Deficiência de vitamina como fator de risco para a COVID-19: vitamina A.

Esse é o quarto e último post da série sobre deficiência de vitamina e COVID-19. Hoje vamos falar da vitamina A.

O papel da suplementação com vitamina A para pacientes com COVID-19 é baseado puramente em pressupostos teóricos. Concentrações baixas de vitamina A estão ligadas à atividade alterada de células do sistema imunológico. Por essa razão, a deficiência em vitamina A é usualmente correlacionada com aumento de risco de infecção e seu papel já foi reportado na influenza. Além disso, indivíduos com baixos níveis de vitamina A apresentam modificações histopatológicas no epitélio pulmonar, causando maior risco de falência pulmonar e doença respiratória. Isso é muito significativo se levarmos em consideração os efeitos do SARS-CoV-2 na função dos pulmões.

A vitamina A tem ação inibitória na proliferação de vários vírus, incluindo influenza, hepatite B, entre outros. Há sugestões de que ela bloqueie outros coronavírus.

Em 27 de junho de 2020, existiam cinco testes clínicos registrados para avaliação da suplementação de vitamina A em pacientes com COVID-19.

A suplementação com vitaminas poderia representar uma abordagem segura e barata contra a infecção pelo SARS-CoV-2. Enquanto a dieta, a suplementação nutricional e procedimentos similares mostram grande potencial para prevenir e tratar a COVID-19, dados científicos sólidos são necessários para dar suporte a essa sugestão.

A CIÊNCIA ESTÁ DE OLHO NAS VITAMINAS. ENQUANTO ISSO, O QUE NÓS PODEMOS FAZER É CUIDAR DA NOSSA ALIMENTAÇÃO DE FORMA A EVITAR A DEFICIÊNCIA VITAMÍNICA.

FONTE: Vitamin deficiency as risk factor for SARS-CoV-2 infection: correlation with susceptibility and prognosis. A. ALLEGRA, A. TONACCI, G. PIOGGIA, C. MUSOLINO, S. GANGEMI. European Review for Medical and Pharmacological Sciences 2020; 24: 9721-9738.

Deficiência de vitamina como fator de risco para a COVID-19: vitamina B.

Esse é o terceiro post da série sobre deficiência de vitamina e COVID-19. Hoje vamos falar da vitamina B.

O complexo de vitaminas B consiste em oito vitaminas (B1, B2, B3, B5, B6, B7, B9 e B12), importantes como coenzimas. Por exemplo, a vitamina B12 é uma das coenzimas mais complexas existente na natureza. A fonte de vitamina B12 é, principalmente, alimento de origem animal, portanto, sua suplementação é sugerida na dieta vegetariana/vegana. É frequente encontrar baixos níveis de vitamina B12 correlacionados a situações fisio-patológicas (gravidez, idade avançada, cirurgia bariátrica, doenças gastrointestinais, tratamentos medicamentosos e desnutrição relacionada à uremia).

O interesse no possível uso do complexo de vitaminas B em pacientes com COVID-19 é essencialmente baseado em dados indiretos. As vitaminas B são reconhecidas como estimulantes do sistema imunológico. Em especial, a vitamina B2, junto com a luz ultravioleta, diminuiu os títulos do coronavírus da MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) para níveis não detectáveis em estudos in vitro.

Em 27 de junho de 2020, existiam cinco testes clínicos registrados para avaliação da suplementação de vitamina B em pacientes infectados pelo SARS-CoV-2. Esses estudos tentam avaliar a suplementação com vitamina B em combinação com outros medicamentos.

FONTE: Vitamin deficiency as risk factor for SARS-CoV-2 infection: correlation with susceptibility and prognosis. A. ALLEGRA, A. TONACCI, G. PIOGGIA, C. MUSOLINO, S. GANGEMI. European Review for Medical and Pharmacological Sciences 2020; 24: 9721-9738.

Deficiência de vitamina como fator de risco para a COVID-19: vitamina C.

