Pesquisadores analisam série histórica de casos de COVID-19 nas regiões brasileiras.

Pesquisadores brasileiros analisaram dados disponibilizados nos portais das Secretarias de Saúde Estaduais, SUS e Fiocruz sobre casos de COVID-19 de março a maio de 2020.  Foi analisada a taxa de incidência (número de novos casos/número total de indivíduos na população) e o coeficiente de letalidade (número de óbitos por COVID-19/número de casos de COVID-19).

As maiores incidências foram nos estados do Amapá, Amazonas e Acre, com tendência de crescimento da contaminação. Ceará foi o único estado com decréscimo na incidência entre 15 e 30 de maio (redução de quase 80%), o que pode demonstrar a eficácia das medidas de controle da epidemia. No último período analisado, os estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Ceará tiveram as maiores taxas de letalidade. Quando a letalidade foi analisada por região, as maiores taxas foram observadas na região Sudeste, porém todas as regiões mostraram tendência de decréscimo.  

A configuração do isolamento diferiu de região para região, tendo sido mais restritivo em alguns locais do que em outros. A notificação do primeiro caso também diferiu entre as regiões, o que reflete na dificuldade de definir o estágio da pandemia que cada estado está encarando.  Outro ponto importante é que o número de testes realizados é diferente entre os estados, o que afeta diretamente as estimativas de incidência. É também importante ressaltar a grande desigualdade social observada entre os estados brasileiros.

Foi possível observar uma média nacional de deslocamentos à procura de serviços de saúde de média e baixa complexidade de 72 km, mas existem diferenças profundas entre as regiões. Manaus atraiu as viagens mais longas (418 km em média). Goiânia atraiu pacientes provenientes do maior número de cidades (115 cidades). Em relação aos serviços de saúde de alta complexidade, a média nacional de deslocamento foi 155 km, porém na região Norte foi 276 km e no Centro-Oeste foi 256 km. Três estados apresentaram médias muito acima das nacionais: Roraima e Amazonas com 471 e 472 km, respectivamente, e Mato Grosso, com 370 km.

De acordo com dados do último censo feito no Brasil (ano 2010), as regiões Sudeste e Sul possuem o maior percentual de habitantes com mais de 65 anos de idade. Esses dados são relevantes, já que os idosos são um dos grupos de risco para a COVID-19, necessitando de serviços de saúde mais especializados.

FONTE: Historical series of cases of COVID-19 in Brazilian regions in the year of 2020. Guilherme Pertinni de Morais Gouveia, Samara Sousa Vasconcelos Gouveia, Samila Sousa Vasconcelos, Elisson de Sousa Mesquita Silva, Rebeca Galdino Medeiros, Rosangela Lago da Silva. J. Health Biol Sci. 2020;8(1):1-7. doi: 10.12662/2317-3206jhbs.v8i1.3432.p1-7.2020.

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