E surge mais uma variante de preocupação…

Dra. Patricia Valente – DEMIP/UFRGS

Em 7 de julho de 2021, nós postamos no Microbiologando um artigo sobre a nossa responsabilidade no surgimento de novas variantes do SARS-CoV-2. Nesse artigo, explicamos como surgem as variantes e chamamos a atenção para o fato que a única explicação para o aparecimento sistemático de variantes cada vez mais preocupantes é que não estamos fazendo a nossa parte, isto é, impedindo a multiplicação viral. A diversidade de variantes que estamos vendo só é possível porque estamos deixando o vírus se manter entre nós. Como ele se dissemina rápido, a quantidade de partículas virais em circulação é tão gigantesca que é possível o aparecimento das variantes. Portanto, o aparecimento de novas variantes do vírus é nossa responsabilidade.

O tempo passa, mas a história se repete…

Em 26 de novembro de 2021, o Grupo Consultivo Técnico em Evolução do Vírus SARS-CoV-2 (TAG-VE, na sigla em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS), se reuniu para avaliar a nova variante B.1.1.529 e a denominou Omicron.

A nova variante foi inicialmente reportada na África do Sul, com o primeiro caso confirmado de infecção tendo sido coletado em 9 de novembro. Essa variante tem um grande número de mutações e, aparentemente, um maior risco para reinfecções. Além disso, pode não ser detectada em alguns dos testes de diagnósticos usuais e existe dúvida em relação à eficácia das vacinas já desenvolvidas para a COVID-19.

Olhem um paralelo do histórico da pandemia na África do Sul com o histórico no Brasil: segundo a OMS, a situação epidemiológica da COVID-19 na África do Sul é caracterizada por três picos (nós aqui, no Brasil, estamos caminhando a passos largos para mais um pico…). O último pico na África do Sul teve a predominância da variante Delta (nossa conhecida predominante no último pico brasileiro). A infecção na África do Sul voltou a crescer vertiginosamente, coincidindo com o aparecimento da variante B.1.1.529, em substituição à variante Delta. Resta saber se iremos continuar a ver o futuro do Brasil ocorrendo em outros países sem fazermos nada a respeito para evitar mais uma catástrofe…

A própria OMS sugere ações que deveriam ser tomadas pelos países, voltadas aos esforços para compreensão da nova variante (aumento das testagens, sequenciamento dos vírus circulantes, etc), e ações que nós, indivíduos, podemos e devemos fazer:

ADOTAR MEDIDAS PARA REDUZIR O RISCO DA COVID-19:

  • Uso de máscaras adequadas e que se ajustem ao rosto;
  • Distanciamento social;
  • Higiene das mãos;
  • Melhorar as condições de ventilação de espaços fechados;
  • Evitar aglomerações;
  • Vacinação.

Todos nós já sabemos sobre essas recomendações. Por que não conseguimos fazer o que é recomendado para conter o vírus? Nenhuma dessas recomendações é algo difícil de ser feito.

VAMOS PARAR DE COLOCAR A RESPONSABILIDADE PELA NOSSA SEGURANÇA E SAÚDE APENAS NO GOVERNO!

VAMOS COMPARTILHAR A RESPONSABILIDADE E FAZER A NOSSA PARTE. SÓ ASSIM CONSEGUIREMOS VENCER ESSE VÍRUS.

FONTE: Classification of Omicron (B.1.1.529): SARS-CoV-2 Variant of Concern. World Health Organization. 26 Novembro 2021. https://www.who.int/news/item/26-11-2021-classification-of-omicron-(b.1.1.529)-sars-cov-2-variant-of-concern