E se as doenças tropicais tivessem tanta atenção quanto a COVID?

Transcrevemos abaixo um artigo publicado na revista Nature. A autora, Francine Ntoumi, dirige a Fundação Congolesa para Pesquisa Médica e é professora sênior da Universidade Marien Ngouabi em Brazzaville, República do Congo, e do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de Tübingen na Alemanha. Leia o original na íntegra aqui.

“Durante todo o ano, a COVID-19 chamou a atenção do mundo. É como se nenhuma outra doença tivesse sido mais importante, mais contagiosa ou mais mortal.

Fundei um instituto de pesquisa sem fins lucrativos em 2008; estabelecemos o primeiro laboratório de biologia molecular da República do Congo, a única universidade pública do país. Nós monitoramos patógenos como aqueles que causam doenças gastrointestinais, malária, HIV, tuberculose (TB) e chikungunya – que juntos infectam mais de 250 milhões de pessoas a cada ano em todo o mundo e matam mais de 2,5 milhões. Para manter os tratamentos eficazes, avaliamos o desenvolvimento de resistência a medicamentos antimaláricos, antirretrovirais e antibióticos.

Nossos programas de pesquisa já estavam em vigor, portanto, poderíamos rapidamente mudar para testes de diagnóstico e estudos epidemiológicos baseados no sangue para entender como COVID-19 estava se espalhando no Congo e como manter os profissionais de saúde seguros. Desde março, três quartos do nosso tempo foram gastos no COVID-19.

Isso significa que estou negligenciando meu trabalho com outras doenças – que não estão indo embora. E não é só meu laboratório. Em outubro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o progresso contra a tuberculose pode estagnar: nos países com as maiores taxas da doença, o número de pessoas diagnosticadas e encaminhadas para atendimento caiu um quarto em comparação com o número do ano passado. Como muitos países implementaram bloqueios, hospitais e centros de saúde registraram uma queda significativa no número de pessoas que procuram tratamento.

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FONTE: What if tropical diseases had as much attention as COVID? Francine Ntoumi. Nature 587, 331 (2020). doi: https://doi.org/10.1038/d41586-020-03220-5

Você já se perguntou quantas partículas virais uma pessoa infectada tem?

Um artigo publicado na plataforma de preprints medRxiv (ainda não avaliado para publicação em uma revista científica) aborda esse assunto. Os autores estimaram o número total e a massa de vírions (partículas virais) do SARS-CoV-2 presentes em uma pessoa infectada durante o pico da infecção.

As concentrações das partículas virais podem ser mensuradas de diferentes maneiras, resultando em grandes diferenças nos valores e seus significados. Os autores usaram o número de cópias do RNA viral (medido pelo RT-PCR e incluindo vírions inativados) e o número de partículas infecciosas, excluindo vírions inativados (teste em cultura de tecidos utilizando uma metodologia que calcula a quantidade de partículas virais necessária para matar 50% das células infectadas – TCID50).

O número total de vírions em um indivíduo infectado durante o pico da infecção foi estimado em 109 a 1011 cópias de RNA ou 105 a 107 TCID50. A estimativa do número total de vírions no corpo de uma pessoa infectada pode ser usada para estimar o tamanho da população de células infectadas durante o pico da infecção. Mas para isso é necessário saber quantos vírions são encontrados em uma célula infectada. Também pode-se perguntar quantos vírions são produzidos por tempo durante o curso da infecção.

Os autores estimaram que cada célula infectada produz em média 10 vírions por dia. Para estimar a taxa de produção máxima para todas as células infectadas, esse número estimado para uma célula deve ser multiplicado por 104 – 106 células infectadas.

Essa perspectiva quantitativa pode ajudar no esforço atual de controle da COVID-19 para elucidar números importantes como as doses infecciosas mínimas e os limites nas testagens.

FONTE: The total number and mass of SARS-CoV-2 virions in an infected person. Ron Sender, Yinon M. Bar-On, Avi Flamholz, Shmuel Gleizer, Biana Bernsthein, Rob Phillips, Ron Milo. medRxiv preprint doi: https://doi.org/10.1101/2020.11.16.20232009

Uso de probióticos na COVID-19?

Os sintomas associados à infecção por COVID-19 são variados, como febre, tosse, letargia e sintomas gastrointestinais (GI), incluindo diarreia e colite. Os sintomas podem estar associados à disbiose microbiana (desequilíbrio do microbioma intestinal), tendo sido encontrado um declínio nos microrganismos benéficos Lactobacillus e Bifidobacterium.

