Pneumonia por COVID-19 com RT-PCR de suabe de nasofaringe negativo.

O padrão ouro para diagnóstico de COVID-19 é o RT-PCR de amostras respiratórias, comumente suabes de nasofaringe. Porém, até hoje nenhum método provou ter perfeita sensibilidade, muitas vezes levando a resultados falso-negativos. Estudos já demonstraram que a sensibilidade do RT-PCR é estimada em 63% para suabes de nasofaringe por causa da baixa excreção do vírus no trato respiratório superior, amostras danificadas ou com coleta inapropriada.  

Os autores relatam o caso de um homem de 47 anos que se apresentou a um hospital com febre. Os sintomas tinham iniciado uma semana antes. Ele apresentava mialgia, astenia e febre de 40ºC, mas negava sintomas respiratórios. O paciente tinha tido contato com um caso confirmado de COVID-19 dez dias antes da hospitalização.

Uma tomografia computadorizada de pulmão demonstrou várias opacidades centrais e periféricas, sugestivas de pneumonia viral. Como estamos no meio da pandemia de COVID-19, foi realizado RT-PCR de suabe de nasofaringe para detecção do SARS-CoV-2, com resultado negativo. O RT-PCR foi repetido dois dias depois, mantendo o resultado negativo.

Foi realizada uma broncoscopia no décimo dia do aparecimento dos sintomas e o RT-PCR foi realizado com o lavado broncoalveolar. Dessa vez o resultado foi positivo para SARS-CoV-2, confirmando o diagnóstico de pneumonia pela COVID-19. Também foram testados outros patógenos respiratórios comuns (vírus respiratórios e bactérias), com resultados negativos.

A hospitalização do paciente foi descomplicada e ele foi liberado com instruções para permanecer em isolamento doméstico. O RT-PCR de suabe de nasofaringe foi repetido nos dias 24 e 29 após o início dos sintomas, permanecendo negativo.

Os autores concluem que quando um médico suspeitar fortemente de infecção relacionada à COVID-19 mas os resultados do RT-PCR forem negativos, é crítico repetir o teste para o SARS-CoV-2, preferencialmente usando amostras como o lavado broncoalveolar.

FONTE: Are two consecutive negative RT-PCRs enough to rule out COVID-19? Rami Waked, Jennifer Makhoul, Gebrael Salib, Nabil Chehata, Sadek Mortada, Antoine Zoghbic, Jacques Choucair, Elie Haddad. New Microbes and New Infections. 27 August 2020, https://doi.org/10.1016/j.nmni.2020.100750.

Pneumonia associada à COVID-19 em paciente HIV-positiva com terapia antirretroviral em Porto Alegre, Brasil.

Ainda existe muito a ser descoberto sobre a COVID-19. Nesse contexto, não apenas os riscos de complicações da COVID-19 em pessoas com HIV permanecem incertos, mas também os potenciais efeitos protetores das drogas antivirais não são conhecidos. Os relatos de coinfecção com HIV e SARS-CoV-2 são incomuns na literatura.  

Uma mulher de 63 anos foi admitida a um hospital de referência em Porto Alegre em maio de 2020. A paciente era diagnosticada com infecção por HIV desde 2005 e recebia terapia antirretroviral. Ao se apresentar ao hospital, a paciente reclamou de febre, mialgia, inapetência, náusea, dor abdominal, diarreia, hiposmia e hipogeusia, além de tosse e dispneia por uma semana.

O exame de raio-X de tórax exibiu opacidades nos dois pulmões. O SARS-CoV-2 foi detectado por RT-PCR de suabe de nasofaringe. Ela teve uma evolução clínica favorável, sem necessidade de UTI ou terapia com oxigênio, sendo liberada em boas condições clínicas sete dias após a hospitalização.

Para a paciente avaliada, a terapia antirretroviral não foi capaz de proteger contra a infecção pelo SARS-CoV-2.

FONTE: COVID-19 pneumonia in an HIV-positive woman on antiretroviral therapy and undetectable viral load in Porto Alegre, Brazil. Murillo Machado Cipolata e Eduardo Sprinzab. The Brazilian Journal of Infectious Diseases 26 August 2020. https://doi.org/10.1016/j.bjid.2020.07.009

Primeiro caso de reinfecção pelo SARS-CoV-2 comprovada pelo sequenciamento de genoma completo do vírus.

