No primeiro quadrimestre de 2020, mais de 100 testes para detecção de anticorpos IgM/IgG, denominados de rápidos, foram comercializados. Existem, porém, preocupações importantes acerca da qualidade e performance de diagnóstico dos testes rápidos para a COVID-19. Por exemplo, no final de março o governo espanhol devolveu um carregamento de testes rápidos porque eles foram julgados não confiáveis.
O objetivo do estudo foi avaliar a performance diagnóstica de sete testes rápidos para detecção de anticorpos contra o SARS-CoV-2. Foram determinadas a especificidade (capacidade que o teste tem de ser negativo para indivíduos que não têm a doença), sensibilidade (capacidade que um teste tem de ser positivo em indivíduos que estão efetivamente doentes) e tempo de soropositividade para IgM e IgG. Foram analisados 103 pacientes de um hospital na Bélgica. Como controle negativo, foram utilizadas amostras de indivíduos coletadas antes de janeiro de 2020, que incluíam pacientes com outras doenças respiratórias (não-COVID-19), pacientes confirmados para outros coronavírus que não o SARS-CoV-2 e pacientes com outras viroses.
A especificidade dos testes rápidos variou entre 91,3% e 100% para IgM e entre 90,3% e 99% para IgG, dependendo do kit testado.
A sensibilidade da maioria dos testes rápidos foi menor que 50% durante a primeira semana após o aparecimento dos sintomas, inclusive em pacientes testados na admissão ao hospital, sugerindo que a performance dos kits rápidos para diagnóstico na admissão não é boa. A baixa sensibilidade na admissão não é surpreendente, já que o tempo médio para admissão do paciente ao hospital neste trabalho foi 7 dias após o início dos sintomas, enquanto o tempo médio para soropositividade foi de 7 a 14 dias.
Após duas semanas (dias 14 a 25), a sensibilidade ficou entre 50% e 97,4% para IgM, dependendo do kit, e foi de 100% para IgG. Quando comparados diferentes kits para a detecção de IgM, houve uma concordância de apenas 70% nos resultados. A concordância para IgG entre os kits foi de aproximadamente 90%.
Apesar da sugestão inicial de que IgM apareceria antes do que IgG, os resultados demonstraram que as classes de anticorpos IgM e IgG contra o SARS-CoV-2 aparecem simultaneamente.
Entre as limitações do trabalho mencionadas pelos autores, está o fato de que não foram estudadas pessoas assintomáticas ou com sintomas leves. Questões importantes ainda permanecem sem resposta: Pode alguém ser colonizado pelo SARS-CoV-2 e não desenvolver IgG? Nesse caso, essa pessoa estaria protegida contra uma reinfecção? Finalmente, ainda não é claro se os anticorpos IgG são protetores contra reinfecção.
FONTE: Diagnostic Performance of Seven Rapid IgG/IgM Antibody Tests and the Euroimmun IgA/IgG ELISA in COVID-19 Patients. J Van Elslande, E Houben, M Depypere, A Brackenier, S Desmet, E André, M Van Ranst, K Lagrou, P Vermeersch. Clin Microbiol Infect. 2020 May 28;S1198-743X(20)30300-1. doi: 10.1016/j.cmi.2020.05.023.
