Ouviram falar no uso de ivermectina para a COVID-19? Será realmente a droga milagrosa que está sendo esperada? Vejam o que a Ciência tem a dizer.

Ivermectina (IVM) é um antiparasitário de alta eficiência, sendo usado contra vários parasitas animais e em seres humanos, além de ter efeito contra alguns vírus (dengue, por exemplo). Com a chegada da COVID-19, a IVM tem aparecido na mídia por conta de sua atividade in vitro (em laboratório) contra o SARS-CoV-2. Após esse primeiro estudo in vitro, alguns estudos têm sido desenvolvidos, listados nos esforços mundiais centralizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A maioria desses estudos usa a IVM em combinação com outros medicamentos em testes clínicos, inclusive no Brasil (https://covid-nma.com/dataviz/).

O uso de combinações de medicamentos é uma opção farmacológica, vastamente usada em outras doenças, mas os testes contra a COVID-19 só podem ser realizados sob a orientação de profissionais de saúde treinados. Os pacientes que participam desses testes não devem ter comorbidades e a prescrição da IVM é controlada. Atualmente, só existem dois estudos registrados com IVM na América do Sul: um na Argentina e outro no Brasil.

Apesar da eficácia da IVM contra a COVID-19 ainda estar sendo avaliada nesses estudos, ela ganhou fama como a nova panaceia contra a doença. No último mês, dúzias de protocolos com diferentes dosagens e uso em diferentes fases da COVID-19 foram divulgados na mídia. Até mesmo a Secretaria de Saúde de uma capital do nordeste do Brasil recomendou o uso de IVM para a profilaxia de COVID-19. Pessoas não autorizadas estão prescrevendo esses métodos para audiências amplas em canais do YouTube e entrevistas na TV. Para piorar, tem havido uma corrida às farmácias e as pessoas estão adotando a automedicação e autodosagem, já que a IVM é vendida sem prescrição médica.

Apesar da IVM ser conhecida por sua boa margem de segurança, pode não ser suficiente para ser tomada de forma regular. O risco de interações desconhecidas com outros medicamentos pode levar a efeitos colaterais potencialmente danosos. Portanto, deve-se ter cautela no uso da IVM. A maioria das evidências que temos atualmente não são científicas. Nós estamos atravessando tempos muito difíceis.  

Uma iniciativa é bem-vinda para ajudar os governos e a população: o YouTube, em associação com a Agência de Notícias Francesa (AFP), está ativamente bloqueando informação falsa sobre a IVM (https://checamos.afp.com/nao-ha-provas-de-que-ivermectina-testada-apenas-vitro-possa-curar-o-novo-coronavirus).

ASSIM COMO OCORREU COM A HIDROXICLOROQUINA, A IVERMECTINA ESTÁ SENDO AVALIADA EM ESTUDOS CIENTÍFICOS CONTROLADOS. VAMOS AGUARDAR OS RESULTADOS. LEMBREM DO QUE ACONTECEU COM A HIDROXICLOROQUINA.

FONTE: COVID-19 and the rush for self-medication and self-dosing with ivermectin: A word of caution. Marcelo Beltrão Molento. One Health 10 (2020) 100148.

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