Até o momento não existem dados na literatura reportando que pessoas com obesidade possuem maior risco de contrair COVID-19. Porém, a obesidade é um fator conhecido de aumento de risco de desenvolvimento de formas severas de falência respiratória. No Reino Unido foi observado que 72,1% dos pacientes confirmados com COVID-19 estavam acima do peso ou eram obesos.
A obesidade representa um estado de inflamação crônica que contribui para o aparecimento de doenças metabólicas e torna o sistema imunológico mais vulnerável a infecções e menos responsivo à vacinação e medicações antimicrobianas, incluindo os antivirais. Sabe-se que a obesidade atrapalha a memória do sistema imunológico em relação ao vírus da influenza.
As comorbidades associadas à obesidade podem representar um fator de risco adicional para complicações da COVID-19. Obesos muitas vezes sofrem de broncopatia obstrutiva crônica, asma, síndrome de hipoventilação, apnea durante o sono e anomalias mecânicas associadas ao excesso de gordura abdominal e torácica que podem resultar em complicações respiratórias.
A inflamação crônica devido à obesidade contribui para o aumento de risco de trombose. Além disso, a obesidade é associada à alteração da microbiota intestinal, que está envolvida na regulação do sistema imunológico do hospedeiro e na proteção a infecções. Finalmente, a falta de UTIs desenhadas para acomodar pacientes com obesidade severa, as dificuldades para intubação e inserção de cateteres pioram o prognóstico para pacientes obesos com COVID-19.
ALÉM DESSES FATORES, A POUCA ATIVIDADE FÍSICA E HÁBITOS ALIMENTARES RUINS TENDEM A TORNAR OS INDIVÍDUOS OBESOS UM GRUPO DE RISCO PARA COMPLICAÇÕES DA COVID-19.
FONTE: Obesity: the “Achilles heel” for COVID-19? Muscogiuri G, Pugliese G, Barrea L, Savastano S, Colao A. Metabolism. 2020 Apr 27:154251. doi: 10.1016/j.metabol.2020.154251.