Continuando a série de posts sobre a relação entre deficiência vitamínica e COVID-19, hoje vamos falar sobre a vitamina C.

A vitamina C (ácido ascórbico) tem muitas características que a tornam interessante para prevenir e curar infecções virais. A ação antiviral do ácido ascórbico já é conhecida há, pelo menos, 80 anos. O seu uso como medicamento contra doenças infecciosas também é bastante relatado. Muitos mecanismos estão envolvidos na ação antiviral da vitamina C, incluindo ações imunomodulatórias.

Há proposta de que a vitamina C reduza a duração da gripe comum, mas os efeitos contra a COVID-19 não são conhecidos.  Uma análise de 12 estudos com 1.766 pacientes internados em UTI mostrou que a vitamina C reduziu a duração da internação em 8%. Em outra análise, oito estudos demonstraram que a vitamina C reduziu o período de ventilação mecânica em pacientes que necessitaram desta intervenção. Além disso, há provas de que as concentrações de vitamina C caem drasticamente em pacientes com doença severa. Por fim, a vitamina C é capaz de reduzir a tempestade de citocinas via mecanismos desconhecidos.

Os efeitos gastrointestinais adversos (vômito, diarreia, desconforto abdominal, etc) podem limitar as doses usadas, sendo que altas doses de vitamina C podem se correlacionar com o desenvolvimento de cálculos renais.

Em 26 de junho de 2020, existiam 25 testes clínicos registrados para testar o efeito da suplementação de vitamina C em pacientes infectados pelo SARS-CoV-2.  Alguns desses protocolos são testes controlados com a monoterapia com vitamina C para tratamento da COVID-19, enquanto outros protocolos testam a vitamina C em combinação com outros medicamentos, tanto no tratamento como na prevenção da doença. Um teste clínico randomizado está analisando a eficácia e segurança do uso da vitamina C contra a pneumonia associada à COVID-19.

Há necessidade urgente de se examinar os usos da vitamina C na pré-infecção e na pós-infecção, assim como nos diferentes estágios da doença.

COMO TUDO NA VIDA, A RESPOSTA É O EQUILÍBRIO. NEM FALTA DE VITAMINA C, NEM EXCESSO DESNECESSÁRIO.

FONTE: Vitamin deficiency as risk factor for SARS-CoV-2 infection: correlation with susceptibility and prognosis. A. ALLEGRA, A. TONACCI, G. PIOGGIA, C. MUSOLINO, S. GANGEMI. European Review for Medical and Pharmacological Sciences 2020; 24: 9721-9738.

Deficiência de vitamina como fator de risco para a COVID-19: vitamina D.

Pesquisadores italianos publicaram uma revisão com o objetivo de avaliar se a deficiência de vitaminas poderia causar um maior risco para a infecção pelo SARS-CoV-2 ou para o aparecimento de complicações e se a suplementação vitamínica poderia ser útil como terapia complementar. Foram avaliadas as vitaminas D, C, B e A. Separamos alguns trechos do artigo para vocês e hoje falaremos da vitamina D. Essa vitamina é lipossolúvel e é introduzida no organismo de duas maneiras: via luz solar e via alimentação ou suplementação.

Há controvérsia na literatura sobre o efeito da vitamina D na COVID-19. Artigos recentes publicados na forma de preprints (ainda não avaliados para publicação em revistas científicas) afirmam que há uma relação entre baixas quantidades de vitamina D e infecção pelo SARS-CoV-2. Além disso, níveis reduzidos de vitamina D parecem correlacionar com doença mais severa. Por outro lado, alguns autores relatam que não há evidência direta para uma relação causal entre níveis de vitamina D e infecção pelo SARS-CoV-2.

Sabe-se que a vitamina D aumenta a ação do sistema imunológico inato e modifica a resposta imunológica celular. Já foi demonstrado que a suplementação de vitamina D reduz a expressão da proteína ACE2 em algumas células, podendo impedir a entrada do vírus.  Além disso, a deficiência em vitamina D é relacionada a aumento de complicações de trombose, que são comumente detectadas na COVID-19.

