Sistema imunológico de recém-nascidos e a amamentação

Redigido por Fernanda Back, Luiza Almada e Matheus Fabre, graduandos em Biotecnologia, UFRGS.

Revisado por Dra. Adriana Simon Coitinho, Professora Associada do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFRGS.

Os recém-nascidos possuem um sistema imunológico em desenvolvimento, tornando-os mais suscetíveis a possíveis infecções, ocasionadas por diferentes tipos de patógenos. Assim, os anticorpos maternos são essenciais para a proteção dos recém-nascidos. Durante o período gestacional, a partir do terceiro trimestre, a mãe transfere anticorpos para o filho, principalmente IgG, através da placenta. Esse processo é conhecido como transferência passiva e fornece uma proteção temporária contra patógenos. Após o nascimento, durante os primeiros meses de vida, a mãe pode continuar transferindo anticorpos e agentes do sistema imune através do leite materno. Segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a amamentação deve ser realizada por pelo menos seis meses de vida, sendo o leite o único alimento nesse período. Depois desses seis meses, o leite deve ser um componente da alimentação. Através do leite materno se transferem anticorpos da classe IgA e também leucócitos, macrófagos e linfócitos entre outros componentes, que ajudam no combate a infecções. Os recém-nascidos possuem um sistema imunológico único, que é caracterizado pelo desenvolvimento da imunidade inata durante o período pré-natal e a maturação da imunidade adaptativa após o nascimento. A amamentação, então, auxilia no amadurecimento e desenvolvimento da imunidade inata e adaptativa dos recém-nascidos.

A imunidade inata é uma resposta rápida e uniforme a muitos estímulos, embora limitada, ela é composta por barreiras físicas, químicas e biológicas, células especializadas e moléculas solúveis. Essas defesas estão presentes em todos os indivíduos, independentemente de exposição prévia a imunógenos ou agentes agressores, e não sofrem modificação em qualidade ou quantidade após o contato. As principais células efetoras da imunidade inata são: macrófagos, neutrófilos, células dendríticas e células natural killers (NK). Essas células possuem funções como fagocitose, liberação de mediadores inflamatórios, ativação de proteínas do sistema complemento, além da síntese de proteínas, citocinas e quimiocinas. Esses mecanismos são ativados por estímulos específicos na presença de micro-organismos. Moléculas como lipopolissacarídeos, resíduos de manose e ácidos teicóicos são comumente encontradas na superfície de micro-organismos causadores de doenças e ativam a resposta imune inata, por interação com diferentes receptores moleculares. A imunidade inata não é específica para um patógeno particular e a sua resposta é a mesma, independentemente do número de vezes que o organismo foi exposto ao agente. Essa resposta é imediata e proporciona uma defesa rápida enquanto o sistema imunológico adaptativo entra em ação para fornecer uma ação mais específica e duradoura.

A Imunidade adaptativa desenvolve-se ao longo da vida e, diferentemente da imunidade inata que é inespecífica, ela se desenvolve quando um corpo estranho, ou seja, um antígeno entra em contato com o organismo desencadeando uma resposta imunológica específica. Apesar de ter um período longo de desenvolvimento após o primeiro contato como o corpo estranho, há o reconhecimento de futuras infecções, devido seu mecanismo de memória imunológica. As principais células envolvidas no processo de defesa são os linfócitos T e B, os quais atravessam a rede sanguínea até o local da infecção quando necessário. Os linfócitos T necessitam do auxílio de receptores que reconhecem antígenos apresentados por moléculas ligadas a células apresentadoras de antígenos (APCs) que secretam citocinas e promovem a proliferação e diferenciação das células T em efetoras e de memória. Já os linfócitos B quando são ativados a partir do contato do seu receptor com um antígeno, ocorre a internalização do corpo estranho havendo a interação com linfócitos T, desencadeando a proliferação e diferenciação em plasmócito, responsáveis pela secreção de anticorpos, os quais executarão, dentre outros vários papéis, o revestimento de patógenos para que outras células do sistema imune, como macrófagos, possam destruir e controlar a infecção.

REFERÊNCIAS

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CRUVINEL, W. DE M. et al. Immune system: Part I. Fundamentals of innate immunity with emphasis on molecular and cellular mechanisms of inflammatory response. RevistaBrasileiradeReumatologia, v. 50, p. 434–447, ago. 2010.

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MAYER,    G.   http://pathmicro.med.sc.edu/Portuguese/immuno    -port-chapter1.htm.[s.d.].

WEITKAMP, J.-H.; LEWIS, D. B.; LEVY, O. 36 – Immunology of the Fetus and Newborn. Em: GLEASON, C. A.; JUUL, S. E. (Eds.). Avery’sDiseasesoftheNewborn (TenthEdition). Philadelphia: Elsevier, 2018. p. 453-481.e7.

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