Uma das principais questões sobre a COVID-19 é se uma reinfecção verdadeira pode ocorrer. Pesquisadores chineses publicaram um artigo na revista Clinical and Infectious Diseases relatando o caso de um paciente com um segundo episódio de infecção 4 meses e meio após o primeiro episódio. Os pesquisadores sequenciaram o genoma do vírus nos dois episódios e conseguiram comprovar que era um caso de reinfecção e não de excreção prolongada do vírus.

O paciente era um homem de 33 anos que residia em Hong Kong. No primeiro episódio, apresentou tosse produtiva, dor de garganta, febre e dor de cabeça. O diagnóstico foi confirmado por RT-PCR em 26 de março e ele foi hospitalizado. O paciente foi liberado em 14 de abril após dois resultados negativos de RT-PCR, realizados com um intervalo de 24 horas.

Durante o segundo episódio, o paciente retornou da Espanha a Hong Kong, passando pelo Reino Unido. O RT-PCR foi positivo para o SARS-CoV-2 e ele estava assintomático. Ele foi novamente hospitalizado e permaneceu assintomático durante todo o tempo. Os valores obtidos no RT-PCR gradualmente diminuíram durante a hospitalização, indicando um decréscimo na carga viral.

Foi realizado sequenciamento do genoma completo do vírus coletado durante o primeiro episódio, em março, e durante o segundo episódio, em agosto. As análises dos genomas mostraram que o primeiro vírus pertence a um clado (grupo filogenético) diferente do segundo vírus.

Várias evidências apoiam que o segundo episódio é uma reinfecção. Primeiro, as análises dos genomas mostraram que as duas cepas de vírus tinham muitas diferenças entre elas, sugerindo que a cepa detectada no segundo episódio é completamente diferente da cepa encontrada no primeiro episódio.  Em segundo lugar, apesar de assintomático no segundo episódio, o paciente apresentou alta carga viral, que declinou gradualmente, e desenvolveu IgG contra o SARS-CoV-2, sugerindo um episódio genuíno de infecção aguda.  Terceiro, houve um intervalo de 142 dias entre o primeiro e o segundo episódio. Esse caso ilustra que uma reinfecção pode ocorrer apenas alguns meses após a recuperação da primeira infecção.

A confirmação da reinfecção tem implicações importantes: 1) é improvável que a imunidade de rebanho possa eliminar o SARS-CoV-2, e 2) as vacinas podem não conferir proteção de longo prazo contra a COVID-19.

RECOMENDAÇÃO DOS AUTORES: PESSOAS QUE JÁ TENHAM TIDO COVID-19 DEVEM CONTINUAR A SE COMPROMETER COM AS MEDIDAS DE CONTROLE: USEM MÁSCARAS E PRATIQUEM O DISTANCIAMENTO SOCIAL.

FONTE: COVID-19 re-infection by a phylogenetically distinct SARS-coronavirus-2 strain confirmed by whole genome sequencing. Kelvin Kai-Wang To et al. Clinical Infectious Diseases, ciaa1275, https://doi.org/10.1093/cid/ciaa1275. 25 August 2020.

Com o risco de reinfecção, a COVID-19 veio para ficar?

Na maioria dos indivíduos infectados pelo SARS-CoV-2, os níveis de imunoglobulinas IgM e IgG aumentam em poucos dias a semanas após o início dos sintomas. Porém, já foi demonstrado que os anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2 persistem por cerca de 40 dias. Por outro lado, testes de RT-PCR positivos, apesar da soropositividade para IgG após a primeira infecção, já foram relatados, levantando a suspeita de reinfecção ou de infecção latente pelo SARS-CoV-2.

Apesar dos estudos serem promissores para o desenvolvimento de uma vacina eficaz nos próximos 12 a 18 meses, a presença de mais de 80 variantes genotípicas do vírus, a possibilidade de reinfecção e a curta duração da soropositividade para os anticorpos neutralizantes causam preocupação de que a vacinação possa não resultar em imunidade de longa duração.

Portanto, a imunidade de rebanho pode não ser atingida, já que a reinfecção pode ocorrer mesmo na presença de anticorpos neutralizantes. Esses fatores sugerem que a eliminação da pandemia de COVID-19 possa não ser conseguida e nós teremos que contar com a prevenção da transmissão até que mais aspectos do vírus e sua patogenicidade sejam descobertos.

FONTE: With Risk of Reinfection, Is COVID-19 Here to Stay? Jabbari, Parnian; Rezaei, Nima. Disaster Med Public Health Prep ; : 1-3, 2020 Jul 27.