Em 27 de junho de 2020 existiam 28 testes clínicos registrados para investigar a suplementação de vitamina D em combinação com outros medicamentos na terapia de COVID-19.

Pode ser prematuro propor uma suplementação massiva de vitamina D com o objetivo de tratar a COVID-19, mas seria lógico avaliar essa suplementação para auxiliar na saúde dos pacientes com deficiência vitamínica. Movimentos físicos e exposição ao sol podem ser bons para a saúde global nessa época de crise.

UMA BOA ALIMENTAÇÃO, EXERCÍCIOS FÍSICOS REGULARES, SONO EM QUANTIDADE E QUALIDADE ADEQUADOS E EXPOSIÇÃO À LUZ SOLAR SÃO GRANDES ALIADOS NA MANUTENÇÃO DA NOSSA SAÚDE.

FONTE: Vitamin deficiency as risk factor for SARS-CoV-2 infection: correlation with susceptibility and prognosis. A. ALLEGRA, A. TONACCI, G. PIOGGIA, C. MUSOLINO, S. GANGEMI. European Review for Medical and Pharmacological Sciences 2020; 24: 9721-9738.

Trabalhando em uma bolha: como os escritórios podem reabrir limitando os riscos de surtos de COVID-19?

Uma proporção substancial da disseminação do SARS-CoV-2 tem sido associada a contatos nos locais de trabalho. Medidas de mitigação em muitos países incorporaram o fechamento temporário de serviços não essenciais.

Mas, o que pode ser feito para limitar a disseminação do SARS-CoV-2 no trabalho?

É amplamente aceito que as medidas de distanciamento físico reduzem a disseminação do vírus. Para muitas pessoas, essas medidas foram adotadas com o trabalho em casa (home office). Porém, para as pessoas cujos empregos requerem presença física no local de trabalho, o distanciamento físico completo pode não ser possível. Uma forma de equilibrar o distanciamento físico e a necessidade de presença no local de trabalho é a adoção de uma estrutura de grupos (bolhas), de tal forma que os funcionários de um grupo não entrem em contato com os pertencentes a outro grupo. Essa estrutura de bolhas pode ser criada de várias formas: separação física dentro do local de trabalho, separação temporal via rotação dos grupos de trabalho ou ambos.

Outro pilar contra a COVID-19 é a identificação e isolamento dos casos (pessoas infectadas). O sucesso dessa estratégia está diretamente relacionado com a velocidade na qual os indivíduos com sintomas positivos se isolam, a disponibilidade de testes e a capacidade para rastreamento dos contatos.

Quando considerada em conexão com a estratégia de bolhas de trabalho, a triagem diária de sintomas é amplamente vista como outra forma de reduzir a probabilidade de um surto entre funcionários de uma empresa. Funcionários com sintomas compatíveis com COVID-19 (febre, tosse, etc) são instruídos a ficar em casa e a procurar as autoridades de saúde locais para fazer o teste de COVID-19.

Se as bolhas de trabalho forem cuidadosamente gerenciadas, um funcionário que teste positivo para o SARS-CoV-2 pode notificar seu empregador, que irá instruir os demais funcionários da mesma bolha (grupo de trabalho) a se isolarem. Essa estratégia de isolamento rápido é benéfica para a saúde pública e para o empregador, restringindo a exposição dos funcionários e potencialmente controlando o surto.

FONTE: Working in a bubble: How can businesses reopen while limiting the risk of COVID-19 outbreaks? Jeffrey Shaw, Troy Day, Nadia Malik, Nancy Barber, Hayley Wickenheiser, David N. Fisman, Isaac Bogoch, John I. Brownstein, Tyler Williamson. CMAJ 2020. doi: 10.1503/cmaj.201582; early-released September 30, 2020.

Pesquisadores analisam série histórica de casos de COVID-19 nas regiões brasileiras.

