Saber quando uma pessoa infectada pode espalhar o SARS-CoV-2 é tão importante quanto saber como o vírus se espalha (tema do nosso post de 10/07/2020). Preparamos mais um extrato da atualização científica sobre a transmissão do SARS-CoV-2 divulgada pela Organização Mundial da Saúde em 09/07/2020.
A evidência sugere que o RNA do SARS-CoV-2 pode ser detectado nas pessoas infectadas de um a três dias antes do início dos sintomas, com a maior carga viral (quantidade de partículas virais) observada por volta do dia em que os sintomas aparecem, seguida por um declínio com o tempo. A duração da positividade do RT-PCR parece ser de uma a duas semanas para pessoas assintomáticas e até três semanas ou mais para pacientes com doença leve a moderada. Em pacientes com doença severa, essa positividade pode durar mais. A detecção de RNA viral não significa necessariamente que a pessoa está infectada e capaz de transmitir o vírus para outra pessoa. Estudos que avaliem a presença de partículas virais infecciosas em amostras de pacientes são atualmente muito limitados.
A transmissão do SARS-CoV-2 parece ocorrer, principalmente, via gotículas respiratórias e contato próximo com pessoas infectadas sintomáticas. Em uma análise de 75.465 casos de COVID-19 na China, 78-85% dos casos relacionados ocorreram dentro de casa, sugerindo que a transmissão ocorre durante contato próximo e prolongado. Fora do ambiente caseiro, aqueles que têm contato físico próximo, partilham refeições ou permanecem em espaços fechados por aproximadamente uma hora ou mais com pessoas sintomáticas, como em igrejas, academias e escritórios, também possuem grande risco de infecção.
Dados da China sugerem que pessoas sem sintomas podem infectar outras pessoas. Para melhor compreender o papel da transmissão a partir de pessoas sem sintomas, é necessário distinguir entre pessoas infectadas que nunca desenvolvem sintomas (assintomáticas) e pessoas que irão desenvolver sintomas posteriormente (pré-sintomáticas). A extensão real das infecções assintomáticas é desconhecida. Estudos realizados nos EUA e China reportaram muitos casos assintomáticos, porém 75-100% dessas pessoas desenvolveram sintomas posteriormente. Uma revisão sistemática recente estimou que a proporção dos casos verdadeiramente assintomáticos é de 6 a 41% dos infectados.
Muitos estudos mostraram que as pessoas infectam outras antes de ficarem doentes. A transmissão a partir de pessoas sem sintomas é difícil de estudar. Um preprint (artigo ainda não avaliado por cientistas para publicação) recente sugeriu que indivíduos sem sintomas têm menor probabilidade de transmitir o vírus do que pessoas com sintomas.
Muitas questões ainda não respondidas sobre a transmissão do SARS-CoV-2 permanecem e pesquisa focada nessas questões estão ocorrendo e são encorajadas. A evidência atual sugere que o SARS-CoV-2 é principalmente transmitido entre pessoas via gotículas respiratórias e contato, apesar da transmissão por aerossois ser possível (ver nosso post de 10/07/2020). A transmissão ocorre de pessoas pré-sintomáticas ou sintomáticas para outras pessoas em contato próximo (menos de um metro de distância por tempo prolongado), quando os EPIs apropriados, como máscaras, não estão sendo usados. A transmissão também pode ocorrer a partir de pessoas infectadas assintomáticas, mas ainda não se sabe a extensão em que isso ocorre.
Leia a atualização na íntegra.
FONTE: Transmission of SARS-CoV-2: implications for infection prevention precautions. Scientific Brief. Organização Mundial da Saúde. Publicado em 09 de julho de 2020.
