Continuando a série de posts sobre a relação entre deficiência vitamínica e COVID-19, hoje vamos falar sobre a vitamina C.
A vitamina C (ácido ascórbico) tem muitas características que a tornam interessante para prevenir e curar infecções virais. A ação antiviral do ácido ascórbico já é conhecida há, pelo menos, 80 anos. O seu uso como medicamento contra doenças infecciosas também é bastante relatado. Muitos mecanismos estão envolvidos na ação antiviral da vitamina C, incluindo ações imunomodulatórias.
Há proposta de que a vitamina C reduza a duração da gripe comum, mas os efeitos contra a COVID-19 não são conhecidos. Uma análise de 12 estudos com 1.766 pacientes internados em UTI mostrou que a vitamina C reduziu a duração da internação em 8%. Em outra análise, oito estudos demonstraram que a vitamina C reduziu o período de ventilação mecânica em pacientes que necessitaram desta intervenção. Além disso, há provas de que as concentrações de vitamina C caem drasticamente em pacientes com doença severa. Por fim, a vitamina C é capaz de reduzir a tempestade de citocinas via mecanismos desconhecidos.
Os efeitos gastrointestinais adversos (vômito, diarreia, desconforto abdominal, etc) podem limitar as doses usadas, sendo que altas doses de vitamina C podem se correlacionar com o desenvolvimento de cálculos renais.
Em 26 de junho de 2020, existiam 25 testes clínicos registrados para testar o efeito da suplementação de vitamina C em pacientes infectados pelo SARS-CoV-2. Alguns desses protocolos são testes controlados com a monoterapia com vitamina C para tratamento da COVID-19, enquanto outros protocolos testam a vitamina C em combinação com outros medicamentos, tanto no tratamento como na prevenção da doença. Um teste clínico randomizado está analisando a eficácia e segurança do uso da vitamina C contra a pneumonia associada à COVID-19.
Há necessidade urgente de se examinar os usos da vitamina C na pré-infecção e na pós-infecção, assim como nos diferentes estágios da doença.
COMO TUDO NA VIDA, A RESPOSTA É O EQUILÍBRIO. NEM FALTA DE VITAMINA C, NEM EXCESSO DESNECESSÁRIO.
FONTE: Vitamin deficiency as risk factor for SARS-CoV-2 infection: correlation with susceptibility and prognosis. A. ALLEGRA, A. TONACCI, G. PIOGGIA, C. MUSOLINO, S. GANGEMI. European Review for Medical and Pharmacological Sciences 2020; 24: 9721-9738.