Pesquisadores brasileiros analisaram dados disponibilizados nos portais das Secretarias de Saúde Estaduais, SUS e Fiocruz sobre casos de COVID-19 de março a maio de 2020.  Foi analisada a taxa de incidência (número de novos casos/número total de indivíduos na população) e o coeficiente de letalidade (número de óbitos por COVID-19/número de casos de COVID-19).

As maiores incidências foram nos estados do Amapá, Amazonas e Acre, com tendência de crescimento da contaminação. Ceará foi o único estado com decréscimo na incidência entre 15 e 30 de maio (redução de quase 80%), o que pode demonstrar a eficácia das medidas de controle da epidemia. No último período analisado, os estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo e Ceará tiveram as maiores taxas de letalidade. Quando a letalidade foi analisada por região, as maiores taxas foram observadas na região Sudeste, porém todas as regiões mostraram tendência de decréscimo.  

A configuração do isolamento diferiu de região para região, tendo sido mais restritivo em alguns locais do que em outros. A notificação do primeiro caso também diferiu entre as regiões, o que reflete na dificuldade de definir o estágio da pandemia que cada estado está encarando.  Outro ponto importante é que o número de testes realizados é diferente entre os estados, o que afeta diretamente as estimativas de incidência. É também importante ressaltar a grande desigualdade social observada entre os estados brasileiros.

Foi possível observar uma média nacional de deslocamentos à procura de serviços de saúde de média e baixa complexidade de 72 km, mas existem diferenças profundas entre as regiões. Manaus atraiu as viagens mais longas (418 km em média). Goiânia atraiu pacientes provenientes do maior número de cidades (115 cidades). Em relação aos serviços de saúde de alta complexidade, a média nacional de deslocamento foi 155 km, porém na região Norte foi 276 km e no Centro-Oeste foi 256 km. Três estados apresentaram médias muito acima das nacionais: Roraima e Amazonas com 471 e 472 km, respectivamente, e Mato Grosso, com 370 km.

De acordo com dados do último censo feito no Brasil (ano 2010), as regiões Sudeste e Sul possuem o maior percentual de habitantes com mais de 65 anos de idade. Esses dados são relevantes, já que os idosos são um dos grupos de risco para a COVID-19, necessitando de serviços de saúde mais especializados.

FONTE: Historical series of cases of COVID-19 in Brazilian regions in the year of 2020. Guilherme Pertinni de Morais Gouveia, Samara Sousa Vasconcelos Gouveia, Samila Sousa Vasconcelos, Elisson de Sousa Mesquita Silva, Rebeca Galdino Medeiros, Rosangela Lago da Silva. J. Health Biol Sci. 2020;8(1):1-7. doi: 10.12662/2317-3206jhbs.v8i1.3432.p1-7.2020.

Transmissão do SARS-CoV-2 a partir de humanos para gatos.

Durante a atual pandemia de COVID-19, infecções pelo SARS-CoV-2 com transmissão a partir de humanos para gatos e cães domésticos, entre outros animais, têm sido relatadas. Presentemente, não há evidências de transmissão a partir dos gatos para seres humanos ou que animais domésticos possam ter um papel apreciável na epidemiologia das infecções em humanos.

Para determinar se o SARS-CoV-2 seria detectado na população de felinos do Reino Unido, um programa de testagem foi realizado. 387 suabes de orofaringe de felinos foram analisados no serviço de Diagnóstico Veterinário da Universidade de Glasgow. Foi feita a extração do RNA e as amostras foram testadas por RT-qPCR. As amostras foram obtidas durante o período de transmissão comunitária da COVID-19 no Reino Unido.

Entre os 387 suabes testados, um foi positivo. Esse gato também foi positivo para o herpesvírus felino.  É possível que a coinfecção com o SARS-CoV-2 tenha levado à reativação do herpesvírus felino. Um segundo gato vivia na mesma residência, mas teve resultados negativos para RT-PCR e anticorpos contra o SARS-CoV-2, indicando que o vírus não foi transmitido entre os dois animais.

