Estudos conduzidos no Reino Unido no âmbito do protocolo RECOVERY, desenhado para avaliar a eficácia de vários tratamentos para a COVID-19, concluíram recentemente que o uso de baixas doses de dexametasona reduziu o número de óbitos em pacientes que necessitaram de suporte respiratório. Foram estudados pacientes hospitalizados com infecção pelo SARS-CoV-2 (confirmada clínica ou laboratorialmente).
O protocolo RECOVERY é um teste clínico controlado de larga escala. Mais de 11.500 pacientes de 175 hospitais foram avaliados de forma randômica com os seguintes tratamentos:
- Antivirais Lopinavir-Ritonavir (normalmente usados para tratar AIDS)
- Baixas doses de Dexametasona (um tipo de esteroide usado para reduzir inflamação)
- Hidroxicloroquina (cujos testes foram interrompidos por não demonstrar eficácia)
- Azitromicina (antibiótico)
- Tocilizumab (anti-inflamatório)
- Plasma convalescente (coletado de doadores que se recuperaram da COVID-19 e tinham anticorpos contra o SARS-CoV-2).
Um total de 2.104 pacientes receberam dexametasona uma vez ao dia (via oral ou intravenosa) por dez dias e foram comparados com 4.321 pacientes do grupo controle (tratamento usual, sem dexametasona). Entre os pacientes que receberam o tratamento usual, a taxa de mortalidade no 28º dia foi maior entre aqueles que requereram ventilação (41%), intermediária entre os pacientes que requereram apenas oxigênio (25%) e menor entre os que não necessitaram de intervenção respiratória (13%).
A dexametasona reduziu as mortes em um terço nos pacientes com ventilação e um quinto nos pacientes que precisaram de oxigênio apenas. Não houve benefício para os pacientes que não necessitaram de suporte respiratório.
De forma geral, a dexametasona reduziu em 17% a taxa de mortalidade no 28º dia, com maior benefício para os pacientes que requereram ventilação. É importante reconhecer que não foram encontradas evidências de benefícios para pacientes que não requereram oxigênio e não foram estudados pacientes fora do ambiente hospitalar.
Os resultados ainda não foram publicados na forma de artigo científico.
