Será que estamos atingindo as metas para as Doenças Tropicais Negligenciadas que a OMS propôs para 2030?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, doenças tropicais negligenciadas (DTNs) são doenças antigas da pobreza que impõem um fardo humano, social e econômico devastador a mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, predominantemente, em áreas tropicais e subtropicais entre as populações mais vulneráveis ​​e marginalizadas.

Em 2020, a OMS lançou um novo roteiro sobre as DTNs, contendo metas a serem atingidas até 2030. Esse roteiro aponta ações a serem tomadas em diferentes âmbitos visando a prevenção, controle, eliminação ou erradicação das DTNs. O documento lista como alguns dos alvos as seguintes DTNs: Doença de Chagas, Dengue, Chikungunya, Equinococose, Trematodíases de origem alimentar, Tripanossomíase, Leishmaniose, Lepra, Filariose, Micetoma, Cromoblastomicose, Oncocercose, Raiva e Esquistossomose, entre outras.

Para acompanhamento dos progressos mundiais em relação às metas para 2030, a OMS publica, periodicamente, relatórios com os avanços e entraves observados. No relatório de maio de 2024, o Dr Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, escreveu que “Globalmente, os programas para combater doenças tropicais negligenciadas (DTNs) estão fazendo progressos significativos. Cinquenta países eliminaram pelo menos uma DTN, na metade do caminho para a meta de eliminação de 100 países até 2030. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas, o deslocamento populacional, um cenário de financiamento incerto e outros fatores têm o potencial de aumentar a disseminação de muitas DTNs além de seus criadouros tradicionais em países de baixa renda e zonas tropicais. Isso só aumenta a necessidade de intervenções intersetoriais para melhorar a água, o saneamento e a higiene; controle de vetores; e abordagens One Health para o gerenciamento humano, animal e ambiental. Mais pesquisas são necessárias para o desenvolvimento de diagnósticos, medicamentos, vacinas, antídotos para venenos e estratégias de gerenciamento de morbidade. Além disso, o suporte à saúde mental e as intervenções para reduzir o estigma social associado às DTNs precisam ser ampliados”.

As DTNs têm epidemiologias complexas, com ciclos de vida diversos que normalmente envolvem o ambiente, vetores, reservatórios zoonóticos e hospedeiros intermediários e definitivos. Isso torna desafiador o controle e a medição do progresso em direção às metas estabelecidas do programa.

Das informações listadas pela OMS no relatório de 2024, transcrevemos abaixo as em que o Brasil é especificamente mencionado:

  • Alguns países estão progredindo em direção ao monitoramento e verificação da interrupção da transmissão por todas as rotas de transmissão em nível nacional outros níveis administrativos: entre outros, este grupo inclui Brasil, Itália, Japão, Espanha e Suíça.
  • Em 2022, 99,98% dos casos de leishmaniose cutânea relatados globalmente foram tratados em seis países de alta carga da doença (Afeganistão, Brasil, Colômbia, Marrocos, Peru e República Árabe Síria).
  • Em apenas alguns países os sistemas de saúde podem contar com serviços mais eficazes para a detecção ativa ou passiva de casos e seu gerenciamento. Entre eles está o Brasil, onde a detecção e o controle da cromoblastomicose, paracoccidioidomicose e esporotricose estão sob a responsabilidade dos serviços de vigilância do Ministério da Saúde.
  • O Brasil está em fase final de preparação de seu dossiê para a validação da eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública.
  • As intervenções da abordagem One Health têm progredido e sido aplicadas em resposta a surtos de leishmaniose visceral na Bolívia e de tungíase entre populações indígenas do Brasil e da Colômbia.

Apesar das boas notícias, há necessidade de esforço global para que as metas de 2030 sejam atingidas. Basta lembrar que as metas propostas para 2020 não se concretizaram.

Referências Bibliográficas:

Ending the neglect to attain the Sustainable Development Goals: a road map for neglected tropical diseases 2021–2030. Geneva: World Health Organization; 2020. Licence:  CC BY-NC-SA 3.0 IGO.

Global report on neglected tropical diseases 2024. Geneva: World Health Organization; 2024. Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO

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