O cenário atual exige uma investigação detalhada de novas abordagens terapêuticas para a disbiose do microbioma intestinal, aumentando o sistema imunológico associado a esse microbioma, diminuindo os sintomas relacionados e a progressão da infecção viral.

Os probióticos (produtos alimentares que contêm microrganismos vivos cuja ingestão traz benefícios à saúde) podem atuar como moduladores da disbiose causada por infecção viral, especialmente na atenuação dos sintomas GI. Os probióticos podem diminuir a extensão da gravidade da doença ao equilibrar o microbioma intestinal, que pode ter resultados valiosos devido ao seu papel na comunicação do eixo intestino-pulmão e regulação da vitamina A.

Os probióticos desempenham seu papel no combate a várias doenças em termos de aumento da função de barreira epitelial, como anti-inflamatórios, melhorando a diversidade microbiana intestinal, como antagonistas para várias cepas bacterianas prejudiciais, entre outros. A patogênese da COVID-19 inclui a ruptura da barreira epitelial, inflamação e disbiose, que podem ser aliviadas com a suplementação de probióticos.

Até o momento, não existem ou são poucos os ensaios clínicos com resultados conclusivos para preparar o caminho para o uso de cepas probióticas específicas na infecção por SARS-CoV-2. Há necessidade de estudos imediatos e ensaios para uso de probióticos no COVID-19.

FONTE: SARS-CoV-2 microbiome dysbiosis linked disorders and possible probiotics role. Ahmad Ud Din, Maryam Mazhar, Muhammad Wasim, Waqar Ahmad, Asma Bibi, Adil Hassan, Niaz Ali, Wang Gang, Gao Qian, Razi Ullah, Tariq Shah, Mehraj  Ullah, Israr Khan, Muhammad Farrukh Nisar, Jianbo Wu. Biomedicine & Pharmacotherapy Volume 133, January 2021, 110947.

Será que as mutações encontradas em cepas do SARS-CoV-2 associadas a visons são perigosas?

Preparamos um extrato de notícia publicada na Nature News em 13 de novembro de 2020. Leia a notícia na íntegra aqui.

Autoridades de saúde na Dinamarca divulgaram dados genéticos e experimentais sobre um agrupamento de mutações do SARS-CoV-2 circulando em visons e pessoas que trabalham nos criadores desses animais. A divulgação ocorreu dias depois de anunciarem que as mutações poderiam comprometer a eficácia das vacinas contra a COVID-19.

As notícias das mutações levaram a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, a anunciar em 4 de novembro planos para acabar com a criação de visons no futuro próximo – e abater cerca de 17 milhões de animais – provocando um debate acirrado sobre se tal ação era legal. Mas os cientistas tiveram o cuidado de não dar o alarme até verem os dados.

A disseminação descontrolada no vison aumenta a oportunidade de o vírus evoluir e desenvolver mutações que podem ser preocupantes. Foram encontradas cerca de 300 variantes do SARS-CoV-2 em pessoas que podem ser rastreadas até visons, o que significa que contêm mutações que se acredita terem surgido primeiro em visons.

Nas amostras virais de visons e pessoas, os pesquisadores identificaram várias mutações no gene que codifica a proteína spike do coronavírus, que ele usa para entrar nas células. Isso preocupa os pesquisadores porque as mudanças nessa região podem afetar a capacidade do sistema imunológico de detectar a infecção. Muitas vacinas também treinam o sistema imunológico para bloquear essa proteína.

De particular preocupação é uma variante viral que contém uma combinação única de mutações chamada ‘Cluster-5’, que foi encontrada em 5 fazendas e 12 pessoas no norte da Dinamarca. Experimentos preliminares com células sugerem que os anticorpos de algumas pessoas que se recuperaram do COVID-19 acharam mais difícil reconhecer a variante do Cluster-5 do que os vírus que não carregavam as mutações do Cluster-5. Isso sugere que a variante poderia ser menos responsiva a tratamentos com anticorpos ou vacinas.

Uma mutação associada ao vison se espalhou mais amplamente nas pessoas. A mutação, Y453F, também codifica uma alteração de aminoácido na proteína spike e foi encontrada em cerca de 300 sequências de pessoas na Dinamarca, bem como sequências de visons e pessoas na Holanda. Um estudo experimental sugere que as variantes do vírus com a mutação Y453F escaparam da detecção por um anticorpo monoclonal comercial.