Casos de reinfecção sintomática e assintomática na presença de anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2.

O fenômeno da reinfecção pelo SARS-CoV-2 é um dos debates da pandemia de COVID-19 e ainda não está claro se os casos são reinfecções reais ou uma possível infecção persistente de baixo nível. Parte do problema é que não existem critérios bem definidos para decidir o que é uma reinfecção real pelo SARS-CoV-2.  Os autores apresentam, em carta ao editor da revista Journal of Infection, seis casos de pacientes com reinfecção provável pelo SARS-CoV-2 e propõem critérios para a definição de reinfecção.

Os critérios foram baseados no conhecimento de que, na maioria dos casos de COVID-19, a transmissão do vírus atinge um mínimo em 28 dias após a infecção aguda pelo SARS-CoV-2. Ainda não está claro o quão protetores são os anticorpos IgG contra o SARS-CoV-2, nem o tempo de duração dessa proteção. Esses anticorpos apresentam um pico entre os dias 12 a 15 e irão conter uma proporção de anticorpos neutralizantes, que tornará a reinfecção muito improvável nesse período. Portanto, os autores assumiram que a reinfecção pelo SARS-CoV-2 não ocorre durante os primeiros 28 dias após o aparecimento da doença. À medida que o tempo passa, os anticorpos IgG decaem, aumentando a possibilidade de reinfecção.

Foram identificados seis pacientes que apresentaram resultados de RT-PCR positivos na primeira infecção, seguidos por resultados de RT-PCR negativos e IgG positivos. Após um determinado período, esses pacientes voltaram a apresentar RT-PCR positivo. Dois seis pacientes, os casos mais claros de possível reinfecção são o Caso 24 e Caso 26.  

Para o Caso 24, os testes de IgG foram positivos nos dias 88 e 92, enquanto o segundo resultado de RT-PCR positivo ocorreu no dia 87, indicando que a amostra de suabe positiva foi coletada em presença de IgG.  Esse caso foi sintomático. Da mesma forma, para o Caso 26, IgG foi positivo nos dias 62 e 85, enquanto o segundo teste de RT-PCR positivo foi realizado com amostras coletadas no dia 84. A reinfecção do Caso 26 foi assintomática. Os autores não cultivaram o vírus para checar a sua viabilidade, mas existem relatos na literatura de partículas viáveis do SARS-CoV-2 durante episódios potenciais de reinfecção.

Os autores consideram os Casos 24 e 26 como reinfecção verdadeira pelo SARS-CoV-2, já que os intervalos entre os dois episódios de COVID-19 foram longos (87 e 84 dias, respectivamente). Os dois testes de IgG mostraram que os anticorpos estavam presentes após o primeiro episódio de COVID-19 e persistiram até o segundo episódio.

A reinfecção com os quatro coronavírus causadores de gripe comum em humanos é conhecida, mesmo na presença de anticorpos, e é usual. Porém, infecções latentes ou reativadas são menos prováveis e ainda não foram descritas para a família de coronavírus.

FONTE: Setting the criteria for SARS-CoV-2 reinfection – six possible cases. Tomassini, Sara; Kotecha, Deevia; Bird, Paul W; Folwell, Andrew; Biju, Simon; Tang, Julian W. J Infect ; 2020 Aug 12. https://doi.org/10.1016/j.jinf.2020.08.011

Cientistas da USP-Ribeirão Preto investigam se é possível reinfecção pela COVID-19.

Existem muitas perguntas em relação à COVID-19 e uma delas é saber se existe a possibilidade de reinfecção. Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP investigam o caso de uma técnica de enfermagem que, em maio, apresentou os sintomas da COVID-19 (cefaleia intensa, fraqueza muscular, sensação febril, leve dor de garganta e congestão nasal). Foi realizado um primeiro exame de RT-PCR e o resultado foi negativo. Mas como os sintomas persistiram, repetiram o exame no nono dia, confirmando, então, a presença do novo coronavírus. No décimo dia, os sintomas desapareceram.

Entretanto, 38 dias depois, 27 de junho, a paciente voltou a apresentar mal-estar, mialgia, cefaleia intensa, fadiga, fraqueza, sensação febril, dor de garganta, perda do olfato e diminuição do paladar, diarreia e tosse. Submetida a novo RT-PCR para o vírus SARS-CoV-2, o resultado foi positivo. Nos dois momentos a paciente evoluiu bem, não precisou de internação hospitalar.

