Pesquisadores da FIOCRUZ acabam de publicar um preprint (artigo ainda não avaliado para publicação em uma revista científica) sobre o assunto. Vamos ver o que eles relataram?
O Brasil encerrou o primeiro ano da pandemia Covid-19 em um cenário de aumento do número de casos, com crescimento quase simultâneo nas taxas de incidência e mortalidade pela doença e elevados níveis de ocupação de leitos de terapia intensiva (UTI) nos 26 estados e Distrito Federal, muitas vezes maior que 90%.
Em janeiro de 2021, a média móvel voltou a ultrapassar as mil mortes, atingindo, em março, mais de duas mil mortes diárias, número nunca antes visto. Atualmente, o Brasil é o segundo país com maior número absoluto de casos e óbitos, sendo responsável por mais de 1/4 dos óbitos registrados globalmente.
A baixa adesão da população às medidas de controle e prevenção da pandemia, agravada nos últimos meses de 2020, e o surgimento de novas variantes do vírus SARS-CoV2, mais transmissíveis do que a versão original, são explicações plausíveis para a alta crescimento de casos e mortes.
Este estudo utilizou dados do sistema SIVEP-Gripe do DATASUS do Ministério da Saúde. Os dados foram acessados no site https://opendatasus.saude.gov.br em 17 de março de 2021. Foram obtidos 779.257 prontuários de pacientes internados pela Covid-19. Desse total, 92,4% possuíam dados (tipo e / ou data) sobre a evolução do paciente.
Os resultados não fornecem evidências a favor da hipótese de aumento das internações de pessoas entre 18 e 50 anos, em relação a períodos anteriores da pandemia. Considerando as análises realizadas, com base nos dados referentes a 20 de fevereiro de 2021, este estudo não fornece evidências que sustentem uma maior participação de adultos jovens nas internações.
No entanto, o aumento diferenciado de mortes hospitalares por Covid-19 entre adultos de 18-50 e até 50-60 anos no Norte, em comparação especialmente com o primeiro período da pandemia, também marcado por um colapso no sistema de saúde em alguns estados, é um alerta que vai de encontro à hipótese de maior gravidade da doença causada pela variante P1 nesta população.
De qualquer forma, os resultados mostraram que a participação de adultos jovens em internações por Covid-19 nunca foi desprezível e sempre esteve relacionada a taxas de mortalidade hospitalar próximas ou acima de 10%. As análises do próprio SIVEP e do Registro Civil estão começando a apontar o rápido crescimento de casos Covid-19 e mortes em indivíduos entre 20 e 59 anos desde o início do ano 2021.
ISSO É UM ALERTA. A ANÁLISE FEITA SE REFERE A DADOS REGISTRADOS ATÉ O INÍCIO DE 2021. VAMOS NOS CUIDAR PARA QUE ESSA TENDÊNCIA DE REJUVENESCIMENTO DA COVID-19 NO BRASIL NÃO SE CONCRETIZE. AINDA TEMOS TEMPO DE FREAR ESSE DESASTRE. VAMOS FAZER A NOSSA PARTE.
FONTE: Has the age distribution of hospitalized Covid-19 patients changed in Brazil? Carla Lourenço Tavares de Andrade, Sheyla Maria Lemos Lima, Monica Martins, Claudia Cristina de Aguiar Pereira, Margareth Crisóstomo Portela. https://doi.org/10.1101/2021.03.30.21254650