FONTE: COVID mink analysis shows mutations are not dangerous — yet. Smriti Mallapaty. Nature News 13 novembro 2020. https://doi.org/10.1038/d41586-020-03218-z.

O impacto da COVID-19 em pessoas com diabetes no Brasil.

Com até 16,8 milhões de pessoas ou 11,4% da população entre 20 e 79 anos com diabetes, o Brasil está entre os cinco principais países em relação à prevalência dessa doença. Além disso, mais de 135 mil mortes são causadas anualmente por esta condição e suas complicações. Cerca de 71% dos brasileiros com diabetes pertencem a um subgrupo mais exposto à hiperglicemia, o que os torna vulneráveis ​​a riscos ainda maiores de desfechos desfavoráveis ​​quando infectados pelo vírus SARS-CoV-2.

Os dados de indivíduos com diabetes foram coletados por meio de uma pesquisa anônima e não rastreável contendo 20 questões de múltipla escolha em português. As respostas da pesquisa foram coletadas de 22 de abril a 4 de maio.

A pesquisa foi respondida por 1.701 indivíduos, 75,54% eram do sexo feminino, 70,78% entre 18 e 50 anos, 64,96% dos entrevistados eram do Sudeste do Brasil, e os principais tipos de diabetes eram tipo 1 (60,73%) e tipo 2 (30,75 %). Entre as principais consequências relatadas da pandemia de COVID-19 estão: 95,1% redução da frequência de sair de casa (26,9% nunca saiu de casa desde o início da pandemia); entre os que monitoravam a glicemia em casa (91,5%), a maioria (59,4%) experimentou uma piora, que incluiu: 31,2% relataram maior variação na glicemia do que antes da pandemia, 20% glicemia maior e 8,2% níveis glicêmicos mais baixos. Além disso, 38,4% postergaram consultas médicas e / ou exames de rotina e 40,2% não agendaram consulta médica desde o início da pandemia. Dentre os hábitos recomendados para o tratamento do diabetes, a atividade física foi a mais impactada, com redução relatada por 59,5% dos entrevistados (14,7% com leve redução e 44,8% com grande redução).

A estratégia de distribuição de medicamentos e suprimentos médicos por 90 dias, a fim de evitar saídas mensais para adquirir os medicamentos, foi eficaz para apenas 21% dos 64,5% que recebiam seus medicamentos e insumos pelo SUS. Há necessidade premente das autoridades federais, estaduais e municipais brasileiras ampliarem as medidas implementadas a fim de atingir mais pessoas, além de fazer parceria com a sociedade civil, setor privado e canais de mídia para melhorar rapidamente a resposta e, desta forma, prevenir o aumento de indivíduos com diabetes infectados pelo SARS-CoV-2 e de complicações agudas e crônicas do diabetes.

FONTE: The impact of COVID-19 on people with diabetes in Brazil. Mark Thomaz Ugliara Barone, Simone Bega Harnik, Patrícia Vieira de Luca, Maria de Fatima Marinho de Souza, Deborah Carvalho Malta, Viviana Giampaoli. D i a b e t e s R e s e a r c h a n d C l i n i c a l P r a c t i c e 1 6 6 (2 0 2 0) 1 0 8 3 0 4. https://doi.org/10.1016/j.diabres.2020.108304

Reinfecção em um profissional de saúde com COVID-19 em um hospital no norte da Índia.

Homem, 26 anos, trabalhava como profissional de saúde (PS) na Unidade de Terapia Intensiva do COVID-19. Eletestou positivo para o SARS-CoV-2 por RT-PCR em 3 de maio de 2020 durante o teste de rotina que é feito para todos os profissionais de saúde de acordo com a política do hospital. Ele era assintomático e foi hospitalizado na ala de isolamento no dia seguinte, onde recebeu tratamento e evoluiu sem intercorrências. Os dois esfregaços nasofaríngeos (NPS) coletados em 10 e 13 de maio foram ambos negativos para a infecção. Ele recebeu alta em 14 de maio e foi encorajado a seguir quarentena em casa por mais 14 dias.

O homem reiniciou suas funções no hospital em 30 de maio e foi colocado na zona não-COVID do hospital. Depois de um intervalo de 38 dias, foi transferido para atuar na UTI de COVID. Conforme a rotina do hospital, ele foi testado por RT-PCR novamente em 21 de agosto, tendo apresentado resultado positivo. Permaneceu assintomático e foi novamente internado na enfermaria de isolamento, tendo recebido o mesmo tratamento. O paciente nunca precisou de suplementação de oxigênio.

