Mais informações sobre vacinas contra a COVID-19…

Uma vacina contra o Sars-Cov-2, para ser comercializada e aplicada, ao final da fase de testes em humanos deve demonstrar ser segura, com poucos efeitos colaterais e eficaz. Mas, na situação de emergência em que vive o mundo, algumas delas já estão sendo comercializadas antes de serem estabelecidas as suas segurança e eficácia.

Uma boa vacina deverá fornecer uma memória imunológica longa, se possível deve proteger ao longo de toda uma vida. Ainda como desafio à efetividade, uma vacina deve atingir ampla cobertura nas populações-alvo mediante campanha de vacinação adequada. Nesse aspecto, o Brasil tem uma vantagem importante pela existência do Programa Nacional de Imunizações do SUS.

Será necessário também superar os movimentos ideológicos antivacinas. Por exemplo, desde 2019 vem ocorrendo entre nós um surto sustentado de casos de sarampo. Vários fatores parecem estar contribuindo para o recrudescimento de uma doença que teve sua transmissão interrompida no país em 2000, entre eles o movimento mundial antivacinas.

Em relação às vacinas contra a COVID-19, o Brasil está entre os 75 países aderentes ao Covax Facility mediante o acordo que o Ministério da Saúde/Fiocruz/BioManguinhos estabeleceu com a AstraZeneca/Universidade de Oxford, no valor de US$ 127 milhões para a aquisição de 30,4 milhões de doses de vacina por eles desenvolvida (projetada pela plataforma de um vetor viral), incluída a transferência de sua tecnologia para BioManguinhos e a possível abertura do mercado latino-americano para a vacina produzida aqui. Essa decisão arrojada pretende garantir algum grau de prioridade no fornecimento da mesma à população brasileira no caso de um final feliz para o produto.

Outra importante iniciativa doméstica para a produção de uma vacina contra o SARS-CoV-2 foi patrocinada pelo governo de São Paulo/Instituto Butantã que, em 11 de junho de 2020, anunciou um acordo com a empresa chinesa Sinovac para a participação em ensaio clínico de fase III, já iniciado no Brasil, e futura produção de sua vacina. Ela utiliza uma plataforma de vírus inativado, na qual o Butantã possui larga experiência de desenvolvimento e produção. Pelo informe do instituto, o acordo assinado se refere à participação no ensaio e inclui também cláusula de transferência da tecnologia.

FONTE: Vacinas Anticovid: um Olhar da Saúde Coletiva. Reinaldo Guimarães. Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.9 Rio de Janeiro set. 2020  Epub 28-Ago-2020. https://doi.org/10.1590/1413-81232020259.24542020.

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