Autor: Prof. Fabrício Campos, UFRGS
Revisor: Prof. Fernando Spilki, FEEVALE
O que é o vírus Monkeypox?
O vírus Monkeypox (MPXV) pertence ao gênero Orthopoxvirus e é responsável por causar a doença conhecida como varíola dos macacos. Embora tenha sido identificado pela primeira vez em 1958 em macacos de laboratório, sua origem está associada a pequenos roedores, considerados os principais reservatórios do vírus. Essa zoonose silvestre, inicialmente restrita ao continente africano, tornou-se uma emergência de saúde pública global a partir de 2022, devido à sua disseminação por todos os continentes. Desde então, milhares de casos em humanos de diferentes faixas etárias foram relatados, com maior gravidade observada em pacientes pediátricos, imunocomprometidos e gestantes.
Estrutura do vírus
Os vírus do gênero Orthopoxvirus pertencem à família Poxviridae e são capazes de infectar mamíferos. Em humanos, esses vírus causam principalmente lesões cutâneas. Um dos membros mais conhecidos dessa família, o vírus da varíola, foi erradicado em 1980 por meio da vacinação. A estrutura dos vírus da família Poxviridae inclui um envelope e um genoma de DNA de dupla fita, que varia entre 170 a 250 mil pares de bases. Embora os genomas de DNA sejam menos propensos a mutações em comparação aos vírus de RNA, eles ainda podem sofrer recombinações, o que pode levar ao surgimento de novas linhagens virais.
Linhagens do Monkeypox e Situação Atual
Existem duas linhagens principais do vírus Monkeypox separadas por clados: o Clado I (com os subclados Ia e Ib) e o Clado II (com os subclados IIa e IIb). O Clado I, presente na Bacia do Congo (também conhecido como a linhagem da África Central), pode causar até 10% de mortalidade em humanos. O subclado Ia é tipicamente transmitido de animais (principalmente roedores) para humanos e é mais comum em áreas rurais de baixa densidade populacional. Já o subclado Ib tem recebido atenção especial, pois os dados epidemiológicos sugerem que ele se transmite mais facilmente entre humanos do que o subclado Ia, alcançando outros países africanos onde o vírus não havia sido previamente identificado. Por outro lado, o Clado II, encontrado na África Ocidental (sendo também conhecido como linhagem da África Ocidental), tem uma taxa de mortalidade significativamente mais baixa em comparação ao Clado I. O subclado IIb foi o responsável pela disseminação global em 2022, por meio de transmissão de humano para humano, levando a uma emergência de saúde pública internacional.
Transmissão e Sintomas
A principal forma de transmissão do Monkeypox ocorre através do contato direto entre humanos, incluindo relações sexuais. A presença de úlceras na boca, vagina e ânus pode ser um indicativo de infecção, e o sexo anal desprotegido tem sido identificado como uma via importante de disseminação do vírus. Em 2024, o subclado Ib foi associado a cerca de 18.000 casos suspeitos e pelo menos 600 mortes na República Democrática do Congo, reacendendo o alerta em relação ao Monkeypox. Os sintomas do vírus incluem febre, dores musculares, dor de cabeça, náuseas, vômitos, calafrios e lesões cutâneas dolorosas e cheias de líquido. A transmissão entre humanos ocorre principalmente pelo contato direto com as lesões cutâneas ou secreções respiratórias de pessoas infectadas, ou por meio de objetos contaminados, como roupas e lençóis. Profissionais de saúde, familiares e outras pessoas em contato próximo com o paciente estão em maior risco de infecção, pois a transmissão por gotículas respiratórias geralmente requer contato próximo e prolongado.
Mortalidade e Desafios no Diagnóstico
Embora o Clado I do vírus Monkeypox seja frequentemente associado a uma taxa de mortalidade de 10%, essa estimativa pode variar devido a fatores contextuais. Na República Democrática do Congo, por exemplo, a OMS estima uma taxa de letalidade de 3,5%, que pode ser exacerbada por co-infecções, especialmente com HIV, e por desnutrição em crianças. Esses fatores destacam a importância de um diagnóstico laboratorial preciso para a correta confirmação dos casos e a classificação adequada do vírus. O diagnóstico é realizado por PCR em amostras de lesões cutâneas, incluindo fluido de vesículas, pústulas, crostas secas, além de amostras de mucosas (oral, perianal ou genital) ou biópsias de pele, conforme a apresentação clínica. A confirmação definitiva é obtida por PCR, seguida de sequenciamento genético para caracterizar o vírus.
Vacinas e Controle do Surto
As pessoas infectadas com o vírus Monkeypox devem ser isolados e monitorados por um período de 21 dias. Durante esse intervalo, os sintomas podem desaparecer espontaneamente; no entanto, casos graves exigem tratamento com antivirais. As vacinas contra a varíola humana têm sido utilizadas no combate ao vírus Monkeypox, demonstrando boa eficácia e desempenhando um papel crucial na contenção dos surtos da doença.
Prevenção e Medidas de Controle
A prevenção contra o MPVX envolve evitar o contato próximo com pessoas infectadas e com animais que possam ser reservatórios do vírus. Medidas como o uso de luvas e máscaras, a prática de sexo seguro, a adoção de práticas adequadas de higiene e a realização de campanhas de conscientização pública são essenciais para conter a propagação do vírus. Além disso, é fundamental que os países onde casos já foram identificados desenvolvam estratégias de vacinação para prevenir a disseminação do vírus.
Conclusão
A recente propagação rápida do clado Ib do vírus MPOX representa um desafio significativo para a saúde pública global. A vigilância epidemiológica, a educação e a conscientização da população sobre os cuidados básicos para evitar a contaminação, juntamente com a vacinação, são cruciais para mitigar surtos. A conscientização pública e a implementação de medidas preventivas são essenciais para proteger a população e controlar a disseminação do vírus.
Referências
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