Em uma carta ao editor da revista GeroScience, pesquisadores de vários países argumentaram que pouca atenção tem sido dada à ligação entre a imunossenescência (deterioração do sistema imunológico produzida pelo envelhecimento) e a alta taxa de mortalidade entre idosos.
Provavelmente esse fenômeno é multifatorial. Por exemplo, indivíduos idosos com COVID-19 severa têm maior prevalência de comorbidades. O acúmulo progressivo de células senescentes pode ter um papel na vulnerabilidade desses indivíduos à COVID-19, resultando em funcionalidade reduzida dos órgãos e facilitando as condições para desenvolvimento de fibrose.
Um importante fator para a rápida disseminação de vírus emergentes é a sua introdução em uma população humana não exposta a eles anteriormente. A indução da resposta imune contra esses vírus depende do seu reconhecimento por células T naive (células T que nunca encontraram um antígeno diferente). Esse tipo de células T diminui com a idade, alcançando números muito baixos em idosos. Os autores acreditam que isso possa contribuir para a maior severidade dos sintomas em pacientes idosos.
Pacientes infectados com o SARS-CoV-2 têm pronunciada redução na contagem de células T e a normalização da contagem coincide com a melhoria das condições clínicas.
Finalmente, a ativação da resposta de células T, que já demonstrou ter longa duração nas infecções pelo SARS-CoV e pelo MERS-CoV, deveria ser considerada no desenvolvimento de vacinas contra a COVID-19.
FONTE: Age-related decline of de novo T cell responsiveness as a cause of COVID-19 severity. Francesco Nicoli & Maria Teresa Solis-Soto & Deepak Paudel & Peggy Marconi & Riccardo Gavioli & Victor Appay & Antonella Caputo. GeroScience https://doi.org/10.1007/s11357-020-00217-w. Publicado online 24/06/2020.