A evidência preliminar sugere que as respostas de anticorpos ocorrem em pessoas que foram infectadas por SARS CoV-2. A segunda infecção nesses pacientes sugere que não foi gerado anticorpo suficiente no momento da primeira infecção ou, se eles desenvolveram anticorpos, podem não ter durado o suficiente para prevenir a reinfecção. A reinfecção também pode acontecer se houver uma resposta de anticorpos de vida muito curta, sem qualquer imunidade celular.

A reinfecção de um indivíduo saudável no curto período de menos de 100 dias tem várias implicações em termos de imunidade de rebanho, esquemas de vacinação e prevalência de infecção na população.

Este caso destaca a importância da vacinação em indivíduos com infecção prévia. Pessoas com a infecção anterior devem continuar a se precaver praticando o distanciamento social e o uso de máscaras.

FONTE: Reinfection in a healthcare worker with COVID-19 in a hospital in North India. Nazir, Nazia, Ahirwar, Arun, Jain, Shruti. Anaesthesia Pain & Intensive Care ; 24(5):572-573, 2020. https://doi.org/10.35975/apic.v24i5.1369

A jornada de um paciente COVID-19 desde a admissão, passando pela recuperação até aprender a respirar novamente.

Pacientes com diagnóstico de COVID-19 podem apresentar sinais e sintomas leves a graves, podendo exigir internação prolongada na unidade de terapia intensiva. Dentre os que são admitidos em unidade de terapia intensiva (UTI), os que respondem com sucesso ao tratamento podem ter alta hospitalar, mas o caminho para a recuperação total ainda pode ser estranho e longo.

No artigo é apresentado o relato de caso de um paciente crítico e os autores destacaram a jornada da doença e recuperação, com o objetivo de dar esperança e melhor compreensão àqueles que estão lutando contra o COVID-19.

A viagem de COVID-19 para a paciente do sexo feminino de 64 anos de idade começou com fadiga progressiva e tosse por alguns dias em casa. O esfregaço nasofaríngeo para o teste de RT-PCR foi positivo e havia infiltrados múltiplos bilaterais em sua radiografia de tórax. Ela tinha uma história de hipertensão crônica controlada, DMID e espondilite anquilosante cervical grave. Inicialmente, ela recebeu cuidados com ventilação não invasiva, mas devido à hipoxemia grave contínua e SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) exigiu intubação e ventilação mecânica.

Ela passou nove semanas na unidade de terapia intensiva e sua internação foi complicada com ventilação mecânica prolongada seguida de desmame difícil, insuficiência renal e perda progressiva de peso. De forma progressiva, mas gradual, ela superou todos os obstáculos ao longo de sua jornada de recuperação e recebeu alta para voltar mais tarde para casa caminhando por conta própria como “Senhora Milagrosa”.

A verdadeira fase rochosa da vida começa nesse momento. Muitos pacientes podem sofrer problemas mentais, físicos e emocionais de longo prazo. A maioria deles sofre de transtorno de estresse pós-traumático (PTSD), déficits cognitivos como Alzheimer, ansiedade, depressão e problemas econômicos devido à perda de empregos. Além disso, eles enfrentam problemas com atividades rotineiras, como simplesmente tomar banho e se alimentar de maneira autônoma.

Muitos serviços de saúde não estão aceitando pacientes recuperados do COVID-19. As pessoas que sobrevivem à doença provavelmente voltarão ao mundo “sozinhas”, sem o apoio usual de seus entes queridos, devido ao medo do contágio. Este comportamento em relação aos sobreviventes em recuperação desta nova doença não tem precedentes.

Ressalta-se que a fase hospitalar de recuperação da batalha da COVID-19 está apenas na metade do caminho. É um desafio ainda maior lidar com os cuidados pós-COVID-19. Portanto, devemos abordar o COVID e os cuidados pós-COVID com o mesmo nível de consideração.

FONTE: The journey of a COVID-19 patient from admission to recovery and learning to breathe again. Rafique, Nosheela B.; Lal, Shankar, Mohammed, Yassir Azzain, Aglan, Ahmed Ibrahim. Anaesthesia Pain & Intensive Care ; 24(5):558-559, 2020. https://doi.org/10.35975/apic.v24i5.1365.