O diagnóstico da COVID-19 é baseado em três pilares: sintomas clínicos, exames laboratoriais e epidemiologia (contato com outros infectados), todos afirmativos nesse caso. Outros dois casos de possíveis reinfecções estão sendo investigados.

No mundo, muitas pessoas que tiveram infecção dois ou três meses atrás, com a COVID-19 confirmada via RT-PCR, voltaram a ter novos sintomas leves e um novo teste RT-PCR deu positivo. Esse quadro leva a uma série de perguntas: isso significa que é a mesma infecção (recidiva da mesma infecção)? Ou a pessoa pegou covid-19 mais uma vez, pois foi exposta ao vírus novamente? Neste último caso, isso significaria que ela não desenvolveu imunidade na primeira infecção? Ou os sintomas que ela apresenta são, na verdade, de influenza, rinovírus ou de qualquer outra infecção que atinja as vias respiratórias, mas o teste continua positivo devido a fragmentos do vírus da infecção passada, visto que o teste pode ficar positivo durante muito tempo? Essas são algumas questões que estão norteando o trabalho dos pesquisadores. E atualmente há mais perguntas que respostas.

FONTE: Teste positivo para covid-19 em quem já teve a doença leva cientistas a investigarem se é possível reinfecção. Rosemeire Talamone e Valéria Dias. Jornal da USP 06/08/2020.

Rápido decaimento dos anticorpos contra o SARS-CoV-2 em pessoas com COVID-19 leve.

Em correspondência à revista The New England Journal of Medicine, pesquisadores americanos publicaram os resultados da avaliação de 34 pessoas que se recuperaram da COVID-19.

Eram 20 mulheres e 14 homens, com idades entre 21 e 68 anos e que tinham apresentado sintomas leves da doença. Das 34 pessoas, 30 tinham o diagnóstico de COVID-19 confirmado por RT-PCR e quatro tinham apresentado sintomas compatíveis com COVID-19 e coabitavam com pessoas diagnosticadas com COVID-19.

A quantidade de anticorpos contra o SARS-CoV-2 foi analisada por um teste sorológico quantitativo. 31 participantes tiveram medição de anticorpos realizada duas vezes em tempos consecutivos, enquanto três participantes foram avaliados em três medições seriadas. A primeira medição foi obtida em média 37 dias após o aparecimento dos sintomas e a última medição foi em média 86 dias após a mesma data.

A meia-vida dos anticorpos foi estimada em 36 dias, isto é, a cada 36 dias a quantidade de anticorpos se reduziu pela metade. A perda de anticorpos foi mais rápida do que a reportada para o SARS-CoV-1, vírus causador da SARS de 2002/2003.

Dado o decaimento precoce da quantidade de anticorpos após a fase aguda da doença, o estudo levanta preocupações de que a imunidade humoral (baseada em anticorpos) contra o SARS-CoV-2 pode não durar muito em pessoas com infecções leves, caso da maioria dos infectados pela COVID-19. Os resultados apontam para reticências em relação aos passaportes de imunidade baseados em presença de anticorpos, imunidade de rebanho e duração da imunização por vacinas.

MESMO QUE VOCÊ JÁ TENHA TIDO COVID-19, CONTINUE TOMANDO CUIDADO: USE MÁSCARAS, LAVE AS MÃOS FREQUENTEMENTE E PRATIQUE O DISTANCIAMENTO SOCIAL. EVITE A REINFECÇÃO.

FONTE: Rapid Decay of Anti–SARS-CoV-2 Antibodies in Persons with Mild Covid-19. Ibarrondo et al. The New England Journal of Medicine. July 21, 2020. DOI: 10.1056/NEJMc2025179

Um novo inseticida que mata larvas de mosquitos? Não é só a COVID-19 que é preocupante. Vamos nos lembrar da dengue, zika e chikungunya. Participem dessa pesquisa de mercado.

Um grupo de pesquisa do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul está participando da Maratona de Empreendedorismo 2020 e quer saber sua opinião sobre um possível inseticida que mata larvas de mosquitos.

O questionário é anônimo e confidencial. Suas respostas estão protegidas e serão utilizadas exclusivamente para fins de estudo.

Participe da pesquisa neste link.

A Ciência brasileira agradece.

Distanciamento social voluntário

A pandemia de SARS-CoV-2 causou muitas mudanças na nossa vida rotineira. Muitos de nós estão familiarizados com o termo “achatar a curva”. A ideia é que o distanciamento social irá reduzir a taxa de disseminação da doença e a pressão no sistema de saúde. Porém, essas ordens de lockdown não podem ser mantidas indefinidamente. Deve-se levar em consideração o impacto do final prematuro do lockdown e se há alternativas a esta medida.

