Prós e contras do plástico durante a pandemia de COVID-19: parte 1.

Iniciamos hoje uma série de posts com a transcrição de um artigo sobre o papel do plástico na pandemia de COVID-19, assinado por uma pesquisadora brasileira.

Desde o início dos primeiros casos do novo coronavírus, nossa sociedade mudou completamente. Durante a pandemia da COVID-19, o papel do plástico está em evidência, sendo considerado um protetor para salvar vidas, mas poluidor quando descartado de forma inadequada, causando problemas ambientais. Como exemplo, podem ser mencionadas máscaras. São de uso obrigatório na grande maioria dos países, importantes para evitar a contaminação e transmissão da doença, mas podem se tornar um problema socioambiental quando máscaras pós-usadas são descartadas em locais inadequados.

As partículas virais excretadas da boca e do nariz são frequentemente encontradas nas mãos e podem se espalhar para itens comumente tocados. Outras pessoas podem contrair COVID-19 ao tocar nesses objetos ou superfícies contaminados e, em seguida, tocar seus olhos, nariz ou boca, o que torna importante higienizar as superfícies. A transmissão pessoa a pessoa de gotículas é a principal forma de propagação do vírus, seguida pela transmissão por aerossol e fômites (objetos inanimados). Assim, a transmissão de fômite para humano, ou transmissão indireta, não pode ser completamente descartada.

A grande vantagem das embalagens plásticas durante os surtos é a possibilidade de serem limpas ou lavadas, criando uma barreira protetora nos alimentos, além de aumentar o tempo de prateleira (evita a deterioração dos alimentos) e segurança.

Após a compra, a embalagem deve ser higienizada ao chegar em casa. As embalagens de plástico podem ser lavadas com água e sabão ou limpas com desinfetante simples, com soluções contendo 62% a 71% de etanol, 0,5% de peróxido de hidrogênio ou 0,1% de hipoclorito de sódio por um minuto. É importante lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 s após manusear a embalagem de alimentos, após retirar os alimentos da embalagem, antes de preparar os alimentos para comer e antes de comer.

Frutas e verduras devem ser mantidas por, pelo menos, 5 minutos em recipiente com água e hipoclorito de sódio e, a seguir, lavadas em água corrente para evitar contaminação. Porém, tal prática, dependendo do alimento, pode diminuir sua resistência quando armazenado em refrigeradores. Assim, a compra de alimentos embalados pode se tornar uma vantagem, uma vez que podem ser lavados ou limpos por meio de uma das opções descritas acima, sem agredir diretamente os alimentos.

INTERESSANTE, NÃO? NÃO PERCAM A CONTINUAÇÃO AMANHÃ.

FONTE: Pros and cons of plastic during the COVID-19 pandemic. De Sousa, F. D. B.. Recycling ; 5(4):1-17, 2020. https://doi.org/10.3390/recycling5040027

A COVID-19 está causando mais óbitos em homens do que em mulheres.

Desde o início da COVID-19, países em todo o mundo estão relatando que a taxa de mortalidade por COVID-19 é significativamente maior em homens do que em mulheres. Embora homens e mulheres estejam sendo infectados com COVID-19 em taxas semelhantes, uma proporção significativamente maior de homens sucumbe à doença do que mulheres, entre os grupos de idade semelhante. Por que então mais homens estão morrendo de COVID-19? Ou melhor, deveríamos estar perguntando por que mais mulheres estão sobrevivendo?

A pesquisa sugere que os mastócitos nas mulheres são capazes de iniciar uma resposta imunológica mais ativa, o que pode ajudá-las a combater doenças infecciosas melhor do que os homens. Os mastócitos desempenham um papel fundamental em nosso sistema imunológico, pois atuam como primeiros respondedores aos patógenos e orquestram as respostas imunológicas que ajudam a eliminar os patógenos invasores. Evidências recentes indicam que os mastócitos são ativados pelo SARS-CoV-2, que causa a COVID-19.

Em geral, as mulheres têm uma resposta imunológica mais robusta do que os homens, o que pode ajudar as mulheres a combater as infecções melhor do que os homens. Isso pode ser resultado de fatores genéticos ou hormônios sexuais, como estrogênio. Já foi demostrado que a ativação do receptor de estrogênio em camundongos fêmeas forneceu proteção contra o SARS-CoV-2. Há um ensaio clínico aprovado que examinará os efeitos do estrogênio na gravidade dos sintomas de COVID-19.