Os casos de coronavírus estão disparando. Aqui está o que será necessário para obter o controle.

Preparamos um extrato da matéria publicada na Science News em 11 de novembro. Leia a matéria no original aqui.

Novembro está começando a parecer muito com março passado. Na Europa, onde o coronavírus esteve amplamente sob controle durante grande parte do verão e outono, os casos estão disparando em quase todos os lugares. Vinte países, incluindo o Reino Unido e a França, fecharam restaurantes, introduziram toques de recolher ou recomendaram que as pessoas ficassem em casa, embora a maioria das escolas e universidades continuem abertas por enquanto.

O fechamento de fronteiras, empresas e escolas estão entre as medidas mais drásticas para controlar a doença. No entanto, as preocupações com as consequências econômicas podem impedir os governos de emitir ordens generalizadas de permanência em casa.

Embora receber uma vacina COVID-19 – ou vacinas – esteja mais perto do que nunca, a maioria dos especialistas concorda que as vacinas provavelmente não estarão disponíveis para todos tão cedo. Isso significa que teremos que recorrer às ferramentas familiares de distanciamento físico, uso de máscaras e testes e isolamento de pessoas infectadas. Mas todas essas medidas são insuficientes, a menos que todos estejam dispostos a seguir as regras. Sozinhas, nenhuma dessas medidas é perfeita, mas fazê-las todas juntas pode aumentar a proteção.

Dezenas de estudos deixaram bem claro que usar máscara é uma das medidas mais eficazes que um indivíduo pode tomar para ajudar a conter a pandemia. Por exemplo, se 95 por cento das pessoas usassem máscaras fora de casa, quase 130.000 mortes por COVID-19 poderiam ser evitadas nos Estados Unidos entre o final de setembro e o final de fevereiro de 2021.

No início da pandemia, bloqueios e medidas de distanciamento social (de gravidade variável) decretadas em muitos países funcionaram amplamente. Ficar em casa privou o vírus de oportunidades de transmissão, evitando mais de 500 milhões de infecções em seis países duramente atingidos. Agora que os cientistas têm uma compreensão melhor sobre a transmissão, talvez não sejam necessários bloqueios gerais. Em vez disso, as restrições podem se concentrar em espaços lotados e mal ventilados, como restaurantes e bares. Se os casos continuarem a crescer exponencialmente, no entanto, bloqueios mais rígidos podem ser a única ferramenta que resta para evitar que os hospitais fiquem sobrecarregados.

O rastreamento e o isolamento de contatos são mais poderosos quando os casos são identificados no início do curso da infecção, seus contatos são rastreados e informados sobre sua exposição e atendem às solicitações de quarentena. Esse sistema requer testes amplamente disponíveis e muitos rastreadores de contato para fazer o trabalho de detetive. Sistemas robustos de rastreamento de contato funcionam apenas se as pessoas obedecerem às autoridades de saúde pública e compartilharem seu histórico de contato ou quarentena.

Quanto mais demorarmos para agir sobre o vírus, mais danos ele causará.

FONTE: Coronavirus cases are skyrocketing. Here’s what it will take to gain control. Jonathan Lambert and Tina Hesman Saey. Science News NOVEMBER 11, 2020. https://www.sciencenews.org/article/coronavirus-covid19-control-increasing-cases.

Prós e contras do plástico durante a pandemia de COVID-19: parte 3.

Terceira e última parte da transcrição do artigo sobre o papel do plástico durante a COVID-19.

Durante a pandemia, a produção de resíduos plásticos aumentou em todo o mundo, seja pelo aumento das embalagens ou pelo uso de EPIs pela população em geral, como máscaras. É importante lembrar que cada cidadão é responsável pelos resíduos que produz, bem como pelo seu descarte, e essa destinação inadequada pode causar ou agravar problemas ambientais. Esse plástico descartado de maneira inadequada acaba, de uma forma ou de outra, tendo como destino diversos corpos d’água (rios, mares e oceanos), aumentando o grave problema ambiental do plástico nas águas.

