A pandemia de COVID-19 resultou em um número extraordinário de pesquisas envolvendo milhões de pacientes. Porém, isso requereu um sistema acelerado de avaliação para publicação, o que não é fácil de organizar e pode falhar. Esse sistema acelerado objetiva permitir que as informações sejam partilhadas o mais rápido possível, visando mitigar os efeitos da pandemia e fornecer sugestões sobre eficácia de medicamentos, entre outras informações.
Artigos têm sido avaliados em tempo reduzido e, às vezes, publicados online antes mesmo da revisão pelos pares (processo de avaliação dos artigos antes da publicação). O uso frequente dos resultados pela mídia, que enfatiza os dados sem uma análise científica crítica, também tem ocorrido.
A recente retratação de dois artigos colocou em foco o problema do controle sobre os dados originais analisados e o risco de um sistema de publicação acelerado, potencialmente menos acurado. O alto volume de dados científicos necessita um controle de qualidade não apenas pela equipe editorial das revistas e revisores, mas, principalmente, pelos autores.
O aumento sem precedentes na quantidade de artigos (mais de 23.000 artigos sobre COVID-19 entre janeiro e junho de 2020) necessita uma consideração séria sobre os métodos usados para garantir a qualidade dos resultados científicos e evitar a redução da qualidade dos dados. O autocontrole do processo científico, baseado em regras éticas e no conhecimento das consequências práticas da informação de baixa qualidade e incorreta cientificamente, deve ser o guia de todos os processos de publicação.
PUBLICAR ARTIGOS DE BAIXA QUALIDADE CIENTÍFICA É UM DESSERVIÇO À CIÊNCIA. ESSE CONTROLE É RESPONSABILIDADE, EM PRIMEIRO LUGAR, DOS AUTORES DO ARTIGO.
FONTE: Scientific publishing in the COVID-19 era: successes and pitfalls. Antonio Federico. Neurological Sciences https://doi.org/10.1007/s10072-020-04550-y. Publicado online em 02/07/2020.
