Pão com farinha de barata? BARATA mesmo. Não é erro de digitação!

Contribuição da MSc. Letícia Costa, doutoranda em Microbiologia Agrícola e do Ambiente (UFRGS).

A população mundial cresce cada vez mais (estima-se que seremos mais de 9,2 bilhões de pessoas em 2050) e isso tem se tornado uma preocupação quando se pensa em produção de alimentos suficientes para daqui uns anos. Além de serem mais nutritivos que outros tipos de carne, insetos são mais baratos de cultivar do que gado. Portanto, insetos serão provavelmente cultivados no futuro para servirem de fonte nutritiva.

Devido ao elevado consumo de pães, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Rio Grande desenvolveu um pão contendo farinha de baratas para elevar a qualidade nutricional desse alimento. As baratas foram adquiridas de uma empresa responsável pela produção de insetos para consumo e foi verificada que a farinha de baratas tinha condição sanitária adequada (estava livre de bactérias patogênicas como Salmonella, Staphylococcus e coliformes), além de um bom perfil nutricional devido ao conteúdo de aminoácidos e ácidos graxos.

O resultado da análise dos pães foi muito promissor, pois os insetos elevaram o teor nutricional dos pães sem influenciar negativamente no sabor. Pães com 10% de farinha de barata tiveram um aumento de aproximadamente 50% de proteínas e uma menor percentagem de carboidratos em comparação com pães tradicionais. O pão enriquecido com farinha de barata apresentou outra vantagem: grande percentual de ômega 6 e ômega 9.

Mais de 75% dos avaliadores deram uma boa nota para as características sensoriais do pão (aroma, sabor, cor e textura) e mais de 60% afirmaram que comprariam o produto.

COM CONDIÇÕES SANITÁRIAS SATISFATÓRIAS E PERMITIDAS E BOM PERFIL NUTRICIONAL, VOCÊ ENCARARIA PROVAR ESSE PÃO?

FONTE: Bread enriched with flour from cinereous cockroach (Nauphoeta cinerea). Lauren M Oliveira, Andressa JS Lucas, Carolina L Cadaval, Myrian S Mellado. Innovative Food Science and Emerging Technologies 44 (2017) 30–35. doi: http://dx.doi.org/10.1016/j.ifset.2017.08.015

2 respostas para “Pão com farinha de barata? BARATA mesmo. Não é erro de digitação!”

  1. Onde chegamos, pão de barata?
    Enquanto a batata doce, o aipim ou macachera , ou ainda outros tipos de batatas bem como frutas como bananas, goiabas, pinha, melão, melancia, laranjas, tomates de época, beterrabas e cenouras estiverem ao meu alcance não comerei pão e outros trigos. O que está acabando com a saúde do ser humano é esse trigo escuro que acaba com qualquer boa receita, os trigos de antigamente não eram dessa maneira, o trigo transgênico é ruim, o milho transgênico não possui o gosto adocicado e também é ruim. O transgênico acabou com a culinária, agora vem a farinha de barata para estragar o resto. Enquanto houver potes, pedaços de terra, sítios, as pessoas estarão plantando, plantar está no nosso DNA.

    1. Boa tarde, Silvana. Tudo bem?
      Agradeço pelo comentário, acho válido todos pontos de vista!

      Na alimentação não existe certo ou errado, cada um consome alimentos de acordo com a sua cultura e crenças – é algo muito particular. O trigo é um cereal riquíssimo em proteínas e outros nutrientes e minerais essenciais para o nosso metabolismo, não sendo um vilão na dieta humana e/ou animal – bem pelo contrário. No entanto, quem possui alergias, intolerância ou demais problemas relacionados ao trigo ou aos seus componentes, realmente deve evitar este cereal. Nenhum tipo de alimento em excesso faz bem à saúde, mas não é por isso que se deva banir o consumo de um alimento em específico no dia a dia sem motivos concretos. O trigo integral, inclusive, é riquíssimo em fibras, as quais são essenciais para o funcionamento correto do nosso sistema digestório e enriquecimento da nossa microbiota intestinal. Graças a essa microbiota rica que somos capazes de digerir/fermentar frutas e vegetais dentro do nosso organismo.

      Em relação aos transgênicos, eles vem sendo introduzidos como novos cultivares para que se evitem grandes perdas econômicas aos produtores e para que se possa manter a demanda de compra e venda desses alimentos, onde a maioria se faz resistente a pragas comuns nas lavouras para que se evitem os danos da cultura, bem como perdas econômicas graves. Um pensamento que sugiro ser feito: “Consumir um alimento transgênico é melhor do que eu consumir alimentos com tratamento convencional utilizando agrotóxicos e demais compostos químicos?”, ou “Eu prefiro consumir alimentos contendo substâncias nocivas ao meu corpo ou eu prefiro consumir um alimento com DNA modificado?”.

      O Brasil é um dos maiores produtores na parte agrícola, no entanto o consumo dos brasileiros faz com que a importação ainda seja necessária em grande escala. No caso da farinha de barata, pensando no aumento da população e consequente aumento do consumo alimentar, a ciência vem buscando matérias-primas ricas em nutrientes que sejam capazes de suprir essa demanda. Dentre esses novas alternativas alimentares se destacam outros grãos e cereais, como sorgo, grão de bico e farinha de amêndoas, bem como o uso de insetos, que seria o exemplo de grilos e baratas. Cabe a cada um de nós avaliarmos o que convém ou não aos nossos hábitos.

      Plantar está no nosso DNA, com certeza, e o nosso DNA é mutável. Por isso acredito que mudanças sejam muito bem vindas para que possamos construir juntos alternativas sustentáveis para uma nova geração. A mudança alimentar já está acontecendo, independente das nossas escolhas, e não está sendo imposta a ninguém. Não sabemos os alimentos que teremos disponíveis no nosso futuro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.