FONTE: COVID-19 causes more mortality of men than women, why and how? Scientists view. Ahmed, M. S. A. M.. Indian Journal of Community Health ; 32(3):471, 2020. DOI: https://doi.org/10.47203/IJCH.2020.v32i03.002

Aplicação do conceito de “One Health” durante a pandemia de COVID-19.

O conceito de “One Health” enfatiza a interdependência da saúde humana, o bem-estar animal e a estabilidade ambiental, além da necessidade de manter um delicado equilíbrio entre os três. Aproximadamente 60% das 1.461 doenças hoje reconhecidas em humanos são atribuídas a patógenos de vários hospedeiros que pularam de outras espécies para o ser humano. Quase 75% das novas doenças infecciosas humanas que surgiram nas últimas três décadas são definidas como zoonóticas.

O estado de Kerala, no sul da Índia, utilizou os princípios do “One Health” de maneira eficaz para vencer o surto do vírus Nipah em 2018. Com o estado atualmente em meio à pandemia COVID-19, muitas das mesmas estratégias desempenharam um papel na implementação da resposta de saúde pública à pandemia em Kerala.

Assim que o primeiro caso de COVID-19 foi relatado em 30 de janeiro, o aparelho de saúde pública permaneceu em alerta máximo. Rastreamento e triagem rigorosos dos contatos foram realizados, desde os primeiros dias do surto. A comunicação era mantida diariamente com aqueles em quarentena domiciliar para verificar se havia novos sintomas e os casos sintomáticos eram transportados para centros de isolamento designados.

Os autores sugerem, entre várias medidas:

  1. Constituir uma Força-Tarefa ‘One Health’ com representação das áreas de medicina, doenças infecciosas, saúde pública, ciências veterinárias, pecuária, virologia etc., para compartilhar informações científicas.
  2. Identificar ambientes que colocam as pessoas em contato próximo com animais em condições anti-higiênicas, como mercados de animais vivos, que podem ser pontos críticos para a transmissão acidental de vírus zoonóticos para humanos.
  3. Apoiar o financiamento de iniciativas de “One Health” para estudar doenças zoonóticas e a interface de doenças humanos-animais, para prevenir futuros surtos de doenças virais originadas em hospedeiros animais.

É importante reconhecer que a ocorrência frequente de epidemias que vemos hoje deriva do impacto em grande escala da destruição de ambientes naturais.

FONTE: The ‘One Health’ Approach to an Epidemic ResponseVinu Cherian1, Joel Philip. Indian Journal of Community Health ; 32(3):472-478, 2020. DOI: https://doi.org/10.47203/IJCH.2020.v32i03.003

Teste do coronavírus finalmente ganha velocidade.

Novos testes rápidos para detecção do SARS-CoV-2, que podem fornecer resultados em questão de minutos, em vez de levar dias em laboratórios de diagnóstico clínico, estão começando a se tornar amplamente disponíveis. Eles são baseados em uma variedade de tecnologias e formatos, antigos e novos: testes convencionais baseados em antígenos para detecção de proteínas virais; ensaios de reação em cadeia da polimerase (PCR) para detecção de material genômico viral; e novos testes de diagnóstico baseados em CRISPR, que também detectam genomas virais, mas em menos etapas e dispensando máquinas de PCR.

A necessidade é urgente. Nas últimas semanas, o número de casos confirmados começou a aumentar drasticamente em muitos países. Sistemas inadequados de teste e rastreamento, além de conformidade insuficiente com as medidas de segurança recomendadas, permitiram que o vírus continuasse a se propagar amplamente.

Limitar o teste a indivíduos sintomáticos é uma estratégia de contenção falha, pois as pessoas são infecciosas durante o período de incubação viral, antes que os sintomas apareçam. Por outro lado, muita cautela pode resultar em indivíduos submetidos a isolamento prolongado, muito depois de terem deixado de ser contagiosos. Para que a contenção seja eficaz, aqueles que são contagiosos precisam ser identificados e isolados em tempo hábil.

Os testes de PCR que detectam diferentes regiões do genoma do SARS-CoV-2 têm dominado os esforços para rastrear o vírus até agora. Esses testes são altamente precisos, mas precisam ser executados em laboratórios centralizados e requerem pessoal treinado e máquinas de PCR especializadas. Isso resultou em falta de testes e atrasos no recebimento dos resultados, o que pode complicar o rastreamento de contatos no caso de um resultado positivo.