Infelizmente, notícias sobre a presença nos oceanos, mares e rios de máscaras e luvas que foram usadas para prevenir a propagação da COVID-19, têm sido cada vez mais comuns em todo o mundo. Não que as pessoas atirem suas máscaras e luvas nas águas, mas porque são atiradas em locais inadequados e são atingidas pelo vento, águas pluviais, sistemas de drenagem e esgoto, acabando nas águas. Cerca de 8–13 milhões de toneladas de plástico chegam aos corpos d’água por ano, sendo que o descarte inadequado de EPIs está piorando o problema. Assim, ao mesmo tempo que a crise trouxe melhorias ao meio ambiente como redução dos níveis de poluição do ar, referidos como efeitos indiretos positivos da COVID-19, houve agravamento da poluição marinha, o efeito indireto negativo da COVID-19 no meio ambiente, com a falta de consciência dos população como um grande aliado.

Esses EPIs pós-usados, chamados de ‘plásticos pandêmicos’, são piores do que uma simples garrafa de água descartada incorretamente, pois são perigosos em termos de contaminação por patógenos.

A luva descartada de forma inadequada na calçada pode acabar no mar por causa de uma forte tempestade e, por ação do meio ambiente, iniciar sua degradação. Com o passar do tempo, suas peças vão ficando cada vez menores, transformando-se em microplásticos e acabando sua destinação nos diversos alimentos e bebidas que serão consumidos pela população.

Além disso, o plástico descartado inadequadamente pode auxiliar na impermeabilização urbana, agravando o problema de enchentes nas cidades por meio do entupimento de bueiros causados ​​pelo acúmulo de resíduos transportados pela água da chuva ou ventos. Bueiros entupidos e resíduos descartados em locais inadequados podem se tornar ambientes ideais para a reprodução de insetos transmissores de doenças, como o mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, chikungunya, febre amarela e zika.

Por último, talvez o aspecto mais importante a ser considerado sobre a disposição irregular de EPIs pós-uso seja a possibilidade de contaminação, uma vez que são resíduos perigosos contaminados por patógenos. Mesmo sabendo que o tempo de sobrevivência do vírus é pequeno, poderia ser suficiente para atingir outros organismos, sofrer mutações e alterar características, além de colocar em risco a segurança das pessoas, principalmente das que trabalham no setor de limpeza das cidades.

É imprescindível lembrar que luvas e máscaras pós-usadas não são itens recicláveis.

VAMOS COLABORAR PARA REDUZIR A PRESENÇA DE PLÁSTICO PANDÊMICO NA NATUREZA.

FONTE: Pros and cons of plastic during the COVID-19 pandemic. De Sousa, F. D. B.. Recycling ; 5(4):1-17, 2020. https://doi.org/10.3390/recycling5040027

Prós e contras do plástico durante a pandemia de COVID-19: parte 2.

Segunda parte da transcrição do artigo sobre o papel do plástico durante a COVID-19.

A maioria dos aparelhos usados ​​para salvar vidas são, total ou parcialmente, de plástico, como respiradores, termômetros e testes para COVID-19, além de outros itens mais comuns, como seringas, tubos, cânulas orofaríngeas, sondas de sucção, cateteres, embalagens de soluções salinas e medicamentos, entre muitos outros. É o caso também do poliestireno expandido, que atua como isolante térmico e protetor contra tensões mecânicas, protegendo produtos farmacológicos sensíveis. Além disso, copos e talheres de uso único são importantes em hospitais para evitar a disseminação do vírus.

Indispensáveis ​​durante a pandemia, os equipamentos de proteção individual (EPI) utilizados pelos trabalhadores hospitalares, compostos por máscaras, luvas, roupas, aventais, bonés, capas e óculos são, na maioria, de plástico. Entre as vantagens, com o uso de EPIs diminui-se a possibilidade de propagação do vírus.

O documento publicado pelo Ministério da Saúde do Brasil para a gestão de órgãos no contexto da COVID-19 alertava sobre a importância do uso de EPIs por profissionais. É importante enfatizar a importância do uso de materiais impermeáveis ​​para evitar o contato com sangue infectado, fluidos e secreções corporais. Os materiais plásticos são ideais para tais aplicações porque são à prova d’água.

Até o momento, ficou evidenciada a importância do plástico, principalmente como protetor durante a atual pandemia. No entanto, o mesmo protetor pode facilmente se tornar um poluidor quando descartado de forma inadequada no meio ambiente. Alguns problemas socioambientais causados ​​pelo plástico serão discutidos no próximo post.

NÃO PERCAM A CONTINUAÇÃO AMANHÃ.

FONTE: Pros and cons of plastic during the COVID-19 pandemic. De Sousa, F. D. B.. Recycling ; 5(4):1-17, 2020. https://doi.org/10.3390/recycling5040027