Devido à grande probabilidade de transmissão a partir de indivíduos pré-sintomáticos ou assintomáticos, a quarentena pode impedir uma fração significativa da transmissão que não seria detectável e, portanto, seria difícil de impedir. Por exemplo, a aferição de temperatura nos aeroportos permitiu que mais de 50% dos viajantes infectados entrassem em contato com a população em geral, o que teria sido impedido por uma quarentena compulsória.
Em teoria, a quarentena poderia ser evitada com a testagem de indivíduos de alto risco, mas a baixa especificidade da tecnologia de testagem atual, particularmente no início da infecção, e a limitada capacidade de testagem impedem essa abordagem.
Usando modelagem matemática, pesquisadores suíços mostraram que manter em quarentena um contato de alguém infectado por 10 dias pode impedir entre 75 e 99% da transmissão do vírus. Para viajantes infectados, a eficiência da quarentena por 10 dias é mais incerta, já que a data do contágio não é conhecida. Se a infecção ocorreu bem antes do retorno do viajante, não é esperado que eles permaneçam infecciosos por um longo tempo. Mas se o viajante foi infectado durante o voo de retorno, uma quarentena de 10 dias irá impedir 99% da transmissão. Porém, qualquer decréscimo na duração da quarentena irá resultar em um aumento da transmissão e esse fato não pode ser ignorado.
Um argumento para o encurtamento da duração da quarentena é que quarentenas mais curtas iriam levar a uma maior adesão das pessoas. Os pesquisadores, portanto, estimaram o aumento na adesão que é necessário para manter a eficácia da quarentena. Foi concluído que a diminuição da duração da quarentena de 10 para 5 dias iria requerer mais que o dobro de indivíduos em quarentena para manter a eficácia.
Os pesquisadores chamam a atenção para o fato de os resultados apresentados serem provenientes de modelagem matemática. Não existem estudos reais que estimem o impacto da duração da quarentena na transmissão da COVID-19.
FONTE: Quantifying the impact of quarantine duration on COVID-19 transmission. Peter Ashcroft, Sonja Lehtinen, e Sebastian Bonhoeffer. medRxiv doi: https://doi.org/10.1101/2020.09.24.20201061. September 25, 2020.