Os atuais testes rápidos que detectam a presença de anticorpos são de pouco valor na captura de infecções ativas em um indivíduo, devido ao intervalo entre o início de uma infecção e o surgimento de uma resposta detectável de anticorpos. Desde o início, muitos diziam que eles não eram feitos para o que as pessoas os compravam. Além disso, o mercado foi inundado com produtos de baixa qualidade, o que prejudicou a confiança nesses testes.

Os testes COVID-19 de venda livre para uso doméstico ainda não surgiram. Os reguladores têm sido historicamente lentos em aprovar tais testes devido à ausência de orientação clínica para ajudar uma pessoa a interpretar os resultados.

À medida que as pressões sobre as populações, sistemas de saúde e economias começam a aumentar, há necessidade urgente de mais ferramentas para combater a COVID-19. Mesmo as projeções mais otimistas sugerem que vacinas seguras e eficazes não estarão disponíveis em quantidades significativas até meados do próximo ano. Parece cada vez mais realista presumir que o vírus continuará a circular em muitas populações enquanto isso. Em um cenário tão sombrio, testes rápidos eficazes podem não vir com rapidez suficiente.

FONTE: Coronavirus testing finally gathers speed. Cormac Sherida. Nature Biotechnology News 05 de novembro de 2020. doi: https://doi.org/10.1038/d41587-020-00021-z

Número de pacientes classificados como curados da COVID-19: riscos para a população.

Em carta ao editor da revista Einstein, uma publicação oficial do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, pesquisadores alertam para o risco relacionado aos critérios atuais para classificação de um paciente como curado da COVID-19.     

Os critérios adotados até então por muitos países, como o Brasil, com respeito à evolução para cura de pacientes assintomáticos ou com sintomas leves, podem representar riscos, devido a algumas limitações para o monitoramento da evolução da infecção.

A recomendação atual, nesses casos, prevê a realização de testes laboratoriais confirmatórios de cura apenas para os casos graves da doença. Os casos de pacientes com sintomas leves ou assintomáticos, mesmo com confirmação laboratorial para o diagnóstico inicial, seguem, na maior parte das vezes, apenas critérios clínicos para estabelecimento de classificação final como cura, com base geralmente em relatos dos pacientes.

Diante da possibilidade de persistência dos sintomas de forma intermitente em pacientes com sintomas leves por período superior a 14 dias e da inviabilidade de prover critérios clínicos adequados para avaliação de casos assintomáticos, o número de curados no mundo pode estar consideravelmente superestimado. Além disso, pessoas assintomáticas ainda não curadas podem estar retornando aos seus postos de trabalho e às atividades de rotina, colocando em perigo grande parte da população.

FONTE: Number of COVID-19 patients classified as cured: an imminent danger for the population. Marcos Roberto Tovani-Palone, Stefano Lacagnina, Lorenzo Ferro Desideri. Einstein (São Paulo). 21/Oct/2020;18:eCE6146. DOI:10.31744/einstein_journal/2020CE6146

Será que o SUS se fortaleceu com a pandemia de COVID-19?

Pesquisadores brasileiros publicaram um comentário sobre esse tema e analisaram a oferta de leitos de UTI disponíveis no Brasil. Com as notícias de instalação de hospitais de campanha, de criação de leitos e de tentativas de reabrir ou disponibilizar leitos públicos não utilizados, criou-se uma metodologia para investigar a expansão desses leitos em todo o país, segmentando os resultados por região geográfica.

Houve um salto no número de leitos no país, saindo de 46.045 em dezembro de 2019 (momento pré-pandemia) para 60.265 (pós-pandemia) em abril de 2020. Poder-se-ia pensar que a população brasileira estaria agora bem mais assistida. Entretanto, destes 14.220 novos leitos, apenas 3.104 são do SUS, ou seja, disponíveis para toda a população, inclusive para quem possui plano privado de saúde. Esse tímido avanço do SUS representa apenas 21,82% dos novos leitos UTI. Ou seja, o setor privado conseguiu instalar mais 11.116 leitos, o que representou 78,18% das novas camas de tratamento intensivo em todo o país, expressando uma desigualdade sem precedentes na história do país desde a implantação do SUS. A predominância do setor privado no quesito de expansão dos leitos de UTI é visível, o que é muito grave em um país no qual apenas 22,41% da população dispõem de plano privado e os outros 77,59% dependem exclusivamente do SUS.

