar de ser esperado que uma vacina eficaz seja descoberta até o final do ano.

Enquanto nós caminhamos para os próximos seis meses, os pesquisadores irão continuar a aprender novas coisas sobre o vírus o mais rápido possível. Dessa forma, a corrida se tornou uma maratona.

FONTE: Here’s what we’ve learned in six months of COVID-19 — and what we still don’t know. Erin Garcia de Jesus. ScienceNews JUNE 30, 2020. https://www.sciencenews.org/article/coronavirus-covid-19-pandemic-six-months-what-we-know