Redigido por Eduarda Nabinger, graduanda em Biomedicina UFRGS
Revisado por Dra. Patricia Valente, Professora Titular do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFRGS
A criptococose é uma doença causada por fungos do gênero Cryptococcus. Essa micose tem diferentes formas de atuação, tendo início em forma pulmonar, mas com a progressão da doença, pode afetar a pele, ossos e cérebro. Geralmente acontece de maneira assintomática, isto é, não apresenta sintomas na pessoa infectada, ou de forma leve, com tosse, febre e mal-estar. Porém, em populações com doenças que afetam a imunidade, como AIDS, lúpus e transplantados, o risco para o desenvolvimento da doença e agravamento dos casos é maior.
Dentre as espécies de Cryptococcus, o Cryptococcus neoformans apresenta o maior risco para grandes cidades. O principal local onde o fungo é encontrado são em fezes de pombo. O Cryptococcus neoformans é uma levedura encapsulada, que se reproduz de maneira assexuada ou sexuada. A forma assexuada acontece por brotamento, onde uma célula inicial forma brotos, ou seja, novas células. Já na forma sexuada há formação de esporos, pequenas estruturas que são responsáveis por sua infecção.
A infecção acontece pela inalação dos esporos do fungo, presentes nas fezes secas dos pombos. Ao serem inalados, esses esporos vão para os pulmões e se reproduzem. Dos pulmões, eles podem ser espalhados pelo corpo pela corrente sanguínea, podendo afetar cérebro, pele, ossos, entre outros órgãos.

O diagnóstico de criptococose acontece por exame direto, onde é observada a presença do fungo ao microscópio. Além disso, podem ser realizados testes complementares, como o diagnóstico imunológico e provas bioquímicas.
Para o tratamento, são utilizados fármacos antifúngicos, como o Fluconazol. Porém, o tratamento depende da manifestação clínica da doença e se ela está associada ou não ao HIV. Pacientes com AIDS, passam por três fases de tratamento: a primeira é responsável por diminuir a presença do fungo, depois é realizado acompanhamento para confirmar os resultados negativos e, por fim, é realizada a administração contínua de antifúngicos com objetivo de evitar o seu reaparecimento.
A principal medida de prevenção dessa micose é o controle da proliferação de pombos e limpeza de áreas com acúmulo de fezes dos animais. Além disso, é importante a conscientização da população sobre os riscos da doença e a importância de atuar para controlar a população de pombos nas cidades. Assim, o controle da doença depende da ação em conjunto da população, evitando os riscos para as populações vulneráveis.
Referências:
Matos, CS. Caracterização fenotípica e genotípica de isolados clínicos de Cryptococcus spp., no estado da Bahia. Dissertação mestrado – UFBA. Salvador. 2011.
ZAITZ, C. Compêndio de Micologia Médica, 2ª edição. São Paulo: Grupo GEN, 2010. E-book. ISBN 978-85-277-1962-9. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1962-9/.
CRIPTOCOCOSE. [2009]. O que é a Criptococose?. Disponível em: < http://criptococosenaenferma gem.blogspot.com/2009_11_01_archive.html>.