Quando se analisa essa situação por região, verifica-se que as iniquidades no acesso à saúde, especificamente aos leitos de UTI, são ainda mais brutais. A Região Norte possui um contingente populacional de 18,43 milhões de pessoas (8,77% da população nacional). Deste, 90,72% são dependentes exclusivos do SUS e disputam 1.793 leitos de UTI SUS, o que significa dizer que há aproximadamente um leito SUS para cada 9.325 pessoas. Ainda nesta região, percebe-se que 9,28% da população possuem plano de saúde e disputam 1.335 leitos, resultando na proporção aproximada de um leito a cada 1.281 pessoas.

A Região Nordeste, por sua vez, concentra 57,07 milhões de pessoas (27,15% da população do país). Destes, 88,43% dependem unicamente do SUS, disputando 5.968 leitos, perfazendo a proporção aproximada de um leito a cada 8.456 pessoas. Quanto aos beneficiários dos planos de saúde, nota-se que são 11,57% da população desta região disputando 6.512 leitos de UTI, o que resulta aproximadamente na proporção de um leito a cada 1.013 pessoas.

Esses dados contrastam com os desejos e discursos dos sanitaristas de que o SUS está se fortalecendo na pandemia.

FONTE: Crescimento dos leitos de UTI no país durante a pandemia de Covid-19: desigualdades entre o público x privado e iniquidades regionais. Dorival Fagundes Cotrim Junior, Lucas Manoel da Silva Cabral. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 30(3), e300317, 2020. https://doi.org/10.1590/S0103-73312020300317

Monitoramento do RNA do SARS-CoV-2 em superfícies de alto contato em um ambiente comunitário.

O papel dos fômites (superfícies) na transmissão do SARS-CoV-2 não é claro. O SARS-CoV-2 permanece viável em superfícies por até 28 dias, com meias-vidas em plástico e aço inoxidável variando de horas a dias, dependendo da concentração inicial e das condições ambientais. No entanto, os dados sobre a prevalência de SARS-CoV-2 em superfícies de alto contato são limitados e as tendências temporais durante um surto de COVID-19 não foram medidas.

O RNA viral foi detectado por RT-qPCR em amostras de superfície de alto contato em locais públicos durante um surto de COVID-19 de 13 de março a 23 de junho de 2020 em uma cidade em Massachusetts, EUA. As superfícies amostradas incluíram lata de lixo, loja de bebidas, banco, entrada do metrô, supermercado, posto de gasolina, lavanderia, restaurante, loja de conveniência, caixa postal e faixas de pedestres.

No geral, 29 de 348 (8,3%) amostras de superfície total foram positivas para RNA de SARS-CoV-2. A maçaneta da lata de lixo e a maçaneta da porta do armazém de bebidas foram as superfícies mais contaminadas. Descobrimos que a prevalência de SARS-CoV-2 RNA em superfícies de alto contato em espaços públicos refletiu os números de casos COVID-19 locais.

Observamos um total de 1.815 pessoas, sendo que 1.623 (89%) usavam máscara e 109 (6%) usavam luvas. Do total de 977 toques, 781 (82%) foram com as mãos nuas, 79 (8%) com as mãos com luvas curtas e 117 (12%) com as mãos com luvas com manga comprida.

As baixas concentrações de RNA viral detectadas podem ser parcialmente atribuídas à baixa recuperação do RNA do vírus das superfícies. No geral, nossos resultados são consistentes com o consenso atual de que a transmissão de COVID-19 mediada por fômite é possível, mas provavelmente uma via secundária. Não foi realizado o cultivo do vírus de nenhuma das amostras de superfície e, portanto, não se pode determinar a viabilidade ou infectividade do SARS-CoV-2 detectado.

A desinfecção de superfícies tocadas com frequência, como maçanetas, provavelmente ainda é útil para evitar possíveis casos de transmissão por fômites. A desinfecção das mãos após tocar em superfícies públicas pode reduzir ainda mais o risco de transmissão.

FONTE: Longitudinal monitoring of SARS-CoV-2 RNA on high-touch surfaces in a community setting. Abigail P. Harvey, Erica R. Fuhrmeister, Molly Cantrell, Ana K. Pitol, Jenna M. Swarthout, Julie E. Powers, Maya L. Nadimpalli, Timothy R. Julian,  Amy J. Pickering. medRixv doi: https://doi.org/10.1101/2020.10.27.20220905

Infecções por COVID-19 entre profissionais de saúde expostos a um paciente com diagnóstico tardio de COVID-19.