Uma análise do genoma do SARS-CoV-2 do gato positivo demonstrou alto grau de conservação de sequência com genomas derivados de humanos infectados, mas a sequência do genoma do vírus do proprietário do animal não estava disponível para comparação.

Esses resultados têm implicações potenciais para o manejo de gatos pertencentes a pessoas que desenvolvem infecção pelo SARS-CoV-2.

FONTE: Respiratory disease in cats associated with human-to-cat transmission of SARS-CoV-2 in the UK. Margaret J Hosie et al. bioRxiv preprint doi: https://doi.org/10.1101/2020.09.23.309948. 23 setembro 2020.

Mais informações sobre vacinas contra a COVID-19…

Uma vacina contra o Sars-Cov-2, para ser comercializada e aplicada, ao final da fase de testes em humanos deve demonstrar ser segura, com poucos efeitos colaterais e eficaz. Mas, na situação de emergência em que vive o mundo, algumas delas já estão sendo comercializadas antes de serem estabelecidas as suas segurança e eficácia.

Uma boa vacina deverá fornecer uma memória imunológica longa, se possível deve proteger ao longo de toda uma vida. Ainda como desafio à efetividade, uma vacina deve atingir ampla cobertura nas populações-alvo mediante campanha de vacinação adequada. Nesse aspecto, o Brasil tem uma vantagem importante pela existência do Programa Nacional de Imunizações do SUS.

Será necessário também superar os movimentos ideológicos antivacinas. Por exemplo, desde 2019 vem ocorrendo entre nós um surto sustentado de casos de sarampo. Vários fatores parecem estar contribuindo para o recrudescimento de uma doença que teve sua transmissão interrompida no país em 2000, entre eles o movimento mundial antivacinas.

Em relação às vacinas contra a COVID-19, o Brasil está entre os 75 países aderentes ao Covax Facility mediante o acordo que o Ministério da Saúde/Fiocruz/BioManguinhos estabeleceu com a AstraZeneca/Universidade de Oxford, no valor de US$ 127 milhões para a aquisição de 30,4 milhões de doses de vacina por eles desenvolvida (projetada pela plataforma de um vetor viral), incluída a transferência de sua tecnologia para BioManguinhos e a possível abertura do mercado latino-americano para a vacina produzida aqui. Essa decisão arrojada pretende garantir algum grau de prioridade no fornecimento da mesma à população brasileira no caso de um final feliz para o produto.

Outra importante iniciativa doméstica para a produção de uma vacina contra o SARS-CoV-2 foi patrocinada pelo governo de São Paulo/Instituto Butantã que, em 11 de junho de 2020, anunciou um acordo com a empresa chinesa Sinovac para a participação em ensaio clínico de fase III, já iniciado no Brasil, e futura produção de sua vacina. Ela utiliza uma plataforma de vírus inativado, na qual o Butantã possui larga experiência de desenvolvimento e produção. Pelo informe do instituto, o acordo assinado se refere à participação no ensaio e inclui também cláusula de transferência da tecnologia.

FONTE: Vacinas Anticovid: um Olhar da Saúde Coletiva. Reinaldo Guimarães. Ciênc. saúde coletiva vol.25 no.9 Rio de Janeiro set. 2020  Epub 28-Ago-2020. https://doi.org/10.1590/1413-81232020259.24542020.

Estimando o impacto da duração da quarentena na transmissão da COVID-19.

Devido à grande probabilidade de transmissão a partir de indivíduos pré-sintomáticos ou assintomáticos, a quarentena pode impedir uma fração significativa da transmissão que não seria detectável e, portanto, seria difícil de impedir. Por exemplo, a aferição de temperatura nos aeroportos permitiu que mais de 50% dos viajantes infectados entrassem em contato com a população em geral, o que teria sido impedido por uma quarentena compulsória.

