As epidemias sempre transformaram nosso ambiente construído por causa do medo da infecção. Por exemplo, a estética clean pode ser parcialmente atribuída à tuberculose. Os arquitetos desenharam os ambientes a partir de preocupações com os efeitos curativos da luz, do ar e da natureza. Essas construções incluíram grandes janelas, varandas, superfícies que não acumulam poeira e pintura branca, enfatizando a sensação de limpeza.
Será que a era pós-pandemia irá gerar um novo conceito em urbanismo baseado no distanciamento social? O que acontecerá com o transporte público? Será que a COVID-19 será um catalisador da descentralização das cidades e do incentivo à locomoção a pé? Qual é o futuro dos espaços de trabalho coletivos? Nossas casas terão que se adaptar para acomodar os espaços de trabalho? Devem ser autossuficientes, com cultivo de itens para alimentação? Será que os arranha-céus continuarão a ser construídos? As pessoas irão querer usar elevadores? A pandemia irá acelerar a era da automação nas nossas cidades?
Com a atitude de se manter em casa, essencial para a resposta à COVID-19, as características da casa passaram a ter grande importância. A permanência em casa por longo tempo traz desafios. Espaços superlotados aumentam o risco de transmissão de infecções. Temos que pensar em casas separadas e rodeadas por um jardim, facilitando o distanciamento social. Os prédios terão corredores mais largos e mais escadas, já que evitaremos o uso de elevadores.
Escritórios poderão usar radiações germicidas para desinfetar os ambientes à noite ou entre reuniões, uma prática que já é utilizada em hospitais. Os shopping centers perderão seu apelo e serão substituídos pelos mercados tradicionais da vizinhança.
É importante que essas questões comecem a ser pensadas agora para que não tenhamos que esperar que uma nova pandemia nos sirva de lembrete.
FONTE: Antivirus-built environment: lessons learned from covid-19 pandemic. Naglaa A.Megaheda e Ehab M. Ghoneim. Sustainable Cities and Society. Available online 24 June 2020, 102350https://doi.org/10.1016/j.scs.2020.102350.