Um homem de 79 anos com histórico de diabetes tipo 2, hipertensão e prótese no joelho direito foi transferido de um centro de reabilitação para um hospital de cuidados intensivos, queixando-se de dor abdominal e falta de ar. Ele foi diagnosticado com colecistite e foi submetido a uma colecistostomia percutânea. Sua falta de ar e dor abdominal melhoraram durante a internação na unidade de terapia intensiva, embora ele tivesse uma tosse intermitente. Ele foi transferido para uma unidade de cuidados intermediários no dia 5 do hospital. No dia 13 do hospital, ele desenvolveu insuficiência respiratória aguda súbita. Precauções de contato e gotículas (incluindo proteção para os olhos) foram instituídas. O paciente necessitou de intubação urgente e foi transferido de volta para a terapia intensiva, onde foi testado para SARS-CoV-2 por suabe nasofaríngeo.

Como o paciente provavelmente tinha COVID-19 não diagnosticado desde o momento da admissão, todos os profissionais de saúde que foram expostos ao paciente durante os primeiros 13 dias de sua hospitalização foram identificados e foi solicitado teste de RT-PCR nasofaríngeo para SARS-CoV-2.

Dos 44 trabalhadores expostos, oito desenvolveram sintomas, dos quais três testaram positivo para COVID-19. Os 36 trabalhadores expostos restantes não desenvolveram sintomas. Destes, 29 foram testados e tiveram resultados negativos.

Dos três profissionais de saúde com teste positivo para COVID-19, um também foi exposto a um membro da família com COVID-19 confirmado. O membro da família dividia um quarto com o funcionário infectado e desenvolveu sintomas antes do funcionário; portanto, a infecção desse funcionário foi atribuída ao membro da família. Os outros dois funcionários não tinham contatos com COVID-19 conhecidos fora do local de trabalho.

Os dois profissionais de saúde que foram expostos ao paciente e subsequentemente desenvolveram sintomas tiveram 60 e 70 minutos de exposição cumulativa ao paciente, respectivamente, nos 14 dias anteriores às infecções. Um acumulou cerca de 60 minutos ajudando a banhar, reposicionar e reorientar o paciente, a maior parte do tempo sem máscaras. O outro profissional examinava o paciente diariamente, usando máscara em 50% dos exames. Esse profissional, enquanto usava uma máscara, também colocou e fixou uma sonda nasogástrica que fazia o paciente tossir e vomitar.

Este caso ressalta a necessidade de uma triagem robusta de todos os pacientes hospitalizados para sintomas consistentes com COVID-19, tanto na admissão quanto diariamente durante a internação hospitalar.

FONTE: COVID-19 infections among HCWs exposed to a patient with a delayed diagnosis of COVID-19. Meghan A. Baker, Chanu Rhee, Karen Fiumara Pharm, Carin Bennett-Rizzo, Robert Tucker, Sarah A. Williams, Paige Wickner, Jennifer Beloff, Casey McGrath, Alexa Poulton and Michael Klompas. Infection Control & Hospital Epidemiology (2020), 41, 1075–1076. doi:10.1017/ice.2020.256

Pós-COVID-19: potenciais e inovação.

Pesquisadores indianos publicaram um artigo sobre medidas a serem adotadas no pós-pandemia para o retorno da cadeia de suprimentos na Índia, porém as discussões são de relevância global.

A COVID-19 já começou a ter impacto na economia e na sociedade. Esta situação atual de economia em decadência pode impactar negativamente na sustentabilidade dos negócios e no emprego. Os funcionários precisam garantir seus empregos e, além disso, a saúde mental também é uma grande preocupação. A quarentena é imposta para interromper a cadeia de propagação do vírus, mas pode se transformar em estresse psicológico, emocional e econômico.

A cadeia de suprimentos indiana enfrentará uma grande transformação nos próximos anos, pois a COVID-19 está desafiando o equilíbrio entre a oferta e a demanda. A primeira e mais importante preocupação é mudar a cadeia de abastecimento, aumentando o abastecimento doméstico para torná-lo mais local. O diferenciador para a Índia, assim como para a China há duas décadas, é seu enorme mercado interno. A Índia é um dos maiores exportadores de fármacos do mundo, mas depende da China para insumos farmacêuticos ativos.