Em teoria, a quarentena poderia ser evitada com a testagem de indivíduos de alto risco, mas a baixa especificidade da tecnologia de testagem atual, particularmente no início da infecção, e a limitada capacidade de testagem impedem essa abordagem.

Usando modelagem matemática, pesquisadores suíços mostraram que manter em quarentena um contato de alguém infectado por 10 dias pode impedir entre 75 e 99% da transmissão do vírus. Para viajantes infectados, a eficiência da quarentena por 10 dias é mais incerta, já que a data do contágio não é conhecida. Se a infecção ocorreu bem antes do retorno do viajante, não é esperado que eles permaneçam infecciosos por um longo tempo. Mas se o viajante foi infectado durante o voo de retorno, uma quarentena de 10 dias irá impedir 99% da transmissão. Porém, qualquer decréscimo na duração da quarentena irá resultar em um aumento da transmissão e esse fato não pode ser ignorado.

Um argumento para o encurtamento da duração da quarentena é que quarentenas mais curtas iriam levar a uma maior adesão das pessoas. Os pesquisadores, portanto, estimaram o aumento na adesão que é necessário para manter a eficácia da quarentena. Foi concluído que a diminuição da duração da quarentena de 10 para 5 dias iria requerer mais que o dobro de indivíduos em quarentena para manter a eficácia.

Os pesquisadores chamam a atenção para o fato de os resultados apresentados serem provenientes de modelagem matemática. Não existem estudos reais que estimem o impacto da duração da quarentena na transmissão da COVID-19.

FONTE: Quantifying the impact of quarantine duration on COVID-19 transmission. Peter Ashcroft, Sonja Lehtinen, e Sebastian Bonhoeffer. medRxiv doi: https://doi.org/10.1101/2020.09.24.20201061.  September 25, 2020.

Até que ponto o hábito dos cuidados pessoais será eficaz para conter a disseminação da COVID-19 no pós-lockdown?

Após um primeiro pico de infecções, a maioria dos países decidiu reabrir suas economias, permitindo que pessoas suscetíveis se locomovam livremente, apesar da prevalência do vírus e da falta de vacinas aprovadas. Portanto, o maior risco de contágio é causado pelo contato sustentado com pessoas assintomáticas, particularmente em aglomerações ou locais pouco ventilados.

Consequentemente, medidas de proteção individual voluntárias (manutenção do distanciamento físico, uso de protetores faciais e lavagem frequente das mãos) serão de extrema importância para combater a transmissão da COVID-19 no cenário de reabertura.  

Estudos demonstraram que lavar as mãos com uma frequência de 6 a 10 vezes por dia reduz o risco pessoal de infecção em cerca de 34%. De forma similar, o uso de máscaras de proteção facial é recomendado como uma barreira necessária para evitar a infecção por meio de gotículas contendo o vírus. Mesmo que as máscaras não ofereçam 100% de proteção, reduzem a quantidade de partículas virais a que uma pessoa suscetível está exposta, presumivelmente levando a infecções assintomáticas ou leves.

Pesquisadores colombianos analisaram, por modelagem matemática, a eficácia dessas medidas de proteção individual em cenários de reabertura das cidades pós-lockdown. A manutenção do distanciamento físico entre as pessoas teve o papel principal no decréscimo do risco de infecção. Porém, para haver supressão efetiva de uma segunda onda de COVID-19, a adoção pela população de, pelo menos, um dos outros dois hábitos (uso de máscaras e lavagem frequente das mãos) é essencial.

VAMOS FAZER A NOSSA PARTE: USEM MÁSCARAS, LAVEM AS MÃOS FREQUENTEMENTE E PRATIQUEM O DISTANCIAMENTO FÍSICO.

FONTE: Impact of Personal Care Habits on Post-Lockdown COVID-19 Contagion: Insights from Agent-based Simulations. Lindsay Álvarez-Pomar and Sergio Rojas-Galeano. medRxiv doi: https://doi.org/10.1101/2020.09.23.20200212. 25 setembro 2020.