Dengue no Brasil: da sua chegada aos dias atuais

Redigido por Carolina Pezzi Lucca, Lara Schneider Friedrich, Lorenza Corti Villa, Manuela Gamarra Cassol e Maísa Theves Ferronato, graduandas em Biotecnologia, UFRGS

Revisado por Dra. Patricia Valente, Professora Titular do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFRGS

Muitas vezes, nos jornais locais e nacionais, ouvimos sobre surtos de dengue, cada vez mais frequentes no nosso país. Mas você sabe sobre essa doença e tudo que ela envolve?

Ela é muito conhecida pelo seu vetor, o mosquito Aedes aegypti, mais especificamente, o mosquito fêmea! Evidências mostram que ele veio de navios africanos que traziam escravos para o nosso país, se difundindo com padrão sazonal, principalmente nos meses de outubro de um ano e maio do ano seguinte. Sua proliferação está muito ligada com o acúmulo de água parada, pois assim os ovos e as larvas podem se desenvolver. Por conta disso, é muito comum propagandas que incentivem a limpeza de pratinhos de plantas, recipientes com depósito de água e que condenem o acúmulo de lixo em terrenos baldios.

O vírus que os mosquitos carregam consigo é o DENV, sendo que no Brasil há a circulação de quatro sorotipos diferentes. Quando uma pessoa se infecta com um sorotipo, ela adquire imunidade a ele, porém, como ainda há outros três sorotipos circulantes, ela está suscetível a esses. O DENV possui três proteínas estruturais, ou seja, que formam a sua estrutura, sendo elas o capsídeo, a membrana e o envelope. Além disso, possui sete proteínas não estruturais, que estão relacionadas com a realização de funções necessárias para a reprodução do vírus.

Os principais sintomas da dengue são febre repentina (próximo de 39ºC) com manifestações de dor de cabeça, fraqueza, dores musculares e/ou articulares e dor atrás dos olhos. A doença pode evoluir para quadros de maior gravidade, nos quais o indivíduo apresenta sinais de alerta, como sangramento, dores abdominais fortes, vômito, tontura, irritabilidade, entre outros.

É essencial o diagnóstico precoce da doença, pois são diversos os medicamentos que não podem ser utilizados em sua presença. Entre eles estão o ácido acetilsalicílico (AAS), ibuprofeno, diclofenaco, naproxen, prednisona, prednisolona e hidrocortisona. Esses medicamentos interferem no funcionamento das plaquetas do sangue (responsáveis pelo processo de coagulação), favorecendo o aparecimento de sangramentos e complicações como hemorragias, já propensas de ocorrerem em pacientes com dengue.

Com esse panorama, é possível perceber a gravidade da doença, principalmente por conta dos sintomas semelhantes a uma gripe, a fácil proliferação e a dificuldade de evitá-la, visto que depende se um esforço coletivo. Assim, como é possível evitar a ocorrência de surtos e epidemias desse vírus? As ações mais básicas são o uso de telas em janelas e repelentes, vedação dos reservatórios e caixa d ‘ água e desobstrução de calhas, lajes e ralos. Atualmente, novas alternativas que se mostram mais eficientes, não sendo apenas meio para não haver a proliferação do mosquito, são o mosquito transgênico e a vacina.

O principal diferencial dos mosquitos transgênicos é sua modificação genética para possuírem esterilidade, não podendo se reproduzir. Assim, os filhotes do cruzamento entre um mosquito natural e um transgênico morrem ainda na fase larval. Isso ocorre pois, em laboratório, um antibiótico é usado com o objetivo de suprimir a expressão do gene que causa sua letalidade, composto que não é encontrado na natureza. Com isso, a população resultante de mosquitos é composta apenas por machos, que não transmitem o vírus.

A mais recente novidade sobre a dengue, muito em alta na mídia, é a vacina Qdenga. Ela é eficaz contra os quatro sorotipos presentes no Brasil. Ela é uma vacina atenuada, em que o vírus se encontra ativo, porém sem a capacidade de produzir a doença no indivíduo. O objetivo desse tipo de imunizante é induzir uma infecção natural simulada e segura para o indivíduo, tendo como resultado a produção de anticorpos e respostas dos linfócitos T (células com funções imunológicas) naturais.

Conhecendo o panorama atual sobre a doença, o que ela causa e sobre os aspectos científicos é possível evitá-la mais facilmente! Ter conhecimento sobre o que precisamos evitar é essencial, só assim saberemos como agir em casos urgentes, como uma propagação rápida em forma de epidemia.

REFERÊNCIAS:

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Entenda como funciona a vacina contra dengue ofertada pelo SUS. Disponível em: <https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202401/entenda-como-funciona-a-vacina-contra-dengue-ofertada-pelo-sus>. Acesso em: 18 ago. 2024.

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SANCHES, P. D. Medicamento para dengue: quais não devemos tomar? Disponível em: <https://nav.dasa.com.br/blog/medicamento-para-dengue>. Acesso em: 18 ago. 2024.

ROY, S. K.; BHATTACHARJEE, S. Dengue virus: epidemiology, biology, and disease aetiology. Canadian Journal of Microbiology, v. 67, n. 10, p. 687–702, out. 2021.

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