A gestão e mitigação de riscos se tornarão mais diferenciadas nas cadeias de suprimentos, onde será adotada a política de garantir mais estoque de segurança para distribuição. Isso pode resultar em um maior espaço de armazenamento. A automação (drones, robótica, drop boxes e outras) será a tendência futura.

Há um outro aspecto negativo do surto da COVID-19 na saúde mental dos funcionários. É essencial tomar medidas de mitigação durante o bloqueio e após o bloqueio para minimizar os prováveis ​​efeitos indesejáveis ​​na saúde mental das pessoas. O treinamento de funcionários é obrigatório durante e após o bloqueio da COVID-19. Os gestores devem ser treinados para gerenciar a crise da COVID-19 adequadamente, o que irá reduzir o estresse dos funcionários. É necessário treinamento adequado para lidar com trabalhos virtuais, reuniões, no contexto de operação em modo online ou teletrabalho.

Os programas de apoio social podem ser realizados online durante esta pandemia e, posteriormente, um programa deve ser realizado para mitigar os efeitos de isolamento, quarentena, medo de contágio e insegurança no trabalho.

FONTE: Post COVID-19 potentials and innovation: The future supply chain. Pasuluri, B. S.; Anuradha, S. G.; Manga, J.; Karanam, D.. International Journal of Research in Pharmaceutical Sciences ; 11(Special Issue 1):1054-1057, 2020.

COVID-19 em idosos e crianças.

Em extensas pesquisas feitas sobre COVID-19 e sua patogênese, muitos estudos descobriram que nem todos os indivíduos expostos são afetados e nem todos com uma infecção ativa desenvolvem doença grave. COVID -19 é dividida principalmente em três estágios: estágio I, um período de incubação assintomático que pode ou não conter o vírus em estado detectável; estágio II, período sintomático não grave com presença de vírus nas vias respiratórias superiores; estágio III, estágio sintomático respiratório grave com alta carga viral (trato respiratório inferior).

Muitos estudos relatam que o período de incubação do vírus é de 5 dias, enquanto o início dos sintomas pode ser de até 14 dias após a exposição, fornecendo assim uma base para a duração da quarentena / isolamento.

A idade é considerada um fator importante para o prognóstico de muitas doenças, incluindo COVID-19. Os pacientes que foram gravemente afetados e necessitaram de tratamento intenso tinham comorbidades e complicações subjacentes e eram significativamente mais velhos. Pacientes idosos com comorbidades não possuem um sistema imunológico eficaz em comparação com adultos saudáveis.

Crianças com infecção por COVID-19 apresentam sintomas semelhantes aos adultos, como febre, tosse seca, coriza e congestão nasal, náuseas, vômitos, diarreia, anosmia, dor abdominal e fadiga ou podem permanecer assintomáticas. As crianças respondem de maneira diferente à infecção por COVID-19 e é mais branda em comparação com os adultos. É hipotetizado que certos vírus na mucosa dos pulmões e vias aéreas, comumente vistos em crianças, poderiam limitar o crescimento de SARS-CoV-2 por interação direta de vírus para vírus e competição.

Porém, crianças são menos capazes de defesa mediada por células, pois não têm células de memória específicas para os coronavírus. Sejam sintomáticas ou não, essas células de memória são abundantes em adultos, pois foram expostos a muitas infecções respiratórias, como gripe, resfriado comum, etc., causadas por coronavírus causadores de resfriado comum. Mas no caso da COVID-19, as crianças são menos afetadas devido a vários motivos, como a presença de interações virais competitivas, vias imunológicas alternativas etc. ainda exigindo mais estudos para obter um conhecimento mais claro sobre o curso da doença em crianças.

Os sistemas imunológicos de crianças muito pequenas, pré-escolares e adolescentes variam. Bebês recém-nascidos têm anticorpos antivirais maternos que fornecem imunidade ativa contra vários vírus e doenças, incluindo COVID-19.

Embora COVID-19 se apresente em crianças em uma forma mais branda, as crianças afetadas não devem ser ignoradas. Descobriu-se que as crianças abrigam grandes quantidades de vírus e provavelmente podem transmitir o vírus mesmo quando são assintomáticas.

FONTE: The intriguing course of coronavirus and its age dependent variation in the disease outcome-a concise update. Swetha, R.; Abilasha, R.; Premavathy, D.. International Journal of Research in Pharmaceutical Sciences ; 11(Special Issue 1):1075-1078, 2020.