Em carta ao editor da revista Einstein, uma publicação oficial do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, pesquisadores alertam para o risco relacionado aos critérios atuais para classificação de um paciente como curado da COVID-19.
Os critérios adotados até então por muitos países, como o Brasil, com respeito à evolução para cura de pacientes assintomáticos ou com sintomas leves, podem representar riscos, devido a algumas limitações para o monitoramento da evolução da infecção.
A recomendação atual, nesses casos, prevê a realização de testes laboratoriais confirmatórios de cura apenas para os casos graves da doença. Os casos de pacientes com sintomas leves ou assintomáticos, mesmo com confirmação laboratorial para o diagnóstico inicial, seguem, na maior parte das vezes, apenas critérios clínicos para estabelecimento de classificação final como cura, com base geralmente em relatos dos pacientes.
Diante da possibilidade de persistência dos sintomas de forma intermitente em pacientes com sintomas leves por período superior a 14 dias e da inviabilidade de prover critérios clínicos adequados para avaliação de casos assintomáticos, o número de curados no mundo pode estar consideravelmente superestimado. Além disso, pessoas assintomáticas ainda não curadas podem estar retornando aos seus postos de trabalho e às atividades de rotina, colocando em perigo grande parte da população.
FONTE: Number of COVID-19 patients classified as cured: an imminent danger for the population. Marcos Roberto Tovani-Palone, Stefano Lacagnina, Lorenzo Ferro Desideri. Einstein (São Paulo). 21/Oct/2020;18:eCE6146. DOI:10.31744/einstein_journal/2020CE6146