Logo no início de abril, ficou aparente que um único esforço de distanciamento social pode não ser suficiente para controlar a COVID-19. Assumindo que é possível ter uma boa coleta de dados por região, as autoridades de saúde pública devem poder liberar relatórios diários ou semanais que poderiam ser usados para promover o distanciamento social voluntário durante os períodos de maior carga infecciosa.

A viabilidade dessas medidas depende de vários fatores, incluindo a capacidade de coleta de dados, testagem e engajamento voluntário ao distanciamento social. A testagem tem sido realizada por amostragem porque é impossível testar todos os cidadãos de um país. Por meio da divulgação dos relatórios, pode-se alterar o comportamento das pessoas para favorecer o engajamento no distanciamento social voluntário à medida em que a dinâmica da infecção muda.

Isso irá aumentar a duração da infecção, mas irá achatar a curva, reduzir a pressão no sistema de saúde e a taxa de mortalidade. Além disso, essas medidas irão dar tempo para que tratamentos e vacinas sejam desenvolvidos.

Em relação à capacidade de engajamento da população às medidas de distanciamento social voluntário, uma grande preocupação é a capacidade de permanecer sem sair de casa para trabalhar. Se os esforços de distanciamento social tiverem que ser extremos e por longo tempo, essa questão será mais problemática. Mas ela também se aplica a outras situações que não a COVID-19: qualquer pessoa doente, especialmente com febre, tosse e outros sintomas de doenças infecciosas, deveria se engajar no distanciamento social.

VAMOS CRIAR O HÁBITO DE PERMANECER EM CASA SE ESTIVERMOS COM SINTOMAS DE DOENÇAS INFECCIOSAS, COMO FEBRE E TOSSE. VAMOS CUIDAR UNS DOS OUTROS. ESSA É A GRANDE LIÇÃO DA COVID-19.

FONTE: Voluntary Cyclical Distancing: A potential alternative to constant level mandatory social distancing, relying on an ‘infection weather report’ View. Daniel Goldman. medRixv doi: https://doi.org/10.1101/2020.05.02.20084947

Desafios da pandemia de COVID-19.

A definição mais simples de pandemia é uma doença infecciosa contagiosa que se dissemina por múltiplas áreas geográficas ou continentes. O termo contagioso implica que a infecção pode ser transmitida de pessoa a pessoa, tanto direta quanto indiretamente.  

De acordo com a Universidade Johns Hopkins University e do Centro Europeu para Prevenção de Doenças, os dados diários de números de pessoas infectadas por COVID-19 no mundo durante o segundo trimestre de 2020 revelam um padrão ondulatório ascendente que é difícil de explicar. Porém, eles também mostram uma diminuição progressiva e constante na mortalidade nesse mesmo período. A quantidade e tipo de mutações do SARS-CoV-2 detectadas nos primeiros seis meses de 2020 não explicam a redução da severidade da doença.

A pandemia de COVID-19 exemplifica as dificuldades encontradas quando se tenta quantificar parâmetros numéricos importantes da doença. Primeiro, quando se tenta contar o número de casos infectados, há uma subnotificação significativa, porque a proporção de pessoas assintomáticas ou com sintomas leves não é conhecida. Em segundo lugar, a escassez de kits diagnósticos no início da pandemia limitou o número de pessoas testadas. O mesmo problema surge quando tentamos calcular o número reprodutivo, isto é, o número de pessoas que são infectadas a partir de uma pessoa com o vírus. Nesse caso, não é fácil determinar quem é um contato. Esses problemas interferem também no cálculo da taxa de fatalidade, que é a proporção de pessoas infectadas que foram a óbito por COVID-19. Além da subnotificação de pacientes assintomáticos, algumas mortes devidas a complicações por COVID-19 não foram detectadas porque o paciente não foi testado. Por fim, a sensibilidade e especificidade dos testes virais não são 100%, resultando em ocasionais resultados falso-positivos e falso-negativos.

Apesar do progresso rápido em muitas disciplinas da área médica desde o final do século 19, a pandemia de COVID-19 tem demonstrado grandes limitações na forma como o mundo lida com ela.

FONTE: COVID-19 Compared to Other Pandemic Diseases. Pitlik, Silvio Daniel.Rambam Maimonides Medical Journal; 11(3), 2020: e0027